Você sabia que inicialmente, o autismo era enquadrado como uma forma de esquizofrenia? Obviamente, este conceito já foi refutado. No entanto, de acordo com pesquisas, a esquizofrenia é cerca de três vezes mais comum em indivíduos com autismo. 

A esquizofrenia pode ser considerada um transtorno psiquiátrico crônico. Por isso, as pessoas com esse transtorno apresentam distorções da realidade, podendo ter delírios ou alucinações.

Estima-se que atinja cerca de 1% da população mundial. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), são 20 milhões de pessoas atingidas por essa doença mental.

Ela pode ocorrer tanto em homens quanto mulheres de todas as faixas etárias. Em homens, é comum que os sintomas apareçam no final da adolescência. Já as mulheres podem surgir os sintomas na fase adulta, perto dos 20 ou 30 anos. 

As causas da esquizofrenia não são conhecidas. Porém, pesquisadores supõem que a genética, as mudanças químicas do cérebro e do meio ambiente contribuem com o desenvolvimento desse distúrbio.

Além disso, alguns fatores de risco aumentam as chances do surgimento da Esquizofrenia. São eles:

  • ter histórico familiar de esquizofrenia;
  • complicações durante a gravidez e o parto –desnutrição ou exposição a toxinas ou vírus que afetam o desenvolvimento cerebral;
  • consumo de drogas psicoativas ou psicotrópicas durante a adolescência e juventude que mexem com o funcionamento cerebral.

Quais são os sintomas?

Inicialmente, a pessoa pode se isolar dos amigos e familiares, apresentar dificuldade de foco e concentração, problemas de sono, se irritar facilmente e ter um baixo desempenho acadêmico.

Com o passar do tempo, surgem sintomas mais característicos da esquizofrenia e que são divididos em produtivos ou negativos.

Veja detalhes abaixo:

Sintomas produtivos

  • Alucinações a pessoa vê e vive experiências que parecem reais, mas são criadas por sua mente. Por isso, escutam vozes, enxergam pessoas que não estão lá, por exemplo.
  • Delírios – ilusões sobre algo, apesar das evidências ou  fatos em contrário.
  • Transtornos do pensamentoprocessam as informações de forma diferente.
  • Distúrbios do movimentorealiza movimentos corporais ou posturas estranhas.

Sintomas negativos

Envolvem as emoções e comportamentos. Entre eles, estão:

  • pensamento desorganizado;
  • dificuldade em controlar impulsos;
  • respostas emocionais atípicas;
  • falta de emoção ou expressões faciais;
  • perda de interesse pela vida;
  • isolamento social;
  • dificuldade para realizar as atividades do dia a dia.

Tipos esquizofrenia

Há quatro tipos de esquizofrenia: a paranoide, em que há alucinações e delírios; a hebefrênica – em que hápensamentos e discursos desconexos; a catatônica, onde a pessoa tem mais alterações posturais e resistência ao tentarem mudar a sua posição do indivíduo e a simples quando não há  delírios ou alucinações mas há perda de  afetividade e da capacidade de interagir com pessoas.

Diagnóstico e tratamento

É muito importante receber um diagnóstico precoce para ter mais qualidade de vida. Não há exames de imagem ou clínicos que identifiquem a esquizofrenia. Geralmente, o diagnóstico é realizado por um psiquiatra após análise dos sintomas e entrevistas com familiares.

A esquizofrenia não tem cura, mas existem tratamentos que conseguem controlar e reduzir os sintomas.

Geralmente, indicam-se alguns medicamentos e terapia para quem sofre com esquizofrenia.

Em casos mais graves e períodos de crise, a hospitalização pode ser necessária para garantir a segurança da pessoa e também ter a certeza que está se alimentando e realizando a higiene de forma adequada.

Se a esquizofrenia não for tratada, pode trazer problemas emocionais e afetar bastante a família da pessoa. Além disso, quem tem esquizofrenia pode ter depressão, ansiedade, pensar mais em suicídio, ter mais conflitos familiares e ate mesmo ser mais agressivo.

Sabe-se que pessoas com esquizofrenia têm de duas a três vezes mais probabilidade de morrer precocemente do que a população em geral. 

Além disso, frequentemente elas enfrentam um estigma, há discriminação e a violação dos direitos humanos de pessoas com esquizofrenia.

Referências

https://www.psychiatrictimes.com/view/autism-and-schizophrenia

https://www.spectrumnews.org/features/deep-dive/social-ties-autism-schizophrenia/

https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/schizophrenia

https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/schizophrenia/symptoms-causes/syc-20354443

Neurocientista que estuda o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) há quase 10 anos, Fabiele Russo é Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD) e Pós-doutorado pela USP. Possui ampla experiência na área do autismo.