Já falamos aqui que as pessoas que se encontram no espectro precisam de diferentes intervenções terapêuticas. A terapia cognitiva-comportamental (TCC) pode ser uma ferramenta eficaz para os autistas. Você já ouviu falar sobre a TCC?

A TCC é uma abordagem terapêutica bastante procurada atualmente. Suas técnicas contribuem bastante para tratamento de doenças mentais como depressão e problemas psicológicos.

 

Como funciona?

foco da terapia cognitivo-comportamental é a reestruturação mental da pessoa. Geralmente, são realizadas diversas sessões com um psicólogo e segue-se uma abordagem estruturada e direcionada com tempo determinado.

A terapia, que é conduzida de acordo com um plano específico,  se aprofunda no passado e nas questões que ocorrem no presente. Geralmente, há um plano, uma meta e um tempo limitado para conseguir realizar mudanças.

Por meio da conversa e diálogo com o psicólogo, o indivíduo é encorajado a desafiar tanto suas crenças quanto seus pensamentos automáticos por meio de uma variedade de técnicas.

Além de entender melhor seus sentimentos e substituir os pensamentos negativos por outros mais positivos. E também ensaiar uma situação futura, passando por etapas como relaxamento, respiração profunda e um diálogo interno encorajador, que o ajudarão a lidar com a situação.

A TCC acredita que o que causa sofrimento psíquico é o modo como o indivíduo interpreta os fatos, ou seja, sua percepção de mundo dá origem aos seus conflitos emocionais.

Para desconstruir essas visões equivocadas e estruturar novos padrões mentais, o terapeuta alia teorias cognitivas e técnicas de modificação do comportamento.

Na TCC, o psicólogo ajuda a pessoa a entender seu problema, dividindo-o em partes menores. Como resultado disso, eles podem achar mais fácil ver como as partes estão conectadas e o impacto que elas têm em seus pensamentos e emoções.

Basicamente, a terapia cognitivo-comportamental pode ajudar os pacientes a gerenciar seus problemas, ajudando-os a reconhecer e entender como seus comportamentos, pensamentos e emoções afetam uns aos outros.

A TCC pode ser realizada em sessões individuais ou em grupos. Geralmente, as sessões de terapia ocorrem semanalmente ou quinzenalmente. A duração pode variar de 30 a 60 minutos.

 

Benefícios para os autistas

Diversas pesquisas realizadas em todo o mundo apontam que a TCC pode ser eficaz para os autistas, principalmente em relação à ansiedade. Esse problema emocional é bastante comum e prejudicial em pessoas com autismo. Em alguns casos, pode contribuir com comportamentos inadequados.

A TCC ajuda os autistas a gerenciar não apenas sua ansiedade, mas também quaisquer problemas emocionais que surgirem. Vale destacar que tanto as pessoas que estão no espectro quanto os pais e responsáveis podem se beneficiar da terapia no dia a dia.

Outros benefícios da terapia-cognitiva comportamental:

 

Lidar com situações estressantes

Crianças e adolescentes com autismo podem ter dificuldade em lidar com situações estressantes. A terapia cognitivo-comportamental pode ajudar a criança a identificar o que causa esse desconforto e a lidar melhor com diferentes cenários.

As crianças e jovens com autismo aprendem a lidar melhor com a ansiedade e medo que a acompanham. Normalmente, reduzem os pensamentos negativos e passam a ver as situações de uma forma mais positiva.

 

Mudar crenças negativas

Quem tem autismo, pode apresentar crenças falsas ou irracionais, incluindo pensamentos negativos. Algumas dessas crenças incluem o pensamento “tudo ou nada”. Geralmente, vê apenas os extremos de uma situação.

A terapia ajuda a lidar melhor com o pensamento negativo e a aprender que se falhar em uma tarefa, não indica que falhará em todas.

E você, conhece algum autista que faça terapia-cognitiva comportamental?

 

Referências:

https://iancommunity.org/cs/simons_simplex_community/cognitive_behavioral_therapy

 

https://www.news-medical.net/health/Cognitive-Behavioral-Therapy-for-Autism.aspx

 

https://www.nhs.uk/mental-health/talking-therapies-medicine-treatments/talking-therapies-and-counselling/cognitive-behavioural-therapy-cbt/how-it-works/

 

 

Neurocientista que estuda o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) há mais de 10 anos, Fabiele Russo é Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado sanduíche no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD) e Pós-doutorado pela USP. Possui ampla experiência na área do autismo.