Saiba mais sobre os marcos do desenvolvimento da fala

Um dos momentos mais esperados pelos pais é o desenvolvimento da fala e com isso, ouvir as primeiras palavras dos bebês.

As crianças tendem a seguir uma progressão natural para dominar as habilidades da linguagem e há alguns marcos que podem ajudar a identificar se o desenvolvimento está ocorrendo normalmente.

A seguir, veja detalhes de como a fala se desenvolve de acordo com a idade do bebê.

2 meses

– Começam a sorrir para as pessoas

– Começam a fazer sons

– Viram a cabeça em direção aos sons do ambiente

– Conseguem reconhecer as vozes

– Mudam o choro de acordo com a necessidade

4 meses

– Imita as expressões faciais

– Balbucia

– Imita sons

-Gosta de brincar com  outras pessoas

6 meses

–  Fazem sons ao brincar ou quando está sozinho

– Começam a usar a voz para expressar o que deseja

– Respondem quando são chamados

– Movem os olhos na direção dos sons

– Respondem às mudanças no tom de sua voz

– Observam que alguns brinquedos fazem sons

– Levam objetos à boca

– Respondem com pequenos sons: Ah, eh, oh e começa a emitir sons com M e B

9 meses

– Compreendem a palavra “não”,

– Emitem sons juntando várias sílabas como “mamamama” ou “babababa”

– Tentam imitar os sons que as outras pessoas fazem

12 meses

– Compreendem ordens simples como “dá” ou “tchau”

– Emitem sons parecidos com a fala

– Falam “mama”, “papa”

– Fazem exclamações como “uh-oh!”

– Tentam repetir as palavras que ouve

– Viram os olhos na direção dos sons

– Responde pedidos simples

18 meses

– Reconhecem nomes de pessoas, objetos e partes do corpo

– Seguem instruções acompanhadas de gestos

– Falam cerca de 20 palavras

– Compreendem bem as palavras

– Começam a dizer não com a cabeça

24 meses

– Conseguem dizer o seu primeiro nome

– Juntam duas ou mais palavras

– Falam frases simples e curtas

– Começam a falar sozinhos enquanto brincam

– Repetem as palavras que ouviu as outras pessoas falando

– Apontam para objetos ou imagens quando ouve os seus sons

– Seguem comandos simples e entende perguntas simples

– Falam cerca de 200 palavras

30 meses

– Usam a gramática mais desenvolvida

– Conseguem contar pequenas histórias

– Cantam musiquinhas

– Falam o seu nome e sobrenome

– Entendem verbos e instruções

– Vocabulário é composto por mais de 350 palavras

36 meses

– Usam artigos, preposições, plurais e verbos

– Conseguem conversar

– Falam cerca de 1.000 palavras diferentes

48 meses

– Conseguem ser compreendidos por estranhos

– Mantêm longos diálogos

– Contam acontecimentos

– Elaboram frases de 5 ou 6 palavras

– Falam mais de 1200 palavras

Quando procurar ajuda?

É importante que os pais e os responsáveis fiquem atentos aos marcos de desenvolvimento da fala. Se achar que a criança está demorando muito para balbuciar ou falar as primeiras palavras, vale a pena conversar com um pediatra.

Em alguns casos, pode ser necessário passar por um fonoaudiólogo para realizar uma avaliação cuidadosa para determinar que tipo de problema de linguagem ou fala a criança pode ter.

Como as crianças progridem de maneira diferente, pode ser um desafio distinguir entre um atraso e um distúrbio de fala ou linguagem.

Além disso, o atraso de linguagem pode indicar outras condições de saúde. São elas:

– Problema com a boca e a língua;

– Perda de auditiva (surdez);

– Autismo;

– Problemas neurológicos;

– Deficiência intelectual;

– Distúrbios de linguagem como afasia, ou seja, dificuldade em compreender ou falar partes da linguagem devido a uma lesão cerebral ou ao funcionamento do cérebro.

– Transtorno de processamento auditivo, ou seja, dificuldade em entender o significado dos sons que o ouvido envia ao cérebro.

Após o diagnóstico, o plano de tratamento provavelmente envolverá terapia da fala.

Se a criança tiver outras condições como autismo, o médico poderá recomendar outros tratamentos como a intervenção precoce.

Os exercícios de terapia da fala podem se concentrar na construção da familiaridade com certas palavras ou sons. Já os exercícios físicos se concentram no fortalecimento dos músculos que produzem os sons da fala.

Os distúrbios da fala podem afetar a autoestima de uma pessoa e sua qualidade de vida. No entanto, terapia da fala, exercícios respiratórios e, às vezes, medicamentos podem ajudar a melhorar a fala e reduzir os sintomas.

Leia também: O que é o autismo (TEA)?

Referências:

https://www.mayoclinic.org/healthy-lifestyle/infant-and-toddler-health/in-depth/language-development/art-20045163

https://www.cdc.gov/ncbddd/childdevelopment/language-disorders.html

Read More

Estratégias para auxiliar no processo de aprendizagem do autista

As atividades pedagógicas são fundamentais para o desenvolvimento e a socialização infantil das pessoas com TEA.

Isso porque os autistas apresentam dificuldades em áreas como da comunicação, comportamento social, motora, na interação social e na integração sensorial.

Algumas estratégias e atividades pedagógicas contribuem para que o processo de aprendizagem do autista seja eficaz e ele se torne mais sociável.

Na sala de aula, as atividades para crianças com autismo podem ajudá-las a aprender como expressar suas emoções, regular seus desafios sensoriais e interagir com outras crianças.

Lembrando que o plano de ensino e atividades voltadas para o autista devem ser individuais, uma vez que cada pessoa com o TEA é única e tem suas particularidades e limitações que devem ser respeitadas.

Embora a maioria dos educadores concorde que não existe uma receita para o ensino de nenhum aluno, há algumas diretrizes que podem ser úteis para apoiar alunos com o TEA.

Esses alunos com autismo podem ter necessidades únicas com aprendizado, habilidades sociais e comunicação.

Por isso, os professores precisarão de estratégias pedagógicas para abordar cada uma dessas áreas.

Alguns alunos com autismo sofrem com as mudanças nas rotinas e ficam desconfortáveis ​​mudando de ambiente.

Para eles lidar com essa situação causa estresse e desorientação.

Os professores podem minimizar o desconforto que os alunos sentem dando apoio, orientando os outros alunos e se manter disponível para o diálogo com a família e alunos.

Os autistas podem se sentir desconfortáveis ​​ou inseguros no ambiente educacional.

Por isso, é importante proporcionar um ambiente de aprendizagem apropriado como estratégia de ensino.

O que pode ser realizado na sala de aula

É importante usar estímulos visuais como cartões com imagens e símbolos durante as atividades.

Ou então, promover atividades sensoriais para facilitar a aprendizagem do autista.

Além disso, as atividades em grupo ajudam a ampliar a interação entre os colegas.

Uma criança com autismo pode não parecer interessada em interagir com colegas, pais e professores…

Mas é importante continuar ensinando as habilidades sociais.

Os professores devem se atentar para usar uma linguagem simples, sem metáforas, para que o aluno compreenda o conteúdo.

Outra ferramenta que pode ser aliada no aprendizado dos autistas é a tecnologia.

Usar aplicativos, softwares e outros programas virtuais são bastante eficazes, assim como:

Jogos interativos, vídeos, games e outros atrativos que contribuem para a educação das crianças autistas.

O ambiente físico de aprendizagem pode impactar crianças e jovens no espectro do autismo.

É importante reduzir o maior número possível de barreiras e preparar os alunos para um ambiente previsível e calmo.

Pode ser necessário realizar uma análise cuidadosa das necessidades individuais de aprendizagem.

E, dessa forma, entender a motivação dos alunos e realizar pausas para apoiar a criança na sala de aula.

Mesmo quando a linguagem direta é usada uma criança com TEA pode levar mais tempo para responder ou reagir imediatamente.

É importante que ele tenha tempo e o professor precisa ter paciência e explicar a atividade quantas vezes forem necessárias para que ele consiga absorver a informação.

Referências:

https://www.education.vic.gov.au/school/teachers/learningneeds/Pages/supportmaterials.aspx

https://www.iidc.indiana.edu/pages/Teaching-Tips-for-Children-and-Adults-with-Autism

Read More

Conheça mais sobre o Transtorno de Aprendizagem não verbal

Você já ouviu falar sobre o Transtorno de Aprendizagem não verbal (TANV)?

Trata-se de uma condição pouco conhecida e é uma alteração específica no funcionamento cerebral.

O TANV afeta o raciocínio matemático, a cognição visual e espacial, a coordenação motora, a percepção sensorial e as habilidades sociais.

As crianças com TANV apresentam um bom desenvolvimento da linguagem e vocabulário e, algumas vezes, desenvolvem a leitura precoce.

As causas ainda não foram esclarecidas, mas os cientistas acreditam que o TANV surja devido a uma alteração no hemisfério direito do cérebro.

Geralmente, apresentam uma capacidade intelectual dentro ou acima da média. E também costumam ter boa memória.

Ocorre tanto em meninas quanto meninos na mesma frequência. E é mais comum quando há histórico familiar com o mesmo transtorno.

O diagnóstico pode demorar a acontecer, já que pode ser confundida com autismo ou hiperatividade. Por isso, é importante ficar atento aos sinais.

Sinais e sintomas

Uma criança com o TANV pode ter problemas nos campos acadêmicos, dificuldades motoras, sociais, visuais espaciais, mas eles não precisam ter dificuldades em todas essas áreas para cumprir os critérios diagnósticos do transtorno. 

O fato de terem dificuldades de aprendizagem é um desafio para os educadores e profissionais da saúde. Apesar de se comunicar bem e não ter atraso intelectual, as crianças com TANV são descritas como desajeitadas ou descoordenadas.

Podem sentir dificuldades para andar de bicicleta, amarrar cadarços, desenhar e praticar esportes, por exemplo.

Demonstram dificuldades na memorização de tabuadas, bem como realização de operações aritméticas mais complexas.

No relacionamento interpessoal, crianças com esse transtorno podem ser vistas como ingênuas, apresentando dificuldades para compreender os aspectos implícitos na interação social e na linguagem.

Normalmente, as pessoas com transtorno de aprendizagem não verbal mostram:

  • Excelente memória para aquilo que olham;
  • Boa capacidade de leitura;
  • Excelente expressão verbal e raciocínio verbal;
  • Dificuldade para escrever;
  • Problemas espaciais, de direção, estimativa de tamanho, forma, distância;
  • Problemas para ler expressões faciais;
  • Déficits de percepção tátil, geralmente no lado esquerdo do corpo;
  • Dificuldades de coordenação;
  • Problemas com organização visual-espacial;
  • Dificuldade de adaptação a situações novas e complexas;
  • Dificuldade de interação social;
  • Dificuldade de matemática;
  • Desatenção e hiperatividade no início da infância.

Diagnóstico e intervenções indicadas

O diagnóstico do TANV ocorre após uma avaliação criteriosa que deve ser feita por diferentes especialistas.

São realizados diversos testes neuropsicológicos com o objetivo de compreender como funciona o desempenho escolar, as habilidades motoras, o processamento visual-espacial, aritmética e o funcionamento psicossocial.

Os comportamentos, históricos genéticos, da gestação, acadêmico e as características de relacionamentos sociais também são observados pelos especialistas.

Os especialistas avaliam o desenvolvimento da fala e da linguagem, QI verbal, QI de desempenho e desenvolvimento motor.

As crianças podem ser diagnosticadas com cinco anos de idade ou até menos, embora muitas vezes não se manifeste até que as dificuldades escolares apareçam.

O diagnóstico precoce é altamente recomendado porque a intervenção precoce pode ajudar no aprendizado e apoiar a autoestima da criança no processo.

Em relação ao tratamento, o mais indicado é que a intervenção seja realizada por uma equipe interdisciplinar, englobando os aspectos psicológicos, pedagógicos e fonoaudiológicos.

A TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental) é indicada, ou mesmo outras terapias que permitam o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento e de habilidades sociais.

Além disso, psicólogos ajudam nas questões emocionais como autoestima e ansiedade.

A terapia ocupacional ajuda as crianças com o Transtorno a melhorar suas habilidades motoras finas e sociais.

Referências:

https://nvld.org/non-verbal-learning-disability

https://www.additudemag.com/what-is-nonverbal-learning-disorder-symptoms-and-diagnosis

https://www.psychologytoday.com/us/conditions/nonverbal-learning-disorder

Read More

Cognição social e o autismo

A cognição social pode ser definida como a capacidade de formar representações das relações entre si e os outros. E usá-las de forma flexível, para que ocorram comportamentos apropriados de acordo com a circunstância social que a pessoa está inserida.

Portanto, a maneira como pensamos sobre os outros desempenha um papel importante em como pensamos, sentimos e interagimos com o mundo ao redor.

A cognição social ocorre devido ao processamento mental da informação, que permite estabelecer esse relacionamento interpessoal a partir do reconhecimento, da interpretação e da ação dos indivíduos em interação com outros.

Portanto, seu funcionamento requer que sistemas neurais especializados avaliem os sinais sociais do ambiente.

A cognição social engloba diferentes processos neurobiológicos que funcionam de maneira integrada.

Com isso, ela pode ser dividida em:

  • Percepção das emoções: a capacidade de reconhecer sentimentos a partir das expressões faciais e gestos;
  • Percepção social: decodificar, interpretar e compreender o contexto social que se está inserido;
  • Teoria da mente: compreensão das intenções ou crenças dos outros e de si mesmo e perceber que os indivíduos pensam e sentem de forma diferente da nossa;
  • Estilo de atribuição: conseguir identificar as causas sobre o acontecimento ou comportamento do outro.

O autismo e a cognição social

A cognição social está presente em todas as fases das pessoas e se desenvolve ainda na primeira infância. Mas, no caso de indivíduos com autismo ou algum transtorno do neurodesenvolvimento, desenvolver a cognição social pode ser mais complicado.

Quem tem autismo apresenta dificuldade de identificar as expressões faciais das emoções, ou seja, reconhecer quando uma pessoa está alegre, com medo ou triste. E também tem dificuldade de fazer contato visual. Além de terem dificuldade de sentir empatia e se colocar no lugar do outro.

Por isso, a intervenção precoce em autistas é fundamental para encontrar diferentes estratégias para lidar melhor com as dificuldades e melhorar desde cedo as relações interpessoais.

Como trabalhar a cognição social do autista?

Trabalhar a cognição social é fundamental para melhorar as relações dos autistas em diferentes contextos. Algumas intervenções precoces vão estimular habilidades sociais, ou seja, regras e/ou costumes que orientam nossas relações interpessoais.

Por isso, o autista será estimulado a olhar nos olhos, compartilhar objetos, entender o momento de falar e de escutar em uma conversa, além de aprender a gerenciar as próprias emoções e como os outros se sentem.

Há diversas estratégias que podem ser eficazes, mas, elas devem ser avaliadas de acordo com o repertório do autista.

Entre as atividades que podem ser úteis para estimular a cognição social do autista podemos citar:

  • Contar histórias: as histórias podem mostrar e incentivar a realizar os comportamentos adequados, além de estimular a criatividade.
  • Uso de situações do dia a dia: representar algumas situações do cotidiano pode ajudar o autista a entender como funcionam os diálogos e as relações.
  • Fotos e imagens: pode ser uma alternativa para que o autista reconheça emoções e a entender o que causou aquele sentimento.
  • Brincadeiras em grupo: o autista pode brincar com os colegas de classe e entender como funcionam as regras sociais – apertar a mão, olhar nos olhos, escutar, saber a hora de falar e compartilhar brinquedos.
  • Vídeos e jogos: usar a tecnologia como vídeos ou videogame para ajudar a compreender linguagem corporal e comunicação de forma geral.

Saiba mais: Neuroplasticidade cerebral

Referências

https://link.springer.com/article/10.1007/s10803-019-04001-4

https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0001691819303786

https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/aur.2195

Read More