Você já parou para pensar na importância das brincadeiras para o desenvolvimento da criança? Além de se divertir, ao brincar a criança usa as atividades lúdicas como um instrumento que potencializa o processo de aprendizagem.

Com as brincadeiras, a aprendizagem ocorre de forma mais rápida, já que a criança se sente motivada a realizar a atividade. Por isso, contribui com o desenvolvimento físico, emocional (afetivo), mental e social.

Ao brincar, as crianças estimulam o pensamento crítico, a linguagem e expandem o seu conhecimento, além de consciência corporal e emocional.

Portanto, a criança deve ser estimulada desde seu nascimento com atividades educativas  e brinquedos próprios para sua idade.

No caso dos autistas, as brincadeiras ajudam a criança ou jovem a aprender de uma forma natural e efetiva. Podem ajudá-la a interagir socialmente, melhorar a linguagem e também a diminuir comportamentos restritivos e repetitivos.

Entre as atividades lúdicas recomendadas estão:

  • pintura;
  • leituras;
  • jogos de tabuleiro;
  • fantoches;
  • quebra-cabeça;
  • massinhas;
  • esculturas;
  • mímica;
  • brinquedos de montar.

A seguir, veja como as brincadeiras contribuem para o aprendizado das crianças.

 

Desenvolvimento físico

Brincar com bola, pular, correr…atividades simples do dia a dia fazem com que a criança se movimente e ativam os músculos. Brincar contribui para que as crianças sejam mais ativas e saudáveis. Além de estimular a independência.

 

Desenvolvimento emocional (socialização)

As crianças quando brincam em grupo aprendem desde cedo a socializar, a conviver com os outros, a negociar, fazer escolhas e tomar decisões.

Normalmente, também contribui para desenvolver a autoconfiança, ajuda a controlar as emoções, reduz comportamentos impulsivos, reduz o estresse e aumenta a empatia.

 

Desenvolvimento cognitivo

Ao brincar, a criança treina as suas habilidades cognitivas: aprende a pensar, lembrar, prestar atenção e a solucionar problemas.

Além disso, as brincadeiras ajudam na imaginação, estimulam a criatividade, a concentração, persistência e resiliência.

Também contribui com o reconhecimento de formas, cores, medidas, contagem e reconhecimento de letras.

 

Outras habilidades

Brincar exige que a criança pense, use a linguagem, interaja, seja curiosa e explore o mundo ao redor. Com as atividades lúdicas, as crianças desenvolvem habilidades como:

  • compreensão das palavras;
  • aprendem a ouvir e falar;
  • desenham e rabiscam;
  • aumenta a autoconfiança;
  • aprendem a cuidar dos outros e do meio ambiente;
  • aprendem o significado de letras, palavras, símbolos, números e diferentes sinais.

 

Brincadeiras e brinquedos para quem está no espectro

As crianças e jovens com o Transtorno do Espectro do Autismo também devem brincar! Além de todos os benefícios citados, os brinquedos podem ajudar o autista a vencer a barreira sensorial.

Por isso, dependendo da experiência proposta na atividade, é possível que o autista melhore o seu comportamento, aprenda a lidar com alguma sensibilidade (visual, sonora ou que envolva cheiros e texturas).

Sempre que possível, opte por brincadeiras que estimulem a imaginação, como blocos de montar ou encaixar.

Os jogos também são uma opção: os eletrônicos, por exemplo, podem tocar músicas, repetir palavras, ajudar a reconhecer objetos, animais ou cores.

Já livros e quebra-cabeças possuem texturas e cores, que além de promover momentos de lazer, estimulam a criança.

No entanto, algumas crianças com autismo podem se sentir incomodadas com vários brinquedos ao mesmo tempo, algumas texturas e sons.

Por isso, é fundamental conhecer a criança com autismo, saber suas particularidades e restrições.

Geralmente, o melhor brinquedo ou atividade lúdica para a criança com autismo é aquela que a motiva a se engajar em algo. Quanto mais interativo e educativo for para a criança, melhor.

 

Referências:

https://www.parentingforbrain.com/benefits-play-learning-activities-early-childhood/

https://www.healthline.com/health/the-importance-of-play

https://raisingchildren.net.au/newborns/play-learning/play-ideas/why-play-is-important

 

Neurocientista que estuda o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) há mais de 10 anos, Fabiele Russo é Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado sanduíche no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD) e Pós-doutorado pela USP. Possui ampla experiência na área do autismo.