Problemas gastrointestinais são comuns em pessoas com TEA

Problemas gastrointestinais são comuns em pessoas com TEA

Você sabia que os problemas gastrointestinais são frequentes em  pessoas com autismo? Sabe-se que os distúrbios gastrointestinais estão entre as condições médicas mais comuns associadas ao autismo. É comum que apareçam constipações (prisões de ventre), diarreias e refluxos gastrointestinais, entre outras condições.

Esses problemas intestinais podem afetar pessoas com autismo de qualquer idade. Há diversas pesquisas relacionadas ao tema, mas as razões para isso acontecer ainda não estão totalmente claras. Estima-se que  as crianças com autismo têm mais de 3,5 vezes chances de sofrer com esses problemas do que as neurotípicas.

O que se sabe também é que quem tem TEA possui um desequilíbrio nas bactérias do intestino. Alguns estudos mostram que a microbiota intestinal de um autista é diferente, há uma alteração do equilíbrio da microbiota caracterizada pela perda de massa bacteriana benéfica.

Pesquisadores também revelaram que a atividade gastrointestinal de algumas crianças com autismo difere das outras porque suas células intestinais mostram anormalidades na forma como decompõem e transportam os carboidratos.

Além disso, seus intestinos abrigam grandes quantidades de algumas bactérias digestivas. Lembrando que as bactérias desempenham um papel importante na digestão e os níveis anormais podem causar problemas digestivos e inflamação intestinal.

Quais são os problemas mais comuns?

Constipação: conhecida também como prisão de ventre, ocorre quando a pessoa fica longos períodos sem evacuar. Por isso, causa grande desconforto e é uma condição séria. Em alguns casos, pode durar duas semanas ou mais.

As causas da constipação podem incluir uma dieta restrita que fornece poucas fibras insuficientes, o uso de medicamentos e problemas sensoriais ou comportamentais que interferem no uso do banheiro. Além disso, alguns autistas podem apresentar um trato intestinal mais lento, o que dificulta a evacuação regular. O tratamento pode incluir medicamentos e intervenções  comportamentais.

Diarreias: ocorre um aumento do número de evacuações que podem também perder sua consistência e se tornar mais aguadas. As causas podem variar — infecções, doenças inflamatórias intestinais, alergias alimentares, entre outras. E o tratamento muda conforme a causa, mas geralmente resolve-se com medicação.

Refluxo gastroesofágico: esse problema acontece quando há o retorno involuntário e repetitivo do conteúdo do estômago para o esôfago. Geralmente, causa desconforto e sensação de azia. O tratamento costuma ser o uso de medicamentos que diminuem a produção de ácido pelo estômago e favorecem o esvaziamento gástrico.

O que  pode ser feito para lidar com os problemas gastrointestinais

Além da dor e desconforto, esses problemas intestinais podem causar alterações no comportamento dos autistas. Por isso, é muito importante que os pais busquem ajuda profissional.

Alguns autistas não verbais podem ter dificuldade para demonstrar o que estão sentindo. E isso pode dificultar o diagnóstico. É importante ficar atento se a criança sente dor abdominal ou mudou de comportamento.

Cada caso deve ser avaliado individualmente para chegar a um tratamento adequado. Na maioria das vezes, as medicações podem aliviar os sintomas. A recomendação é buscar um acompanhamento médico e nutricional para mudar a dieta se necessário. E o uso de prebióticos e probióticos também tem sido recomendado para diminuir o mal-estar causado por esses problemas gastrointestinais.

Mas, fazer mudanças na dieta pode ser difícil quando uma criança autista tem problemas gastrointestinais e seletividade alimentar, por exemplo. Os nutricionistas e os médicos responsáveis devem indicar uma dieta que forneça a ingestão adequada de todos os nutrientes. O planejamento e a preparação de refeições nutritivas devem envolver toda a família.

Referências

https://www.autismspeaks.ca/about-autism/treatment/treatments-for-associated-medical-conditions/gi-disorders/

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5683266/

https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fpsyt.2019.00194/full

Posts Relacionados