Preparando o autista para ingressar na universidade

A universidade pode ser um desafio para os estudantes universitários, especialmente para os autistas que podem apresentar dificuldades de adaptação e mudanças na rotina e também com a nova realidade.

Mas, com planejamento e o suporte adequado, os jovens conseguem realizar a graduação e aumentar a possibilidade de ter uma carreira de sucesso.

De acordo com o Censo de Educação Superior (Inep), entre os mais de 8 milhões de alunos matriculados em universidades brasileiras, 488 possuem o Transtorno do Espectro  do Autismo (TEA). Sendo que 212 estão em instituições de ensino públicas e 276 em privadas.

Para realizar esse sonho, os autistas precisam contar com o apoio dos pais, professores e instituições de ensino. Como as pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) aprendem de forma diferente, é importante que os materiais didáticos e de apoio escolar sejam adaptados de acordo com a necessidade do aluno.

É importante que a escola realize uma avaliação no aluno para saber quais são suas dificuldades. Além disso, precisa saber quais os conteúdos esses alunos não conseguem absorver e o que precisam aprender para ter sucesso nas provas dos vestibulares.

 Nessa fase, será avaliada a necessidade de manter o currículo da turma ou se o aluno precisará de conteúdos individualizados dentro de materiais didáticos específicos para melhorar seu desempenho. Depois, a equipe pedagógica, caso seja necessário, vai elaborar a produção do material didático adaptado, de acordo com as necessidades do aluno autista.

Além do material didático, o jovem autista que prestará o vestibular precisa ter o seu tempo de aprendizado respeitado. Os professores e coordenadores das escolas precisam se atentar para as atividades propostas e se o desempenho do aluno está sendo satisfatório. Se não estiver, é importante realizar mudanças no currículo escolar, modificar as instruções de atividades, alterar o formato das aulas, explorar novos ambientes, entre outras estratégias.

Como contribuir para essa transição do autista

O ensino médio é o momento em que os alunos são preparados para o vestibular e desenvolvem mais habilidades. Os pais também precisam se esforçar para ajudá-los a serem mais independentes e incentivar o jovem a se socializar.

Isso é bastante importante dentro das universidades, principalmente para trabalhar em projetos em grupos. Sabe-se que para quem tem o TEA o ambiente de uma sala de aula pode ser bastante difícil, pois há muitas pessoas em um local fechado se comunicando o tempo todo e com muitos estímulos sonoros.

Acompanhar como o autista está se adaptando a essas mudanças de rotina e ambiente é fundamental.

O autista tem dificuldade de interpretar a linguagem corporal, em manter relacionamento interpessoal e de interagir socialmente.

Os pais devem procurar ajuda profissional para evitar sofrimento, ansiedade e problemas emocionais nesse período.

Se for necessário, o autista precisa ter apoio de terapeutas, neurologistas, psicopedagogos e coordenadores do curso da faculdade para que o jovem não desista desse sonho e consiga concluir a graduação.

A escolha da universidade também é fundamental. Ela precisa oferecer profissionais de apoio, contribuir com as adaptações como flexibilização de conteúdo e até mesmo disponibilizar provas em formatos acessíveis para as necessidades específicas do aluno com autismo.

É bastante importante que os pais dos alunos conheçam o local de estudo e também levem o jovem antes dele iniciar as aulas, mostrar as salas de aulas, a biblioteca, salas de estudos, lanchonete e perceber como o autista reage e principalmente se ele fica à vontade naquele local.

Referências:

https://www.education.vic.gov.au/school/teachers/learningneeds/Pages/supportmaterials.aspx

http://portal.inep.gov.br/censo-da-educacao-superior

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Autismo e o mercado de trabalho

Ter um emprego é fundamental para que a pessoa consiga ser independente, tenha autonomia e liberdade para realizar seus sonhos e alcançar seus objetivos pessoais. Com as pessoas autistas não é diferente. Mas, encontrar um trabalho pode ser um desafio.

Mesmo que eles desenvolvam as suas potencialidades desde cedo, ainda há muita falta de informação e preconceito que podem barrar as chances de um autista conseguir um emprego e se manter no mercado de trabalho.

Para conseguir um emprego, um adulto com autismo provavelmente passará por mais obstáculos, testes e avaliações do que as pessoas neurotípicas. Além disso, os sinais do autismo podem se tornar um empecilho em muitas situações relacionadas ao trabalho.

Alguns adultos autistas sabem exatamente o que querem fazer, qual área de atuação gostariam de atuar, enquanto outros não têm ideia de qual trabalho desejam conquistar. Mas, assim como todas as outras pessoas, eles têm o direito de fazer escolhas e dirigir suas próprias vidas.

Mesmo que uma pessoa tenha habilidades verbais limitadas, é importante saber que o trabalho que está fazendo atende a seus interesses, habilidades e objetivos de vida.

Por isso, desde cedo, o autista precisa ter um acompanhamento para desenvolver suas habilidades e conseguir ser independente.

Entre as dificuldades encontradas no mercado de trabalho para os autistas, destacam-se: a ansiedade, desafios sensoriais, inflexibilidade na alteração da rotina, dificuldade em lidar com críticas, não conseguir interagir com os colegas e não conseguir se comunicar de forma efetiva.

No Brasil, não há pesquisas que falem sobre a quantidade de autistas no mercado de trabalho. Desde 2007, após a publicação da Convenção de Direitos das Pessoas com Deficiências, foi reconhecida a necessidade de “estímulo à inserção da pessoa com TEA no mercado de trabalho”.

Mas ainda não tem políticas públicas que tratem do assunto e reforcem a necessidade de ter um incentivo de contratação de pessoas com o TEA.

Dificuldades encontradas no ambiente de trabalho

Além disso, os autistas podem encontrar dificuldades dentro do ambiente de trabalho. É bastante comum que as pessoas com o TEA sofram discriminação dos colegas e de alguns empregadores. 

A satisfação e a produtividade do profissional com autismo dependem da adaptação de condições ambientais no trabalho – como a intensidade dos ruídos – e do suporte dos colegas de profissão. Mas, nem sempre os autistas encontram esse apoio.

Outra questão importante é sobre a remuneração. Os salários dos autistas, em média, costumam ser menores do que a de trabalhadores neurotípicos, a quantidade de horas trabalhadas é menor e não há panorama de crescimento profissional.

Há também falta de preparo vocacional para os autistas na adolescência. São poucos os autistas que conseguem ter conhecimento da área que desejam atuar e muitos ficam perdidos quando precisam optar por uma área de atuação.

Mas, a boa notícia é que muitas grandes empresas começaram a ver o valor da contratação de funcionários com o espectro do autismo.

Algumas vantagens que as empresas observam em empregados com autismo:

  • As pessoas com autismo têm facilidade em trabalhar com atividades rotineiras e processos padronizados, além de serem avessos ao descumprimento de normas estabelecidas no ambiente de trabalho; 
  • Se atrasam menos e são mais focados nas atividades;
  • Possuem alta capacidade de memorizar dados e processos relativos à sua atividade laboral;
  • Gostam de manter o ambiente de trabalho limpo e organizado;
  • São profissionais que se motivam com facilidade em relação às tarefas propostas e são capazes de ir além para buscar informações para completá-las;
  • Pensam de forma diferente e podem dar respostas que fujam do pensamento convencional;
  • Podem apresentar habilidades e conhecimento aprofundado em determinadas áreas.

Para quem tem o TEA, trabalhar ajuda na melhoria do desempenho cognitivo e garante maior qualidade de vida para o autista e sua família, além de melhorar suas condições financeiras. Por isso, o autista precisa desde cedo receber apoio para conseguir ingressar em um local de trabalho que o respeite e o ajude a ser autônomo e para que ele tenha todas as condições para contribuir com o crescimento da empresa.

Referências:

O processo e inclusão de autistas no mercado de trabalho, disponível em:

http://periodicos.pucminas.br/index.php/economiaegestao/article/view/15660/13069

https://www.verywellhealth.com/things-you-need-to-know-about-autism-and-employment-4159850

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Intervenção precoce no autismo

Você já ouviu falar da intervenção precoce? Entende-se por intervenção precoce a estimulação terapêutica que ocorre de forma direcionada e é realizada por profissionais especializados, logo que se detectam os sinais do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Modelo Denver de Intervenção Precoce

Entre eles, destaca-se o Modelo Denver de Intervenção Precoce que utiliza os princípios da Analise do comportamento Aplicada e que contribui para o desenvolvimento de crianças diagnosticadas com TEA.

Esse modelo tem o objetivo de desenvolver e aprimorar as habilidades sociais e da linguagem das crianças de forma lúdica.

Por isso, o modelo faz com que as crianças encontrem ferramentas para explorar e desfrutar o mundo de forma mais eficiente por meio de brincadeiras. É uma forma de estimular a capacidade de aprendizagem.

O modelo Denver foi comprovadamente eficaz com crianças de até 05 anos de idade e foi desenvolvido após 20 anos de estudo e pesquisa.  

Por meio desse modelo, a criança desenvolve as habilidades de comunicação, ganha competências sociais, aumenta o desenvolvimento cognitivo, as habilidades motoras e melhora os comportamentos.

Quanto mais cedo ocorrer a intervenção, maiores serão os benefícios para as crianças com autismo.

Quando a intervenção é iniciada logo nos primeiros anos de vida ou pouco tempo após ser feito o diagnóstico, os ganhos ao nível do desenvolvimento são maiores e a probabilidade de manifestarem outros problemas é menor. Isso porque aumenta o potencial de desenvolvimento da criança.

Plasticidade cerebral

Além disso, como o cérebro das crianças ainda está em processo de amadurecimento, há maiores ganhos terapêuticos e ocorre melhora significativa no quadro geral da criança.

Por isso, ao se intervir o mais cedo possível, maiores serão as chances de melhora na linguagem, na adequação dos comportamentos e do desenvolvimento de habilidades sociais.

É necessário que essa estimulação seja feita e acompanhada por especialistas, a fim de detectar e prevenir esses atrasos.

A intervenção precoce exige um atendimento multidisciplinar, ou seja, que incluam se profissionais de várias áreas como fisioterapeutas, psicólogos, médicos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, entre outros especialistas. 

A intervenção precoce é fundamental para o sucesso na comunicação, socialização, coordenação motora e outros aspectos do crescimento das crianças com autismo.  Diversas pesquisas demonstraram que a aprendizagem e desenvolvimento da criança ocorrem mais rapidamente na idade pré-escolar.

Por isso, a intervenção precoce ajuda que as crianças com autismo não percam a oportunidade de se desenvolver e de aprender, assim como as demais crianças. 

Por exemplo, problemas de comunicação são sintomas comuns que podem causar acessos de raiva e outros comportamentos. Se as crianças não conseguem comunicar as suas necessidades ou entender os outros, elas se expressam ou chamam a atenção com um comportamento inadequado.

Com a intervenção precoce, eles aprendem a se comunicar efetivamente o mais cedo possível, o que melhora alguns comportamentos desde cedo.

Um bom programa de intervenção precoce avalia os aspectos relevantes do ambiente, estimula as interações sociais, incluindo brincadeiras apropriadas para a idade e estimulam as atividades do dia a dia.

Vale lembrar que o envolvimento e participação dos pais são muito importantes porque é no ambiente domiciliar que a criança passa a maior parte do tempo e recebe muitos estímulos.

Para ter sucesso, a intervenção precoce precisa ser individualizada, ou seja, ser elaborada de acordo com a necessidade de cada criança, pois cada um responde de maneira diferente às intervenções, por isso, não há um modelo de programa único que será adequado para todas as crianças.

O plano de intervenção precoce também precisa ter um objetivo específico, identificar os comportamentos que precisam ser melhorados e trabalhados em cada caso. Além de incluir estratégias para ajudar a criança a aprender novas habilidades e a usá-las em diferentes contextos.

Para ter os resultados esperados, os profissionais devem fazer uma avaliação regular sobre o desenvolvimento da criança e avaliar a progressão do desenvolvimento.

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Epilepsia: uma comorbidade comum em pessoas com autismo

A Epilepsia é uma comorbidade bastante comum em pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Lembrando que comorbidade é quando duas condições aparecem ao mesmo tempo na mesma pessoa.

Mas antes de explicar a relação com o TEA, é importante entender o que é epilepsia. Epilepsia é uma alteração temporária e reversível do funcionamento do córtex do cérebro.

Sabe-se que os neurônios disparam um monte de descargas elétricas que resultam em perda de consciência súbita e movimentos involuntários.

A crise epiléptica pode ter ou não manifestação motora. A crise convulsiva é um tipo de crise epiléptica com manifestação motora e é conhecida também como ataque epiléptico. Durante essa crise, a pessoa pode cair e apresentar contrações musculares, morder a língua e em alguns casos até urinar.

E também há crises sem manifestação motora que são chamadas de crises de ausência em que a pessoa se desliga do mundo, fica com o olhar fixo e perde contato com o mundo por alguns segundos.

As causas podem variar desde uma lesão cerebral, abuso de bebidas alcoólicas, de drogas ou problemas no parto. Mas, algumas vezes, a origem da epilepsia é desconhecida.

Mas, vamos lá… qual é a relação do autismo com a epilepsia?

O primeiro ponto que temos que destacar é que ambas as condições compreendem um transtorno que tem conexão com o cérebro. A epilepsia é o quarto transtorno neurológico mais comum e afeta pessoas de todas as idades.

Pesquisas apontaram diversas mutações genéticas que têm relação com autismo e epilepsia. Sabe-se que tanto a epilepsia quanto o autismo envolvem uma sincronia anormal de sistemas no cérebro ligados às sinapses, que são as conexões entre os neurônios.

Em outras palavras, a epilepsia resulta de um funcionamento inadequado do cérebro. O autismo também ocorre devido a um problema no cérebro. As condições afetam diferentes estruturas e funções cerebrais. E algumas das alterações cerebrais associadas ao autismo também causam essas convulsões.

Todos os tipos de convulsões foram observados em pessoas com autismo. E ela pode ser considerada a complicação neurológica muito comum em quem tem TEA. Estima-se que quase um terço das pessoas com autismo pode apresentar epilepsia.

E de acordo com pesquisas, até 32% das pessoas com epilepsia também atendem aos critérios de diagnóstico do autismo. Além disso, cerca de 20 a 30% das crianças com autismo desenvolvem epilepsia antes de se tornarem adultas. O aparecimento da epilepsia é considerado mais frequente em crianças menores de 5 anos de idade e adolescentes.

Algumas pesquisas descobriram que a atividade elétrica no cérebro de pessoas com autismo exibe descargas do tipo epilepsia com mais frequência do que em pessoas que não são autistas.

Muitas pesquisas estão sendo realizadas no momento sobre o assunto para entender melhor qual é a ligação entre as duas condições. As crianças e adultos com as duas condições costumam ter os sintomas de autismo mais severos, são hiperativos e possuem um quociente de inteligência mais baixo em comparação com aqueles que não têm epilepsia.

O diagnóstico de epilepsia em quem tem autismo pode ser desafiador. Isso porque as pessoas com autismo têm dificuldade em reconhecer e comunicar seus sintomas.

Sinais da Epilepsia

Os pais e médicos que cuidam do autista devem ficar atentos a alguns sinais como:

  • mudança de olhar que ocorre de forma inexplicável
  • movimentos involuntários
  • confusão sem causa aparente
  • dores de cabeça severas
  • sonolência e perturbações do sono
  • mudanças de habilidades ou emoções sem qualquer motivo
  • estiramento nos músculos
  • irritabilidade ou agressividade

É importante buscar ajuda profissional para ter o diagnóstico correto, pois o aparecimento de epilepsia em quem tem TEA pode comprometer suas habilidades de linguagem e comunicação, o raciocínio e alterar os comportamentos. Essa perda de habilidades é chamada de regressão.

Mas, o que pode ser feito? Geralmente, a pessoa com autismo e epilepsia após ter o diagnóstico começa a se tratar com medicamentos para evitar as crises de epilepsia. É muito importante que seja realizado o acompanhamento com um neurologista para determinar quais tratamentos ou terapêuticas são indicadas para cada caso.

Lembrando também que nem todas as pessoas com autismo terão epilepsia. O assunto precisa ser discutido com os profissionais de saúde e os pais e autistas precisam entender as probabilidades de terem essa comorbidade para saber lidar com os sintomas, caso a epilepsia apareça.

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Uso de PECS para ajudar na comunicação funcional

Você conhece o PECS? Do inglês “Picture Exchange Communication System” (Sistema de Comunicação por Troca de Figuras, trata se de utilizar recursos visuais como ferramenta para quem tem o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) poder se comunicar.

Seja para fazer um pedido, compartilhar um sentimento ou pensamento ou o que se deseje expressar, por meio do uso de imagens simples é possível estabelecer um diálogo estabelecido por uma criança ou adulto no espectro.

Essa prática foi criada em 1984, sendo aplicada pela primeira vez num programa voltado ao TEA nos Estados Unidos, com o objetivo de possibilitar um meio de as crianças se comunicarem de maneira funcional, rápida e autônoma e, também, contribuir com o desenvolvimento da fala.

O PECS possui seis fases que tem como finalidade ensinar o propósito da comunicação.

A primeira fase consiste em aprender, por meio da troca de fotos individuais de itens como objetos, pessoas, animais etc., como manifestar o querem dizer espontaneamente.

Depois, na segunda etapa, ainda com o uso de imagens únicas, o autista é estimulado a expandir os ensinamentos adquiridos no primeiro passo e aplicar o uso das imagens em diferentes contextos, com mais pessoas e distantes do cotidiano ao qual já estavam acostumados a dialogar. A ideia é desenvolver a persistência.

Em um terceiro momento, a criança irá aprender a escolher entre uma galeria de imagens pessoal (pode ser armazenada em um fichário, por exemplo) a figura (ou as figuras) que melhor definem o que ela quer falar, para que, no momento que deseje se expressar, ela possa fazê-lo com autonomia.

A criança com autismo aprende a escolher entre duas ou mais fotos para pedir suas coisas favoritas. Estes são colocados em um livro de comunicação, um fichário com tiras de velcro onde as imagens são armazenadas e facilmente removidas para comunicação. Esse seria um quarto passo.

Com o tempo, no que seria um quinto passo, a criança aprende a construir sentenças simples, por meio do uso da figura que representa “eu quero”, seguido de outra que revele o item/coisa/atividade pretendido.

Mais à frente, numa sexta etapa, o PECS possibilita ainda a criança responder às perguntas feitas a ela como “o que você quer?”, “o que é isso”? etc.

Assim eles aprendem a interagir e formular frases que comecem com “eu quero”, “isso é”, “eu ouço”, “eu sinto”. Trata-se de um prelúdio para integrar a criança no convívio social por meio do aperfeiçoamento de sua habilidade de comunicação, sobretudo, entre crianças não verbais.

Para mais informações sobre esse sistema de estímulos de comunicação funcional alternativo é importante conversar com a equipe multiprofissional que acompanha a evolução da criança ou adulto com TEA.

Referências:

National Autism Resources. The Picture Exchange Communication System (PECS). Disponível em https://www.nationalautismresources.com/the-picture-exchange-communication-system-pecs/Acessado em 19 de abril de 2018.

Jennifer B., Ganz E, Rea Hong, Fara D. Goodwyn. Effectiveness of the PECS Phase III app and choice between the app and traditional PECS among preschoolers with ASD. Disponível em  https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1750946713000640Acessado em 19 de abril de 2018.

Indiana Resource Center for Autism. Successfully Using PECS with Children with ASD. Indiana University Bloomington. Disponível em https://www.iidc.indiana.edu/pages/Successfully-Using-PECSAcessado em 19 de abril de 2018.

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Entendendo o autismo

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento que impacta no desenvolvimento da pessoa e na forma como ela percebe o mundo.

Por isso, muda também a forma como ela interage com as pessoas que fazem parte da sua vida. As causas do autismo ainda não foram totalmente definidas, mas sabemos que tem questões genéticas na maior parte dos casos (mais de 90% do casos) e questões ambientais envolvidas.

Os casos de autismo são mais comuns do que se pode imaginar e o autismo está presente em todos os grupos raciais, étnicos e sociais. 

No Brasil estimamos que há cerca de 2-4 milhões de pessoas com autismo (cerca de 1 à 2% da população). Infelizmente, muitos deles ainda demoram a ter um diagnóstico correto ou não possuem condições de ter uma vida com qualidade.

Diagnóstico do autismo

De acordo com o DSM-5 para a pessoa ser diagnosticada com autismo, ela deve apresentar dificuldades de interação social, na comunicação e alterações no comportamento apresentando comportamentos restritos e repetitivos.

Quem tem autismo pode apresentar comportamentos bastante específicos que variam de acordo com o grau do transtorno, que pode ser leve (nível 1), moderado (nível 2) ou grave (nível 3).

Quem possui o Transtorno tem um comprometimento da interação social, da comunicação verbal e não verbal (falas e gestos) e comportamentos repetitivos e estereotipados, que podem variar de intensidade. Alguns podem balançar as mãos, o corpo, ficar irritados com sons e apresentar resistência a mudanças, ficando bastante irritados.

Identificar os sinais e sintomas do autismo é fundamental!

Geralmente com 18 meses, o diagnóstico pode ser realizado com uma entrevista com os pais e avaliação dos comportamentos por uma equipe multidisciplinar de médicos e especialistas da área da saúde, mas antes dos 18 meses já é possível observar os sinais do autismo.

Muitos pais notam comportamentos incomuns, como a dificuldade para fazer contato visual, não responder ao nome ou brincar com os brinquedos de forma incomum e de forma repetitiva.

Cada pessoa com autismo é única e precisa ter um suporte individual, de acordo com as suas necessidades. Uma pessoa com autismo deve ser estimulada a desenvolver o máximo do seu potencial intelectual, psicológico e cognitivo para ter uma vida digna e independência para realizar suas atividades.

Notou algo diferente no seu filho em relação à habilidade motora, dificuldade de se comunicar, dificuldades na interação social, presença de movimentos repetitivos e estereotipados com frequência?

Não deixe de conversar com seu pediatra. Quanto antes o autismo for identificado e a intervenção precoce iniciada maiores são as chances de evolução do desenvolvimento, autonomia e independência do autista.

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Seletividade alimentar no autismo: como vencer barreiras

É comum muitos pais e cuidadores de crianças no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) relatarem que encontram dificuldades com a alimentação por conta da seletividade alimentar dos autistas.

A seletividade alimentar pode tornar o ato de comer desafiador. Estima-se que uma média de 70% das crianças no espectro do autismo apresentem algum tipo de problema ou seletividade alimentar, que pode permanecer inclusive na adolescência e na vida adulta.

Mas, como vencer essas barreiras da seletividade – que incluem limitações sensoriais como gostos, cheiros, texturas (alimentos macios e escorregadios costumam ser recusados), cores e conseguir promover o acesso a uma diversidade nutricional?

Se a criança estiver no processo de introdução alimentar, procure proporcionar a ela uma experiência rica do ponto de vista da qualidade nutricional da comida.

Nesse período de descobertas é um bom momento de explorar esse amplo universo de frutas, verduras, legumes, carnes e tudo o mais. Assim, pode ser possível ampliar o leque de opções daquelas comidas que a criança aceita, em detrimento daquelas que ela tenha alguma aversão.

Uma das maneiras de estimular a criança a interagir com os alimentos é integrá-la na escolha, desde a compra de uma fruta, legume, verdura (ou o que for) e convidá-la a acompanhar e/ou participar do preparo. Muitas vezes pode ser que ele ainda assim se recuse a comer em um primeiro momento.

Já para lidar com a ansiedade que pode surgir frente a um novo alimento, procure introduzi-lo gradativamente.

Por isso, procure manter a oferta outras vezes. O que hoje pode não ser aceito, amanhã pode funcionar. Assim como ocorre com uma criança neurotípica (fora do espectro) o processo de familiarização com a elaboração da refeição pode ajudar a alcançar uma dieta mais rica em termos nutricionais.

Procure também deixar que a criança escolha um alimento do qual goste para incluir com mais frequência junto aos outros não tão “bem quistos”.

Quanto à textura, vale oferecer o alimento de diferentes maneiras possíveis. Em pedaços, amassado, triturado, batido. Deixar pegar com as mãos, levar à boca com a colher.

Idealmente deve se respeitar o tempo da criança e a vontade de comer. Isso contribuirá com o êxito desse processo.

Lembre-se de observar elementos como a luz que ilumina a mesa, barulhos externos, o prato. Tudo ao redor pode contribuir para “roubar” a atenção da criança no espectro e dificultar a refeição. Reduzir esses estímulos do ambiente é uma medida importante.

Compreender se há alguma intolerância ou alergia a determinado alimento também é indicado. Às vezes as recusas podem se dar por esses fatores. Essa investigação deve ser feita por um especialista médico e/ou nutricionista.

Evite elaborar por conta própria dietas restritivas e alternativas. O acompanhamento de um nutricionista é essencial para que haja o melhor aproveitamento dos alimentos, em favor do desenvolvimento infantil.

Em se tratando de desenvolver habilidades alimentares na criança no TEA, tenha sempre em mente que quanto mais forem geradas oportunidades de descobrir os alimentos, mais se ampliará o acesso às fontes nutricionais necessárias para a saúde física e mental.

Para evitar uma dieta nutricionalmente defasada, evite alimentos ultraprocessados, salgadinhos de pacote, refrigerantes e outros produtos que possam tomar o lugar de comida que seja fonte de nutrientes essenciais como cálcio, ferro, proteína e tantos outros.

Outro ponto fundamental é levar em conta que os pais são exemplos. Saiba que sua postura frente aos alimentos influência também. Se você espera que seu filho esteja mais disponível a provar comidas saudáveis e nutritivas, comece as colocando em seu prato.

Sempre que possível, faça parte integrativa das refeições – tanto no que cabe a sua presença, quanto naquilo que irá comer.

Fazer parte das refeições pode contribuir ainda mais para romper as barreiras da seletividade alimentar ocasionada pelas limitações comuns ao transtorno.

Referências:
Autism Speaks. Encouraging picky eaters autism try new foods. Disponível em <https://www.autismspeaks.org/blog/2012/11/09/encouraging-picky-eaters-autism-try-new-foods>

Karen Ansel. Autism Spectrum Disorders (ASD) and Diet. Eating Right. Disponível em https://www.eatright.org/health/diseases-and-conditions/autism/nutrition-for-your-child-with-autism-spectrum-disorder-asd Acessado em 15 de março de 2018.

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Birra x Crise como diferenciar

Birra x Crise no TEA: como diferenciar?

Você sabe diferenciar birra de uma crise na criança com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)?

Realmente, ambas as circunstâncias podem parecer em primeira instância muito similares. Por isso, compreender essas situações é um importante passo para saber como conduzir a criança e, assim, fazer o manejo mais adequado em resposta a cada uma delas.

Em linhas gerais, a chamada “birra” é comportamental e consiste numa explosão desencadeada por uma frustração. Já a crise é um colapso decorrente de uma sobrecarga sensorial.

Vamos entender melhor cada uma delas:

A birra é um recurso que a criança utiliza para chamar a atenção ou para conseguir alguma coisa que deseja de seus pais ou cuidadores (sejam eles da família ou não – como professores na escola, por exemplo). Costuma ocorrer quando é negado a ela. Portanto, trata-se de uma espécie de “estratégia” para que uma situação se reverta em favor dela.

Chorar, se debater no chão, gritar são alguns desses mecanismos característicos da birra. Outro aspecto comum da birra é que geralmente ela persistirá se a criança ganhar atenção pelo seu comportamento, mas diminuirá quando ignorado. Quando a birra ocorre e os pais “cedem” às explosões das crianças, elas podem repetir o comportamento na próxima vez em que lhes for negado o que querem.

Para tentar resolver a situação, procure demonstrar empatia pela suposta necessidade da criança, sem ceder à sua decisão (caso ela seja uma resposta negativa ao desejo que foi manifestado). É possível prevenir a birra e evitar que desencadeie um quadro de irritabilidade (ou mesmo de uma crise) lançando mão de ações como aquelas baseadas no método conhecido como Análise Comportamental Aplicada (ABA).

Já a crise no TEA, também conhecida como “colapso”, costuma ocorrer quando a criança com TEA é exposta a estímulos sensoriais com os quais ela não consegue lidar. Pode ser desde um ruído, até luzes, vozes ou mesmo uma mudança na rotina a qual ela esteja habituada.

O colapso é uma tentativa desencadeada pelo organismo da criança com o objetivo de reestabelecer o equilíbrio, estabilizando as emoções.

O que fazer nesse caso?

Diferentemente da birra, a crise tende a cessar após um desgaste emocional – o que nem sempre é a melhor resposta, dado a exaustão que pode ser gerada na criança.

O ideal para acalmar a criança é afastá-la da fonte de estímulos e/ou propor atividades das quais ela goste. São atitudes que poderão redirecionar o foco dela tirando-a da crise.

Um dos recursos que podem auxiliar a acalmar a criança é identificar os gatilhos que precedem uma crise. Essa estratégia pode ajudar a evitar o episódio ou a manejá-lo de uma melhor maneira.

Procure ficar atento. Mapeie os sinais e compartilhe suas percepções com a equipe multiprofissional que acompanha a criança para que juntos possam encontrar os recursos ideais para gerir cada uma delas, seja uma birra, seja uma crise.

Também pode ser bem-vindo conversar com a criança, caso haja essa possibilidade. Ouvi-la e compreender o que está gerando determinada ansiedade pode ser um caminho positivo para que encontrem uma solução. Às vezes, o que ela precisa é de um abraço, um carinho ou mesmo, que brinquem com ela.

Lembre-se: procure sempre oferecer ao autista uma atmosfera de segurança e tranquilidade, para que ele consiga se sentir reconfortado e regule seus sentidos e emoções.

Referências:

Bennie, Maureen. Tantrum vs Autistic Meltdown: What Is The Difference? Autism Awareness Centre. Disponível em https://autismawarenesscentre.com/what-is-the-difference-between-a-tantrum-and-an-autistic-meltdown/ Acessado em 23 de fevereiro de 2018.

Morin, Amanda. The Difference Between Tantrums and Sensory Meltdowns. Understood.org. Disponível em https://www.understood.org/en/learning-attention-issues/child-learning-disabilities/sensory-processing-issues/the-difference-between-tantrums-and-sensory-meltdowns Acessado em 22 de fevereiro de 2018.

Wise, Rachel. How to Handle Temper Tantrums (Home & School). Education and Behavior. Disponível em http://www.educationandbehavior.com/how-to-handle-a-temper-tantrum/ Acessado em 24 de fevereiro de 2018.

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