Você já ouviu falar em intervenções baseadas em evidências para o autismo?

Resumidamente, trata-se de práticas ou procedimentos de instrução com resultados comprovados cientificamente, além de serem seguros.

Como já falamos algumas vezes, os autistas desenvolvem mais suas habilidades sociais e de comunicação quando são iniciados em intervenções precoces.

Essas estratégias podem ser aplicadas ao longo da vida e auxiliam nos comportamentos, na parte cognitiva e motora.

Além de contribuir com a preparação para a vida escolar, acadêmica, profissional e saúde mental do autista.

Abaixo, veja detalhes de 8 intervenções baseadas em evidências para o autismo.

 

Reforçamento

Muito usada na terapia ABA, trata-se de dar um estímulo para reforçar um comportamento adequado.

O reforço positivo leva em conta os gostos pessoais do autista. O reforço pode ser um elogio, um brinquedo, um abraço, um passeio, por exemplo. Mas deve ser apresentado logo após a execução do comportamento esperado.

 

PECS

Do inglês “Picture Exchange Communication System” (Sistema de Comunicação por Troca de Figuras), a intervenção utiliza recursos visuais como ferramenta para quem tem o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) poder se comunicar.

Seja para fazer um pedido, compartilhar um sentimento ou pensamento ou o que se deseje expressar, por meio do uso de imagens simples é possível estabelecer um diálogo estabelecido por uma criança ou adulto no espectro.

 

Extinção

Tem o objetivo de identificar a causa de um comportamento com a intenção de eliminá-lo, se ele não for adequado. É o caso de birras, gritos, choros, entre outros.

Para ser eficaz, é importante identificar o reforço que está mantendo aquele comportamento para retirá-lo.

Em seguida, é possível substituir um comportamento inadequado por um adequado, ensinando novas habilidades.

 

Integração sensorial

Pessoas com TEA podem ter dificuldades sensoriais que limitam suas habilidades no trabalho, família e lazer.

A prática de integração sensorial ajuda a criança com autismo a receber informações sensoriais que  organizam o sistema nervoso central. Com isso, melhora a resposta aos estímulos sensoriais.

 

Modelação

A modelagem em vídeo ou vídeo modelação trata-se de demonstrações gravadas em vídeo indicando uma habilidade ou comportamento para a criança ou jovem com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Pessoas com TEA costumam responder melhor a estímulos visuais. Ao assistir ao vídeo, elas entendem melhor como funcionam as habilidades ou comportamentos e passam a repeti-los.

 

Treino de habilidades sociais

Normalmente, os autistas não entendem como agir em determinadas situações sociais. Com o treino de habilidades sociais, o autista aprende as regras de jogos, como funciona uma conversa, a gerenciar suas emoções.

Aprendem também a fazer contato visual, a entender os sentimentos alheios, além de ter autocontrole e como resolver problemas, por exemplo.

 

Treinamento parental

Tem o intuito de sistematizar o repertório comportamental emitido pelos pais quanto ao manejo do comportamento dos filhos.

Dessa forma, são realizadas diversas orientações aos pais voltados ao comportamento, comunicação ou para fatores específicos relacionados ao sono, alimentação ou rotinas do autista.

 

Musicoterapia

Essa intervenção baseada em evidências científicas usa a música e seus componentes (melodia, harmonia e ritmo) para atender às necessidades físicas, emocionais, cognitivas e sociais dos autistas. Usa-se a música no contexto clínico, educacional e social.

Oferece caminhos de comunicação que podem ser úteis para aqueles que têm dificuldade em se expressar em palavras.

Os musicoterapeutas avaliam o bem-estar emocional, a saúde física, o funcionamento social, as habilidades de comunicação e as habilidades cognitivas por meio de respostas musicais.

 

Profissional capacitado e participação dos pais

Vale destacar que as intervenções baseadas em evidências devem ser realizadas por profissionais capacitados, especialistas em comportamento e principalmente em autismo.

As intervenções devem ser individualizadas, respeitando o autista. A família, responsáveis e professores também precisam acompanhar constantemente a evolução do autista. Muitas vezes, eles precisam realizar exercícios em casa ou na instituição de ensino.

E você, já conhecia essas intervenções baseadas em evidências? Não deixe de comentar!

 

Referências:

https://www.autismsociety-nc.org/treatment/

https://vcuautismcenter.org/resources/EBP.cfm

https://researchautism.org/use-of-evidence-based-practices/

 

Neurocientista que estuda o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) há quase 10 anos, Fabiele Russo é Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD) e Pós-doutorado pela USP. Possui ampla experiência na área do autismo.