Infelizmente ainda é comum que ocorra uma confusão entre os sintomas de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

São transtornos distintos mas que podem se manifestar no mesmo individuo. É comum que quem tem autismo também tenha o TDAH como condição associada.

O diagnóstico correto e precoce é essencial para que as crianças tenham o tratamento adequado e se desenvolvam plenamente, de acordo com suas limitações e particularidades.

A seguir, veja detalhes sobre esses dois transtornos e as características em comum e diferenças entre eles:

 

Saiba mais sobre o TDAH

É um transtorno neurobiológico de causas genéticas que costuma aparecer na infância e acompanhar a pessoa por toda a vida. Entre os sintomas, destacam-se: desatenção, hiperatividade, inquietude e impulsividade.

O diagnóstico geralmente ocorre quando a criança tem entre 6 e 12 anos ou logo após ingressar na escola. Estima-se que o TDAH atinja cerca de 3 a 5% das crianças em todo o mundo.

Há ainda três graus de TDAH: leve, em que a rotina da pessoa não é afetada; moderada, quando os sintomas começam a atrapalhar as atividades; e grave quando há vários sintomas que causam problemas na rotina profissional e escolar.

Os sintomas variam de acordo com o tipo de TDAH: hiperativo, desatento ou ambos. Para confirmar o diagnóstico, é importante que a criança ou adulto tenha um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade que altere o seu desenvolvimento, aprendizagem e rotina diária.

Na maioria das vezes, há dificuldades para reconhecer as necessidades e desejos de outras pessoas. Também apresentam problemas para manter suas emoções sob controle. A falta de foco pode ser constante. Costumam ser desatentos ou têm dificuldade para se planejar.

O diagnóstico do TDAH é difícil, pois muitas vezes ele é confundido com os problemas na educação, ansiedade ou dislexia. O TDAH é o transtorno mais comum em crianças e adolescentes, surge na infância, mas pode acompanhar a pessoa até a fase adulta.

Os pais devem aceitar o fato de que as crianças com TDAH têm cérebros que funcionam de maneiras diferentes e podem ter comportamentos impulsivos. Podem ser indicados medicamentos e terapia comportamental.

Vale destacar que não há cura para o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, pois não é uma doença. Entretanto, há tratamento e mudanças na rotina e comportamentos de familiares que podem ajudar os pais e as crianças a conviverem com o TDAH.

 

Veja detalhes sobre o autismo

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é uma condição relacionada ao desenvolvimento do cérebro que afeta a forma como uma pessoa percebe o mundo e se socializa.

Dessa forma, elas podem ter  dificuldades de interação social, comunicação e comportamento. Porém, muitas pessoas com autismo conseguem realizar todas as suas atividades diárias, enquanto outros podem necessitar de ajuda.

Os sinais costumam se manifestar antes dos três anos de idade, sendo possível fazer o diagnóstico por volta dos 18 meses de vida da criança ou até mesmo antes dependendo do caso.

Quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico, mais rapidamente o autista começará as intervenções precoces. Com isso, conseguirá desenvolver as habilidades cognitivas, sociais e de linguagem. Dessa forma, o autista terá mais qualidade de vida, independência e autonomia para realizar as atividades diárias.

O diagnóstico do TEA ainda pode ser considerado essencialmente clínico, ou seja, não há exames para detectar o autismo.

Entre os sinais do autismo podemos citar: não imitam, dificuldade para fazer contato visual e interagir, muitas vezes apresentam atraso na fala, dificuldades com a comunicação não verbal e apresentam movimentos repetitivos e  estereotipados.

 

Características em comum entre TDAH e TEA

 São transtornos do neurodesenvolvimento que se manifestam na infância;

  • Afetam o comportamento e a socialização;
  • Pessoas com TDAH e TEA podem apresentar problemas sensoriais.

 

 Algumas diferenças entre TDAH e TEA

  • Pessoas com TDAH não apresentam dificuldades com linguagem, já as pessoas autistas sim;
  • Pessoas com TDAH não tem dificuldades com comunicação verbal e não verbal;
  • Pessoas com TEA tem dificuldades para compreender expressões faciais, piadas, sarcasmos e gestos. As pessoas com TDAH não apresentam dificuldades nessas habilidades;
  • Pessoas com TDAH conseguem interagir socialmente

 

Comorbidade: quando há o diagnóstico duplo

É comum que quem tenha autismo apresente comorbidades, ou seja, duas ou mais condições clínicas presentes na mesma pessoa e ao mesmo tempo. Sendo assim, têm condições de saúde que se associam a outras e por isso estão frequentemente juntas clinicamente.

Entre as comorbidades mais frequentes está o TDAH. O primeiro passo é confirmar o diagnóstico e buscar terapias que ajudem a criança ou jovem a ter mais qualidade de vida. Pode ser necessário procurar um especialista em transtorno de comportamento infantil.

Estima-se que 14% das crianças com TDAH também tenham TEA e até 70-80% das pessoas com TEA apresentam o TDAH também.

Tanto o TDAH quanto o TEA são condições para a vida toda que podem ser gerenciadas com tratamentos adequados.

 

Referências:

American Psychiatric Association (2003). Transtorno de déficit de atenção e de comportamento disruptivo. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. (4ª ed).

https://www.autism.org.uk/adhd

https://autismsciencefoundation.org/what-is-autism/autism-diagnosis/

https://www.autismspeaks.org/signs-autism

 

Neurocientista que estuda o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) há quase 10 anos, Fabiele Russo é Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD) e Pós-doutorado pela USP. Possui ampla experiência na área do autismo.