O papel do psicólogo no autismo

O papel do psicólogo no autismo

Os psicólogos podem desempenhar um papel importante no diagnóstico de TEA e ajudar as pessoas a lidar e a gerenciar os desafios associados ao autismo.

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é uma condição que afeta o desenvolvimento neurológico e causa dificuldades de interação social, no comportamento e na comunicação.

Além disso, o psicólogo pode usar algumas abordagens terapêuticas desenvolvidas para tratar crianças com o TEA.

Vamos detalhar as principais e como esses especialistas são fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos autistas.

 

Análise do Comportamento Aplicada (ABA)

A terapia ABA é uma terapia que usa técnicas de ensino baseadas em evidências para aumentar comportamentos adequados e reduzir aqueles que podem ser prejudiciais ou interferem no aprendizado.

Ela é bastante eficaz para melhorar as habilidades de comunicação e sociais.

É uma intervenção considerada bastante eficiente, pois ajuda no aperfeiçoamento de habilidades básicas e complexas, como:

  • olhar;
  • ouvir e imitar;
  • ler;
  • conversar;
  • interagir com o outro.

 

Os psicólogos aplicam a ABA depois de uma avaliação para verificar os comportamentos e determinar o que precisa ser melhorado.

As atividades podem ser desenvolvidas em casa, em escolas ou clínicas.

É uma terapia que usa formas de recompensas para reforçar o comportamento positivo e estimular determinada prática.

Os psicólogos também podem ensinar habilidades para os autistas e torná-los menos dependentes.

O ideal é que a ABA ocorra desde cedo, perto dos quatro anos de idade.

A família também recebe um suporte do psicólogo e é orientada a realizar as atividades em casa de acordo com as necessidades do autista.

 

Psicólogo e Terapia cognitivo-comportamental (TCC)

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) concentra-se na conexão entre pensamentos, sentimentos e comportamentos.

O psicólogo, que também é chamado de terapeuta, durante as sessões, conhece melhor a pessoa com autismo e sua família e aprende a identificar os comportamentos e pensamentos que causam desconfortos e precisam ser trabalhadas.

O psicólogo passa a acompanhar a rotina do autista e trabalhar a autorregulação por parte das crianças, a ensiná-las a obterem o autocontrole e como se comportar adequadamente.

Há diversas técnicas usadas pelos psicólogos para melhorar as habilidades sociais do autista.

Eles costumam escutar bastante os pais e a criança e ajudam a lidar com a ansiedade, depressão e situações do dia a dia como rejeição, isolamento e comportamentos inadequados.

Os psicólogos podem usar determinados objetos para estimular o autocontrole e a autorregulação.

Além disso, usam cartões simbólicos com desenhos para se aproximar do cotidiano da criança e fazem intervenções comportamentais.

Os psicólogos fazem com que o autista lide melhor com a frustração, medos, impulsividade, agressividade.

Os psicólogos podem também usar reforços positivos.

Para isso, busca estimular uma frequência maior desse comportamento na vida da criança.

Além dos autistas, os pais podem precisar de terapia para lidar com suas emoções.

 

Como encontrar o psicólogo ideal?

Todo o profissional que visa lidar com os autistas e aplicar a terapia ABA (Análise do Comportamento Aplicada) precisa ser capacitado, realizar uma especialização.

Os pais devem procurar psicólogos com experiência comprovada de atuação em ABA ao autismo e também em TCC.

A participação dos pais é fundamental em todo o processo.

Eles precisam acompanhar as etapas, as intervenções realizadas e ajudar nas mudanças sugeridas pelos psicólogos.

E quanto mais cedo essas intervenções ocorrerem, maiores serão as chances da pessoa com o TEA ter mais qualidade de vida.

 

Referências

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3196209/

https://www.autismspeaks.org/what-autism/treatment/applied-behavior-analysis-aba  

https://www.autismspectrum.org.au/how-can-we-help/therapy-services

https://www.psychologytoday.com/us/blog/child-development-central/201607/understanding-behavioral-therapy-autism

 

 

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O papel do professor de apoio especializado para os autistas

O papel do professor de apoio especializado para os autistas

Muitas crianças com TEA conseguem frequentar uma escola, conviver com outras crianças e aprender.

Mas, algumas delas sentem muitas dificuldades e precisam de alguém para auxiliá-las nesse processo de inclusão e aprendizagem.

Para isso, entra em cena o professor de apoio.

A legislação garante que a criança/jovem autista tenha assegurado esse apoio e outros mecanismos para conseguir estudar.

Vamos detalhar algumas leis.

 

Professor de apoio – Lei número 9.394/1996

De acordo com essa lei, os sistemas de ensino devem assegurar aos educandos com deficiência e altas habilidades ou superdotação o direito a ter currículos, métodos, técnicas, recursos educativos para atender às suas necessidades.

E também o direito de aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados.

Além de terem disponíveis professores com especialização adequada para atendimento especializado.

Bem como, professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns.

Segundo essa legislação, essas crianças e adolescente devem ser integrados na vida em sociedade, inclusive para o mercado de trabalho.

E devem ter acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis.

Por fim, em relação aos alunos com altas habilidades (ou superdotados):

A lei determina que o poder público institua um cadastro nacional de alunos para ter um controle e fomentar as políticas públicas voltadas ao desenvolvimento de suas potencialidades.

 

Lei número 12.764/2012

Desde 2012, com a lei número 12.764 que estabelece a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), os autistas têm o direito de ter um acompanhante especializado nas salas de aulas.

A lei serve como um reforço na luta pela inclusão.

Sendo assim, os alunos com o TEA que forem matriculados na rede regular de ensino podem ter o acompanhamento.

Esse acompanhamento deve ser de um professor de apoio especializado ou professor auxiliar.

Segundo a legislação, “os sistemas de ensino devem efetuar a matrícula dos estudantes com o TEA nas classes comuns de ensino regular, assegurando o acesso à escolarização, bem como ofertar os serviços da educação especial, dentre os quais: o atendimento educacional especializado complementar e o profissional de apoio”.

 

Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência)

De acordo com a Lei Brasileira de Inclusão, Lei 13.145/2015, o profissional de apoio escolar é um direito assegurado pela legislação e “atua em todas as atividades escolares nas quais se fizer necessária, em todos os níveis e modalidades de ensino, em instituições públicas e privadas, excluídas as técnicas ou os procedimentos identificados com profissões legalmente estabelecidas”.

A lei também determina que toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação.

E também é dever do Estado, da sociedade e da família assegurar à pessoa com deficiência, com prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à sexualidade, à paternidade e à maternidade, à alimentação, à habitação, à educação, entre outros para que se garanta seu bem-estar pessoal, social e econômico.

 

Decreto número 6.949/2009 

Esse decreto promulgou a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo.

No artigo 24, que trata sobre educação, ficou estabelecido que o Estado deve ofertar o direito sem discriminação e com base na igualdade de oportunidades e assegurarão sistema educacional inclusivo em todos os níveis.

Para isso, o Estado deve garantir o desenvolvimento do potencial humano e do senso de dignidade e autoestima e fortalecer o respeito pelos direitos humanos, pelas liberdades fundamentais e pela diversidade humana.

Outro ponto abordado é sobre o desenvolvimento da criatividade e talentos das pessoas com deficiência, assim como de suas habilidades físicas e intelectuais. Estabelece também que as pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema educacional e possam ter acesso ao ensino inclusivo, de qualidade e gratuito.

E as pessoas com deficiência devem ter o direito a adaptações razoáveis e recebam o apoio necessário, no âmbito do sistema educacional geral, com vistas a facilitar sua efetiva educação. Para isso, é necessário realizar medidas de apoio individualizadas e efetivas.

 

O que faz o professor de apoio

O professor de apoio participa da reintegração da pessoa com TEA na sala de aula e ajuda na inclusão escolar.

Ele adapta as atividades, auxiliando as interações sociais e aplicações didáticas.

O professor de apoio atua juntamente com a equipe pedagógica e com o professor regular

Juntos, eles definem as estratégias que serão utilizadas para que o estudante autista tenha acesso ao aprendizado das disciplinas e das formas de avaliação que permitam que a aprendizagem seja efetiva.

Geralmente, esses profissionais contribuem para melhorar as habilidades de leitura, escrita, matemática, compreensão e comunicação.

Eles também ajudam estabelecendo uma rotina, ensinando sobre regras e comportamentos adequados na sala de aula.

Por exemplo, os alunos são ensinados a seguir instruções, interagir com colegas e se comunicar de maneira eficaz.

Esse profissional também pode auxiliar o aluno nos momentos de higiene, alimentação e locomoção.

Lembrando que o professor de apoio tem como função principal facilitar a acessibilidade do aluno com autismo na escola.

 

Como garantir o direito de ter um professor de apoio

Cabe à escola garantir a plena participação do aluno em todas as atividades escolares em igualdade de condições.

Por isso, a instituição de ensino deve providenciar um professor de apoio especializado diretamente na secretaria de educação à qual está vinculada.

Essa contratação é um dever da instituição de ensino.

Sendo assim, é proibido cobrar da família qualquer mensalidade ou anuidade por ter um professor de apoio especializado para o aluno autista.

A escola poderá solicitar aos pais ou cuidadores um laudo que comprove que a criança tem autismo.

Mas, não poderá se recusar a matricular o aluno autista.

Por lei, seja a escola particular ou pública, as escolas têm obrigação de contribuir com a inclusão escolar e providenciar o professor de apoio para acompanhar o aluno com o TEA.

Se sentir resistência da direção, procure ajuda especializada de um advogado e busque os seus direitos.

 

Referências:

https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2015/17749_7890.pdf

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12764.htm

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9394.htm

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6949.htm

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A importância da Educação Física para o desenvolvimento motor

Manter o corpo ativo é fundamental para ter saúde e prevenir problemas desde cedo. As crianças têm contato com a atividade física logo na infância e também nas aulas de Educação Física. Mas você sabia que essas aulas proporcionam diversos benefícios além da recreação?

A Educação Física ajuda no desenvolvimento motor dos estudantes ao proporcionar a oportunidade de se movimentar e desenvolver suas habilidades.

Crianças e jovens devem praticar atividade física de forma lúdica, por meio de brincadeiras, jogos, esportes, tarefas e Educação Física nas escolas.

Ao se manter ativo, a criança e jovem melhora sua aptidão cardiorrespiratória e muscular, saúde óssea, cardiovascular e metabólica.

Apenas 60 minutos por três vezes por semana já fazem a diferença na saúde, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Ela ajuda o autista a manter-se fisicamente ativo e ter um estilo de vida saudável. Além disso, ajuda a desenvolver habilidades e ganhar experiências e aprendizados.

Desenvolvimento motor, autismo e Educação Física

Alguns estudos mostram que as crianças autistas podem ter graus diferentes de dificuldade com habilidades motoras finas e grossas. Essas dificuldades podem ser superadas e a Educação Física pode contribuir para isso.

Alguns autistas apresentam dificuldades de equilíbrio, consciência corporal e controle motor.  O que pode causar problemas para praticar esportes ou andar de bicicleta, por exemplo.

Contribui ao estruturar o meio ambiente adequado para a criança e o adolescente. Quem pratica atividade física regular consegue desenvolver a sua capacidade motora, garantindo a aprendizagem de habilidades específicas. Ela aprimora a motricidade do aluno, aumentando o equilíbrio, a organização temporal e a espacial.

5 benefícios da educação física para autistas

1 – Habilidades sociais – as atividades físicas desenvolvidas para autistas apresentam ganhos significativos em suas habilidades sociais e de comunicação.

A educação física promove brincadeiras em grupos, programas de corrida e jogos que contribuem para melhorar as dificuldades de quem tem o Transtorno do Espectro do Autismo.

2 – Mais força e resistência muscular – a prática de educação física é importante para a saúde física e também para aumentar a forca e resistência muscular dos autistas. Isso inclui esportes recreativos e jogos, além de brincadeiras.

3 – Habilidades de mobilidade – Aumenta o equilíbrio, a coordenação corporal, o controle visual-motor e outras habilidades de mobilidade.

4 – Habilidades motoras – Alguns tipos de atividades físicas também contribuem para melhorar significativamente essas habilidades. Entre elas, destacam-se brincadeiras de pular e desviar de objetos.

5 – Controle da ansiedade – Pode contribuir para a diminuição da ansiedade.

Sair do sedentarismo e praticar atividade física regular estimula no organismo a produção de endorfina, que é responsável por causar bem-estar, aliviando a depressão e melhorando o humor.

Como incluir as crianças autistas nas aulas de Educação Física

As aulas de Ed. Física são uma grande oportunidade para diversão, a prática de exercícios, aprendizado e treino de habilidades sociais para todas as crianças, mas quem tem autismo pode ter dificuldades. Porém, a inclusão nas aulas de Educação Física é necessária e fundamental.

Os professores de Ed. Física devem tornar as aulas divertidas e que ofereçam pouco risco para os autistas desenvolver suas habilidades. É importante se concentrar em jogos que exigem cooperação.

Os pais devem participar ativamente e saber como está o desempenho dos filhos nas aulas de Educação Física.

Referências

https://www.autismspeaks.org/expert-opinion/does-physical-activity-have-special-benefits-people-autism

https://www.autismparentingmagazine.com/support-your-asd-child-in-physical-education/

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Saiba mais sobre a hipotonia

A hipotonia ou o tônus muscular baixo é a diminuição da força muscular e dos músculos.

Por isso, os músculos não são tão firmes quanto o esperado em termos de desenvolvimento.

Normalmente, mesmo quando relaxados, os músculos têm uma quantidade muito pequena de contração que dá uma sensação de elasticidade e fornece alguma resistência ao movimento passivo.

Crianças com baixo tônus muscular podem apresentar atraso nas habilidades motoras, semelhantemente podem apresentar também, dificuldade de coordenação motora e fraqueza muscular, entre outras condições.

Em inglês, essas crianças ficaram conhecidas como floppy babies, ou “bebês molengas”, em tradução livre.

Esse problema de saúde é comum em crianças com autismo.

Estima-se que aproximadamente 30% das crianças com autismo têm perda moderada a grave de tônus muscular.

Elas podem apresentar uma postura inadequada, dificuldade em executar tarefas motoras finas e grossas adequadas à idade, consciência corporal deficiente, dificuldade em mastigar e problemas de fala.

O pescoço e o tronco ficam moles, gerando dificuldade para sustentar a cabeça e se sentar.

A hipotonia é mais frequentemente detectada em bebês logo após o nascimento ou quando são muito jovens.

Mas, esse problema também pode aparecer em crianças maiores.

Esse tônus muscular fraco tende a sinalizar um problema no cérebro, na medula espinhal, nos nervos ou nos músculos.

Os sintomas da hipotonia incluem:

  • Falta de controle parcial ou total da cabeça;
  • Atraso no desenvolvimento motor;
  • Diminuição da força;
  • Hipersensibilidade;
  • Dificuldades de fala;
  • Postura debilitada.

Diagnóstico e tratamento da hipotonia

Primordialmente, os pais devem ficar atentos aos sinais dessa fraqueza muscular.

É importante perceber se a criança fica com os braços e as pernas em linha reta enquanto descansa.

E também verificar se ela pode escorregar das mãos quando é segurada – já que os braços se erguem sem resistência.

A hipotonia geralmente é diagnosticada durante o primeiro ou até o segundo ano de vida.

O diagnóstico geralmente é realizado pela observação clínica.

Em seguida, o especialista solicita exames laboratoriais, estudos de imagem, como a tomografia computadorizada, ressonância magnética e eletroencefalograma.

Cabe destacar que a hipotonia é diferente da fraqueza muscular, mas algumas vezes pode ser difícil distinguir as duas condições.

Mas, quanto mais precoce for à detecção do quadro, maiores serão as chances da criança ter um tratamento adequado.

O tratamento da criança hipotônica deve ser adaptado de acordo com a condição específica.

Existem algumas estratégias para trabalhar o baixo tônus muscular e geralmente consistem em exercícios usados para aumentar a força muscular.

A terapia costuma ser de suporte e com uma equipe de reabilitação formada por vários profissionais como o profissional de educação física, psicomotricista, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e fisioterapeuta.

As atividades físicas supervisionadas por um profissional de educação física pode ajudar no aumento da força muscular e diminuição da hipotonia.

A psicomotricidade também pode ajudar no tônus muscular e nas questões psicomotoras.

A terapia ocupacional pode ajudar a pessoa a aprender maneiras de realizar as atividades da vida diária.

Já o fonoaudiólogo pode ajudar nas dificuldades de respiração, fala e deglutição.

Por fim, a fisioterapia pode melhorar o controle motor e a força geral do corpo.

Referências:

https://www.saudecuf.pt/mais-saude/doencas-a-z/hipotonia

http://medicina.fm.usp.br/gdc/docs/revistadc_96_p.82-93%20862.pdf

https://www.webmd.com/baby/hypotonia-floppy-infant-syndrome

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