Transtorno de Aprendizagem não verbal (TANV)

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Ainda pouco conhecido, o Transtorno de Aprendizagem não verbal (TANV) é uma alteração específica no funcionamento cerebral. Afeta o raciocínio matemático, a cognição visual e espacial, a coordenação motora, a percepção sensorial e as habilidades sociais.

É um transtorno específico de aprendizagem, considerado raro, atinge 1% das crianças e dos adolescentes.

Quem possui TANV apresenta um bom desenvolvimento da linguagem e vocabulário e, algumas vezes, desenvolve a leitura precoce. As causas do Transtorno ainda não foram esclarecidas, mas sabe-se que ocorre devido a uma alteração no hemisfério direito do cérebro.

As pessoas com TANV têm capacidade intelectual dentro ou acima da média, boa memória e podem demorar para receber um diagnóstico correto.

Uma questão importante é  que o TANV pode ser confundido com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) ou até mesmo com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

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Afeta as meninas com a mesma frequência que os meninos e tende a ocorrer com mais frequência quando há outros casos na famílias, como a maioria dos outros transtornos de aprendizagem.

Características do TANV

Há algumas áreas que as pessoas com esse Transtorno apresentam dificuldade. Muitos não entendem as imagens visuais.   A maioria das crianças com o Transtorno tem dificuldade em entender a linguagem corporal. Por isso, pode afetar também as interações sociais. 

O TANV afeta a matemática em geral, a capacidade de organização e a integração de informações visuais e motora. Sendo assim, essas pessoas podem ter dificuldade de realizar  movimentos mais complexos e são considerados “desastrados”.

Nota-se dificuldade na percepção do outro, na aceitação do novo e na mudança de rotina. Mas, essas pessoas podem ter ótimos recursos verbais e de memória. Alguns são leitores fluentes e dominam um extenso vocabulário.

Alguns sinais do problema

– Problemas de organização espaço-visual, ou seja, não distinguem rapidamente as diferenças entre formas, tamanhos, quantidades e comprimentos.

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– Apresentam dificuldade em calcular distâncias.

 – Dificuldade de equilíbrio, ou seja, dificulta andar de bicicleta, amarrar cadarços e atividades esportivas.

–  Dificuldades em se ajustar a situações novas e complexas.

– Apresentam dificuldades em entender sarcasmo, humor e metáforas.

– Déficits aritméticos e na compreensão de leitura.

Como ele é identificado e as intervenções indicadas

O diagnóstico do TANV surge após uma avaliação que deve ser realizada por uma equipe de profissionais. São realizados diversos testes neuropsicológicos com o objetivo de compreender como funciona o, desempenho escolar, as habilidades motoras, o processamento visual-espacial, aritmética e o funcionamento psicossocial.

Observa-se também comportamentos, históricos genéticos, da gestação, acadêmico e as características de relacionamentos sociais. Ele avaliará o desenvolvimento da fala e da linguagem do paciente, QI verbal, QI de desempenho e desenvolvimento motor.

As crianças com TANV podem apresentar bons resultados em testes acadêmicos, como de leitura e de subtração, e mesmo assim ter dificuldades em usar esse conhecimento para a realização de tarefas mais complexas. Por isso, os pais podem demorar para procurar ajuda.

Dentre as possíveis intervenções que podem ser benéficas para essas pessoas está a terapia ocupacional, que tende a ajudar as crianças a melhorar suas habilidades motoras finas e sociais.

Algumas crianças e jovens podem precisar de ajuda de psicólogos para lidar com questão de autoestima e ansiedade. É importante que a escola e os professores sejam comunicados sobre a condição do aluno com TANV para que possam ser realizadas ações pedagógicas para melhorar o aprendizado desses alunos.

Referências

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862016000300013

https://www.psychologytoday.com/intl/conditions/nonverbal-learning-disorder

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Dra. Fabiele Russo

Neurocientista, especialista em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Pesquisadora na área do TEA há mais de 10 anos. Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado “sanduíche” no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD). Realizou 4 Pós-doutorados pela USP. É cofundadora da NeuroConecta e também, coautora do livro: Autismo ao longo da vida.