A puberdade é uma fase muito importante e é o período de transição da fase infantil para a adolescência. E assim como ocorre com todas as pessoas, os autistas também vão passar por ela. Porém, pode ser que alguns precisem de suporte extra e orientações dos pais e cuidadores.

A puberdade normalmente começa entre 10-11 anos para meninas e entre 11-13 anos para meninos. Mas, é importante que desde cedo a criança autista seja acompanhada por profissionais que poderão auxiliar nesse processo de mudança.

Cabe aos pais, ter paciência para explicar as regras sociais de uma forma mais simples e nos mínimos detalhes para que o autista entenda como deve se comportar na sociedade.

A informação também deve ser passada de forma calma, clara e em um tom positivo. A criança ou jovem não deve ser sobrecarregada com as informações.

As crianças e os jovens autistas precisam aprender a diferença entre público e privado. E também como se comportar em cada ambiente, quais conversas são apropriadas, os hábitos de higiene e assuntos sobre sua sexualidade.

Mudanças corporais

O corpo de todas as pessoas muda durante a puberdade. Nos meninos há alterações na voz e crescimento do pênis. Já nas meninas, os seios crescem e a menstruação começa. E em ambos os sexos, a puberdade traz o crescimento de pelos, além da acne. 

Essas mudanças podem ser difíceis para qualquer pessoa. Mas para as crianças que estão no espectro do autismo essas mudanças corporais são bastante complexas.

Isso porque as pessoas com autismo geralmente não gostam de mudanças. Alguns pré-adolescentes e adolescentes têm dificuldade com a ideia de que seus corpos estão mudando.

É importante informar a seu filho com antecedência sobre as mudanças que ocorrerão quando ele atingir a puberdade.

O diálogo é fundamental e é preciso explicar situações práticas do dia a dia como ensinar sua filha a usar produtos de higiene feminina como absorventes ou que os meninos não devem se masturbar em público. 

Sexualidade

Durante a puberdade, a maioria das pessoas começa a ter desejo sexual. Mas para os autistas esses sentimentos podem ser confusos e causar ansiedade.

Os garotos também começam a se masturbar e podem não saber quando e onde é apropriado praticar. Pode ser útil comparar a masturbação com outras atividades que ele realiza sozinho em particular, como tomar banho ou ir ao banheiro.

Cabe aos pais discutir esse assunto com seu filho ou buscar ajuda especializada para iniciar a conversa.

É fundamental esclarecer que o sexo e a sexualidade são partes saudáveis ​​da vida. E as crianças e jovens com autismo devem se sentir à vontade para procurar os pais para ter informações sobre a sexualidade e seus sentimentos.

Outra questão é explicar sobre a segurança e os limites do corpo. A criança e jovem autista precisam entender a diferença entre “toque bom” e “toque ruim”.

Essa é uma maneira de ensinar onde e quando o corpo pode ser tocado, sempre com sua autorização. É uma forma de proteger a criança e jovem dos abusos sexuais e ensinar a respeitar seus corpos. É importante ensinar o contexto de um relacionamento sexual com uma linguagem adequada.

Relacionamentos amorosos

Geralmente, a paixão e os primeiros relacionamentos acontecem durante a puberdade. Os autistas, na maioria das vezes, desejam ter um relacionamento romântico e manter intimidade com outras pessoas.

No entanto, eles podem encontrar dificuldades de se relacionar e até mesmo enfrentar preconceitos. Isso porque há dificuldade de identificar seus sentimentos, de se comunicar e de reconhecer a linguagem corporal.

Mas, eles precisam entender desde cedo que podem (e devem) se envolver com outras pessoas e que essa interação é importante para seu desenvolvimento e que a troca e os relacionamentos amorosos serão fundamentais para seu amadurecimento.

Referências:

https://www.autismspeaks.org/expert-opinion/autism-teens-helping-your-child-through-puberty

https://autismawarenesscentre.com/teach-sexuality-person-asd

Neurocientista que estuda o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) há quase 10 anos, Fabiele Russo é Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD) e Pós-doutorado pela USP. Possui ampla experiência na área do autismo.