A teoria da mente é a habilidade de atribuir estados mentais – crenças, intenções, desejos a si próprio e aos outros. É compreender que os outros possuem crenças, desejos e intenções que são distintas das nossas. Resumidamente, é como alguém pensa e reage aos pensamentos de outras pessoas.

A teoria da mente é muito importante para o desenvolvimento infantil. Crianças muito pequenas muitas vezes, não conseguem pensar sobre os estados mentais dos outros.

No entanto, para interagir com outras pessoas, é necessário ser capaz de compreender seus estados mentais e pensar sobre como isso pode influenciar suas ações.

Estágios da teoria da mente

  • Entender que as razões pelas quais as pessoas podem querer algo podem ser diferentes de uma pessoa para outra.
  • Compreender que as pessoas podem ter crenças diferentes sobre a mesma situação.
  • Entender que as pessoas podem não compreender ou ter o conhecimento de que algo é verdadeiro.
  • Compreender que as pessoas podem ter falsas crenças sobre o mundo.
  • Entender que as pessoas podem ter emoções ocultas ou que podem agir de uma maneira enquanto se sentem de outra forma.

As pessoas diagnosticadas com autismo podem ter problemas para interpretar a teoria da mente. Isso porque sentem mais dificuldades de entender os sentimentos e pensamentos alheios, interpretar expressões faciais, entender as regras sociais e expressar suas próprias emoções.

Atividades que contribuem com a teoria da mente

A maneira como os pais e cuidadores conversam e brincam com seus filhos pode ajudá-los a compreender os pensamentos e sentimentos dos outros e também a ter mais empatia.

Veja abaixo sete atividades para ajudar a criança a desenvolver a Teoria da Mente.

1. Fantoches ou bonecos: brincar de simulação ajuda a criança a encenar conversas e vivenciar diferentes cenários. É possível encenar discussões, conversas, negociações e expressar sentimentos. Ajuda na compreensão de que as pessoas podem ter pensamentos, sentimentos e crenças diferentes dos nossos.

2. Leitura de livros: a criança pode ser estimulada a falar o que acha dos personagens da história e o que vai acontecer a seguir. É uma forma de ela ter empatia, se colocar no lugar do outro e explorar finais alternativos para a história ou diferentes cenários.

3. Histórias de faz de conta: invente histórias cheias de surpresas, piadas, inferências e conflitos. Também é interessante contar piadas ou usar metáforas para explicar que podemos dizer coisas em que não acreditamos necessariamente ou que não são necessariamente verdadeiras.

4. Explicar comportamentos do dia a dia: é importante falar sobre as emoções e pensamentos de outras pessoas e explicar as razões pelas quais alguém se comporta de determinada forma. E também como suas ações podem afetar os sentimentos das pessoas ao seu redor.

É necessário usar uma linguagem acessível e dar exemplos do dia a dia da criança. Exemplos: quando ela tira o brinquedo de uma criança sem pedir permissão ou se agride um coleguinha durante uma brincadeira. Mostrar que as pessoas ficam chateadas e se magoam com essas atitudes.

Cada vez que você interage e conversa com seu filho, você tem a oportunidade de colocar em palavras o que você está pensando e sentindo.

5. Esconde-esconde: se você tiver um espaço para jogar, considere adicionar essa brincadeira que permite mais movimento. É uma oportunidade de a criança ser estimulada a procurar pelo outro, disputar espaço e superar seus limites.

6. Vídeos e desenhos: coloque os vídeos ou desenhos prediletos para a criança assistir e pause por alguns momentos. Converse com a criança e pergunte o que ela acha que vai acontecer e o que as pessoas estão olhando ou pensando.

7. Observe os gostos de seu filho: para se conectar, as crianças precisam prestar atenção nas outras pessoas. Isso não pode acontecer se o pai ou a mãe estiver falando ou brincando com algo que seu filho não está interessado ou em que não está atento. Por isso, é necessário observar os interesses da criança.

Imagine o que seu filho está querendo, pensando ou sentindo, e fale algo sobre isso, como “Entendi, você quer ver TV”, “Não se preocupe. Você já vai brincar no quintal”.

Referências:

https://www.simplypsychology.org/theory-of-mind.html

https://www.verywellmind.com/theory-of-mind-4176826

https://blog.medel.com/develop-childs-theory-of-mind-skills

Neurocientista que estuda o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) há quase 10 anos, Fabiele Russo é Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD) e Pós-doutorado pela USP. Possui ampla experiência na área do autismo.