Você já ouviu falar sobre o Teste de Denver II? Trata-se de uma escala utilizada por profissionais de saúde para avaliar e identificar se as crianças apresentam atraso de desenvolvimento.

Vale destacar que não mede o QI (quociente de inteligência) da criança e não foi desenvolvido para diagnosticar distúrbios de aprendizagem ou emocionais.

O teste  realiza observação da execução dos itens e também no relato dos pais. Em seguida, compara o desempenho de uma determinada criança com o desempenho de outras crianças da mesma idade. Geralmente, é realizado em crianças de zero a seis anos de idade.

É utilizado no Brasil há mais de 50 anos por pesquisadores e profissionais da área de saúde devido à facilidade de aplicabilidade. Em 1992, passou por uma revisão em alguns itens e atualização das normas por idade, resultando no Teste de Triagem de Desenvolvimento de Denver-II.

Basicamente, o Teste de Denver II mede a aquisição de determinadas funções de desenvolvimento em relação à idade cronológica da criança.

Sendo assim, permite avaliar rapidamente o estado de determinadas funções e, assim, definir estratégias e procedimentos de estimulação do desenvolvimento psicomotor.

 

Áreas avaliadas pelo Denver II

O Teste de Denver II apresenta um formulário composto de 125 itens representados por tarefas organizadas em quatro áreas de desenvolvimento:

  • Pessoal-social, ou seja, envolve aspectos da socialização da criança dentro e fora do ambiente familiar.
  • Motricidade fina, avalia a coordenação olho-mão e a manipulação de pequenos objetos;
  • Linguagem, ou seja, avalia a produção de som, capacidade de reconhecer, entender e usar a linguagem;
  • Motricidade ampla, ou seja, averigua os movimentos amplos como sentar, caminhar, pular.

 

Para quem é indicado e como funciona

O teste de denver II possibilita a avaliação de crianças com desenvolvimento típico e atípico, na faixa etária de 0 a 6 anos.

Ele consegue avaliar o desenvolvimento infantil por meio de um teste de triagem. O examinador detecta a presença de um problema de desenvolvimento que necessite de uma investigação mais aprofundada.

Geralmente, é aplicado individualmente, por cerca de 20 minutos. Para a aplicação, é necessário a utilização do formulário do teste, do manual de treinamento e do kit de estímulos.  O formulário possui itens organizados por área de desenvolvimento.

A interpretação dos itens permite classificar o teste como: normal, quando a criança não apresenta nenhum “atraso”; risco, quando apresenta dois ou mais “cuidados” e/ou um ou mais “atrasos”; não testável, quando recusa-se a realizar a atividade em um ou mais itens.

Ao final da avaliação, o especialista deve checar o comportamento da criança durante a aplicação da escala: se ficou atenta, tímida ou cooperando.

Devido a sua praticidade,  pode ser utilizado em unidades básicas de saúde, ambulatórios, consultórios, clínicas, unidades pediátricas em hospitais, creches, pré-escolas e serviços especializados em distúrbios do desenvolvimento infantil.

E você, conhece alguém que tenha realizado o teste de Denver II?

 

Referências:

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/1370185/

https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1365-2214.2011.01332.x

 

Neurocientista que estuda o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) há mais de 10 anos, Fabiele Russo é Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado sanduíche no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD) e Pós-doutorado pela USP. Possui ampla experiência na área do autismo.