Autismo e o mercado de trabalho

Ter um emprego é fundamental para que a pessoa consiga ser independente, tenha autonomia e liberdade para realizar seus sonhos e alcançar seus objetivos pessoais. Com as pessoas autistas não é diferente. Mas, encontrar um trabalho pode ser um desafio.

Mesmo que eles desenvolvam as suas potencialidades desde cedo, ainda há muita falta de informação e preconceito que podem barrar as chances de um autista conseguir um emprego e se manter no mercado de trabalho.

Para conseguir um emprego, um adulto com autismo provavelmente passará por mais obstáculos, testes e avaliações do que as pessoas neurotípicas. Além disso, os sinais do autismo podem se tornar um empecilho em muitas situações relacionadas ao trabalho.

Alguns adultos autistas sabem exatamente o que querem fazer, qual área de atuação gostariam de atuar, enquanto outros não têm ideia de qual trabalho desejam conquistar. Mas, assim como todas as outras pessoas, eles têm o direito de fazer escolhas e dirigir suas próprias vidas.

Mesmo que uma pessoa tenha habilidades verbais limitadas, é importante saber que o trabalho que está fazendo atende a seus interesses, habilidades e objetivos de vida.

Por isso, desde cedo, o autista precisa ter um acompanhamento para desenvolver suas habilidades e conseguir ser independente.

Entre as dificuldades encontradas no mercado de trabalho para os autistas, destacam-se: a ansiedade, desafios sensoriais, inflexibilidade na alteração da rotina, dificuldade em lidar com críticas, não conseguir interagir com os colegas e não conseguir se comunicar de forma efetiva.

No Brasil, não há pesquisas que falem sobre a quantidade de autistas no mercado de trabalho. Desde 2007, após a publicação da Convenção de Direitos das Pessoas com Deficiências, foi reconhecida a necessidade de “estímulo à inserção da pessoa com TEA no mercado de trabalho”.

Mas ainda não tem políticas públicas que tratem do assunto e reforcem a necessidade de ter um incentivo de contratação de pessoas com o TEA.

Dificuldades encontradas no ambiente de trabalho

Além disso, os autistas podem encontrar dificuldades dentro do ambiente de trabalho. É bastante comum que as pessoas com o TEA sofram discriminação dos colegas e de alguns empregadores. 

A satisfação e a produtividade do profissional com autismo dependem da adaptação de condições ambientais no trabalho – como a intensidade dos ruídos – e do suporte dos colegas de profissão. Mas, nem sempre os autistas encontram esse apoio.

Outra questão importante é sobre a remuneração. Os salários dos autistas, em média, costumam ser menores do que a de trabalhadores neurotípicos, a quantidade de horas trabalhadas é menor e não há panorama de crescimento profissional.

Há também falta de preparo vocacional para os autistas na adolescência. São poucos os autistas que conseguem ter conhecimento da área que desejam atuar e muitos ficam perdidos quando precisam optar por uma área de atuação.

Mas, a boa notícia é que muitas grandes empresas começaram a ver o valor da contratação de funcionários com o espectro do autismo.

Algumas vantagens que as empresas observam em empregados com autismo:

  • As pessoas com autismo têm facilidade em trabalhar com atividades rotineiras e processos padronizados, além de serem avessos ao descumprimento de normas estabelecidas no ambiente de trabalho; 
  • Se atrasam menos e são mais focados nas atividades;
  • Possuem alta capacidade de memorizar dados e processos relativos à sua atividade laboral;
  • Gostam de manter o ambiente de trabalho limpo e organizado;
  • São profissionais que se motivam com facilidade em relação às tarefas propostas e são capazes de ir além para buscar informações para completá-las;
  • Pensam de forma diferente e podem dar respostas que fujam do pensamento convencional;
  • Podem apresentar habilidades e conhecimento aprofundado em determinadas áreas.

Para quem tem o TEA, trabalhar ajuda na melhoria do desempenho cognitivo e garante maior qualidade de vida para o autista e sua família, além de melhorar suas condições financeiras. Por isso, o autista precisa desde cedo receber apoio para conseguir ingressar em um local de trabalho que o respeite e o ajude a ser autônomo e para que ele tenha todas as condições para contribuir com o crescimento da empresa.

Referências:

O processo e inclusão de autistas no mercado de trabalho, disponível em:

http://periodicos.pucminas.br/index.php/economiaegestao/article/view/15660/13069

https://www.verywellhealth.com/things-you-need-to-know-about-autism-and-employment-4159850

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Dra. Fabiele Russo

Neurocientista, especialista em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Pesquisadora na área do TEA há mais de 10 anos. Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado “sanduíche” no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD). Realizou 4 Pós-doutorados pela USP. É cofundadora da NeuroConecta e também, coautora do livro: Autismo ao longo da vida.