A Análise de Comportamento Aplicada (ABA) trata-se de uma ciência comprovada que possibilita compreender as ações e habilidades no espectro autista. E também como elas podem ser influenciadas pelo meio ambiente.

Esta forma de intervenção, que já existe há mais de 50 anos, pode contribuir com uma melhora nas interações sociais, aprendizagem de novas competências e manter comportamentos positivos.

A ABA é uma ciência que estuda as leis que regem a interação do indivíduo com o ambiente e após uma análise dos comportamentos é possível traçar um plano de ação para modificá-los.

A maioria das pessoas acredita que a terapia ABA envolve uma série de exercícios repetitivos, resultando em uma forma específica de resposta e comportamentos rígidos. Porém, as técnicas aplicadas nem ABA são planejadas para cada autista de forma individualizada.

Os especialistas em ABA ensinam estratégias para tornar naturais as habilidades aprendidas em contextos terapêuticos.

As técnicas de ensino em ABA visam uma variedade de habilidades, incluindo resposta generalizada e comportamento criativo. Assim, um programa de qualidade ensinará as crianças a responder de maneira natural e criativa.

A seguir, veja detalhes de alguns tipos de técnicas de ensino da ciência ABA.

 

Ensino em ambiente natural

O ensino em ambiente natural é um método instrucional usado na terapia ABA que envolve trabalhar em um ambiente que a criança já está acostumada em sua vida cotidiana ou um ambiente que a criança prefere.

Ao usar este método, o terapeuta ensina habilidades por meio de brincadeiras. Por isso, requer que o terapeuta esteja muito ciente dos objetivos que seu aluno tem em seu repertório.

O ensino em ambiente natural ocorre quando há uma interação proposital com o ambiente para apoiar as habilidades que estão sendo treinadas.

Pesquisas indicam que o uso de ensino em ambiente natural aumenta a probabilidade de os alunos generalizarem suas habilidades ou usarem essas habilidades também fora da terapia.

 

Tentativa discreta

O Treinamento por Tentativa Discreta é uma prática baseada em evidências. Ela envolve fracionar as habilidades em suas partes mais básicas e ensiná-las às crianças, como se fosse um passo a passo.

As crianças recebem recompensas por todas as suas realizações, o que incentiva a aprender. É baseada na ciência ABA (Análise do Comportamento Aplicada).

Geralmente, é usado em crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) com idade que varia de 2 a 6 anos, mas pode ser eficaz em pessoas de qualquer idade.

Pesquisas mostram que a tentativa discreta apresenta efeitos positivos no comportamento de crianças autistas. É ainda mais eficaz quando combinada com outras práticas baseadas na ABA.

Entre as ações, estão:

  • Treinar habilidades de fala e linguagem e habilidades necessárias da vida cotidiana como ensina a vestir, usar utensílios e seguir instruções ou regras;
  • Treinar habilidades de escrita;
  • Ensinar os pais a lidar com o comportamento dos filhos;
  • Esse tipo de intervenção foca na base de aprendizagem sem erros;

O local deve ser um ambiente sem distrações e as instruções devem ser claras, concisas e objetivas. O reforço deve ser imediato logo após cada resposta correta.

 

Ensino Incidental

O ensino incidental é geralmente usado com crianças de 2 a 9 anos para melhorar a linguagem e outras habilidades de comunicação em crianças autistas. Também visa ajudar as crianças a transferir habilidades de uma situação para outra e incentivá-las a iniciar conversas.

Foi a primeira técnica de ensino naturalista e oferece uma alternativa às técnicas tradicionais, que ensinam as habilidades em ambientes muito controlados.

O ensino incidental é baseado na ideia de que, se uma habilidade for recompensada, a criança a usará com mais frequência. Ele depende dos interesses naturais da criança como base para o aprendizado.

Pesquisas mostram que essa abordagem tem efeitos positivos no comportamento de crianças autistas.

 

Referências:

https://www.appliedbehavioranalysisprograms.com/lists/5-techniques-used-in-applied-behavior-analysis/

https://raisingchildren.net.au/autism/therapies-guide/incidental-teaching

https://www.special-learning.com/article/incidental_teaching

https://www.autismspeaks.org/applied-behavior-analysis

 

Neurocientista que estuda o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) há quase 10 anos, Fabiele Russo é Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD) e Pós-doutorado pela USP. Possui ampla experiência na área do autismo.