Vencendo mitos sobre o TEA: conhecimento como arma para desconstruir inverdades

Vencendo mitos sobre o TEA: conhecimento como arma para desconstruir inverdades

Quando se fala em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), é possível observar que há um grande desconhecimento da sociedade em geral sobre o transtorno.

A consciência sobre o TEA tem sido aperfeiçoada, o que é muito positivo. Mas ainda há muito a ser vencido para vencer determinados “pré” conceitos que criam barreiras à evolução daqueles que estão no espectro.

A falta de conhecimento sobre o assunto, somada à propagação de inverdades sobre a condição, geram mitos que podem dificultar a compreensão, o apoio, o cuidado e acolhimento necessário para quem está no espectro. Uma barreira para que o indivíduo com TEA possa desenvolver habilidades que o possibilitem viver em comunidade, sem se sentir isolados, com qualidade de vida, independência e autonomia.

Para contribuir com a disseminação de informações que quebrem os mitos e propaguem verdades sobre o TEA, a NeuroConecta preparou um especial com cinco dos principais mitos que ainda permeiam o imaginário popular distanciando as pessoas da realidade que é vivenciar o TEA.

Nós, da NeuroConecta acreditamos que conhecimento é a maior e melhor ferramenta que há para desconstruir inverdades e vencer mitos que ainda permeiam o universo do TEA. Acompanhem.

É MITO QUE….

1) O autismo seja causado pelo comportamento da mãe

Na década de 70/80 havia a teoria “da mãe geladeira”, que dizia que a frieza das mães altamente intelectualizadas, com vida profissional ativa, distantes de seus filhos, levaria ao autismo. Esta teoria, que por anos a fio assombrou as famílias, sobretudo fazendo recair uma culpa nos pais, demonstrou-se falsa. Os estudos apontam que as causas têm se mostrado precoces, ainda na formação do sistema nervoso central dos bebês e que nada tem a ver com a criação da criança.

2) O autismo seja causado por vacinas

Outra teoria que caiu por terra refere-se à imunização. Esse é um assunto um tanto quanto polêmico, sobretudo em países como Estados Unidos. Havia este conceito equivocado de que vacinar a criança poderia desencadear o autismo. O que acontecia é que a idade em que se começa a reconhecer sinais do autismo está em torno de 2 a 3 anos de idade, mesmo período em que está ativo o calendário de vacinação das crianças.

Há um mito de que vacinas, especialmente a tríplice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba), seja fator de risco para o espectro. A segurança das vacinas tem sido repetidamente testada em grandes grupos de pessoas. Estudos de alta qualidade envolvendo centenas de milhares de pessoas mostraram consistentemente que as vacinas não causam autismo. Portanto, até hoje não há evidências científicas que demonstrem relação entre imunização e autismo.

3) Glúten e caseína causam autismo

O glúten é uma proteína presente naturalmente em muitos cereais, como o trigo, o centeio e a cevada. Ele deve ser excluído da dieta de pessoas celíacas ou com algum tipo de alergia. Não existe evidências científicas que confirme a associação entre glúten e autismo ou que confirme que a dieta sem glúten traz algum beneficio para as pessoas com autismo

4) Pessoas no espectro não gostam de fazer amigos

Crianças e adultos no espectro, em sua grande maioria, tendem a se socializar. Portanto, não é uma verdade absoluta que não gostem de fazer amigos. Essa não é uma característica “rígida” de quem apresenta o distúrbio. A questão é que pode haver limitantes que dificultam o processo de interação social, os quais devem ser trabalhados por meio de terapias, como a Análise de Comportamento Aplicada (ABA).

O processo de conexão com as pessoas ao redor pode gerar ansiedade, mas, quando estimulado, respeitando as limitações da criança/adulto, pode ser exitoso e trazer benefícios à vida em sociedade. Fato é que o desejo de se conectar existe. Cabe à família, aos professores e aos terapeutas ajudar nesse caminho de interação social.

5) Toda pessoa com autismo tem inteligência acima da média

Esse é um dos fortes mitos que há sobre as características de um indivíduo no TEA. Na verdade, há pessoas que desenvolvem alguma habilidade cognitiva de maneira mais acentuada que outra. Pode ser exponencialmente bom em lidar com números, em aprender uma nova língua. Entretanto, isso não é comum.

Muitas crianças no espectro compartilham alguns pontos fortes, como ser aprendizes visuais ou ter uma boa memória visual. Esses pontos fortes podem ser usados em favor do desenvolvimento da criança.

Lembrem-se que crianças no espectro do autismo não experimentam o mundo da mesma forma. Portanto, devem ser estimuladas com base em suas especificidades.

6) Somente pessoas do sexo masculino podem apresentar TEA

Por muito tempo convencionou-se associar a condição do TEA às pessoas do sexo masculino. O autismo não escolhe gênero ou qualquer preditivo como cor ou raça, por exemplo. A verdade é que todos podem estar sujeitos a apresentar o distúrbio.

Esse “achismo” de que meninas estariam “isentas” de desenvolver o espectro pode ser derivado do fato de que, até alguns anos atrás, a prevalência de estudos voltados para compreender o espectro eram prevalentemente centrados em homens, o que pode ter facilitado o diagnóstico nesse grupo.

Essa realidade vem mudando. Pesquisadores têm observado que o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) pode, na verdade, estar sendo subdiagnosticado em pessoas do sexo feminino e haver mais mulheres no espectro do que se imagina.

No universo do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) as estimativas apontam para uma maior prevalência de casos em pessoas do sexo masculino do que feminino, sendo 1 menina para cada 4 meninos.

Mas, por que é tão difícil diagnosticar o distúrbio no sexo femino? Convidamos à leitura da matéria “Autismo em meninas: porque é tão difícil diagnosticar

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Referências

Autism myths and causes. Autistica.org. Disponível em https://www.autistica.org.uk/what-is-autism/autism-myths-and-causes Acessado em 8 de agosto de 2018.

Myths + misconceptions about autism. Autism Awareness Australia. Disponível em http://www.autismawareness.com.au/could-it-be-autism/myths Acessado em 8 de agosto de 2018.

Artigo publicado no site NeuroConecta

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