Sexualidade no autismo: o que é importante saber para quebrar preconceitos e tabus

As pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) também se desenvolvem sexualmente como qualquer outro indivíduo.

Por isso, é importante ajudar seu filho ou filha autista a compreender desde cedo os seus sentimentos e a se comportar de maneira adequada em relação a sexualidade, principalmente em público. E também a se proteger de abusos sexuais.

Cabe aos pais e responsáveis dar e explicações claras sobre sexo, sexualidade e como funcionam os relacionamentos. Mas ainda há muitos tabus, preconceitos e medos relacionados ao assunto.

O primeiro passo é saber que a sexualidade é mais do que apenas sexo. O autista, assim como qualquer outra pessoa também pode se sentir atraído e ter afeto pelos outros.

Muitos adolescentes com o TEA podem ter dificuldade para entender os sentimentos de intimidade, atração e afeto – em si mesmos e nos outros. Além de ter problemas para expressar seus sentimentos. Por conta disso, alguns podem ter atitudes inapropriadas.

Veja, a seguir, alguns pontos importantes sobre a sexualidade em autistas.

– Relacionamento amoroso: os autistas, na maioria das vezes, desejam ter um relacionamento romântico e manter intimidade com outras pessoas. Não há nada que impeça quem está no espectro se apaixonar ou manter um compromisso.

Mas, obviamente, as pessoas com TEA podem encontrar dificuldades de se relacionar e até mesmo enfrentar preconceitos. Algumas características do autismo que podem atrapalhar essa questão:

– dificuldade de se relacionar;

– pensamento mais rígido;

– dificuldade de identificar seus sentimentos;

– dificuldade para se comunicar;

– dificuldade de reconhecer a linguagem corporal.

Além disso, algumas pessoas com autismo, sentem dificuldade de  desenvolver uma conexão emocional profunda e duradoura com um parceiro.

– Relações sexuais: é importante ensinar o contexto de um relacionamento sexual.  É necessário explicar com uma linguagem adequada e buscar ajuda profissional se não souber como conduzir a conversa.

Também é preciso falar sobre doenças sexualmente transmissíveis, risco de gravidez e abuso sexual.

– Masturbação: o ato de se masturbar é algo natural para um jovem na puberdade. Porém, os pais e os cuidadores devem reforçar que é algo bastante íntimo, pessoal e não deve ser praticado em lugares públicos.

Pode ser útil comparar a masturbação com outras atividades que ele realiza sozinho em particular, como tomar banho ou ir ao banheiro.

Além disso, precisa ficar claro o que é lugar público e privado. Explique claramente que um lugar privado é onde outras pessoas não podem ver o que está sendo feito.

Se for necessário, prepare uma lista de lugares privado, como por exemplo o seu próprio quarto, o banheiro da sua casa e mostre imagens dos locais para facilitar o entendimento. 

– Mudanças no corpo: na puberdade ocorrem grandes mudanças nos organismo dos jovens. Nessa fase, podem surgir dúvidas sobre como cuidar do corpo.

As pessoas com autismo geralmente não gostam de mudanças. Alguns pré-adolescentes e adolescentes têm dificuldade com a ideia de que seus corpos estão mudando.

Por este motivo, é importante informar a seu filho com antecedência sobre as mudanças que ocorrerão quando ele atingir a puberdade.

As meninas podem ter dificuldade para entender como funciona a menstruarão, por exemplo.  Já os meninos podem ficar confusos em relação a ereção.

Algumas dicas importantes na hora de conversar com seu filho ou filha com TEA sobre sexualidade:

– É importante esclarecer que o sexo e a sexualidade são partes saudáveis ​​da vida;

– As crianças e jovens com TEA devem se sentir à vontade de procurar os pais para ter informações sobre a sexualidade e seus sentimentos;

– Explique sempre em um nível que as crianças e jovens possam entender;

– Use nomes corretos para as partes do corpo;

– Explique sobre segurança e limites do corpo — Isso inclui saber a diferença entre “toque bom” e “toque ruim”. Essa é uma forma de ensinar onde e quando seu corpo pode ser tocado — e sempre com sua autorização. É uma forma de proteger e respeitar seus corpos;

– Se mostre disponível para conversar sobre o assunto e esclarecer as dúvidas;

– Busque ajuda especializada se sentir receio ou não souber como orientar o jovem com TEA sobre sua sexualidade.

Referências

https://raisingchildren.net.au/autism/development/sexual-development/sexuality-teens-with-asd

https://autismawarenesscentre.com/teach-sexuality-person-asd/
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Dra. Fabiele Russo

Neurocientista, especialista em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Pesquisadora na área do TEA há mais de 10 anos. Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado “sanduíche” no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD). Realizou 4 Pós-doutorados pela USP. É cofundadora da NeuroConecta e também, coautora do livro: Autismo ao longo da vida.