Como a função executiva influencia o aprendizado?

A função executiva é um conjunto de habilidades cognitivas necessárias para o autocontrole e o gerenciamento de comportamentos. Essas habilidades incluem memória de trabalho e flexibilidade mental.

Essas funções permitem que as pessoas sigam instruções, se concentrem, controlem as emoções e alcancem objetivos.

As funções executivas desempenham um papel importante em muitas áreas diferentes da vida.

Entre as ações estão: analisar informações, se concentrar, fazer planos, acompanhar comportamentos, prestar atenção, ter foco, gerenciar o tempo, manter a organização e lembrar detalhes importantes.

O termo é uma metáfora que vem do mundo dos negócios, sugerindo que as funções executivas organizam nossas vidas, afeta a forma como planejamos e executamos os planos.

As funções executivas podem ser divididas em habilidades organizacionais e regulatórias.

A organização inclui a coleta de informações e sua estruturação para avaliação.

Já a regulação envolve a avaliação das informações disponíveis e como respondemos ao meio ambiente.

Como afeta o aprendizado

A perda desse  controle administrativo afeta a capacidade de organizar e regular vários tipos de informações. Muitas vezes, causa mudanças comportamentais e dificuldades de aprendizagem.

Abaixo, estão alguns sinais de que a função executiva não está funcionando adequadamente e atrapalhando o aprendizado:

  • Dificuldade em planejar e concluir projetos;
  • Problemas para entender quanto tempo um projeto levará para ser concluído;
  • Esforço para contar uma história na sequência certa com detalhes importantes e detalhes;
  • Problemas para comunicar detalhes de maneira organizada e sequencial;
  • Dificuldade para iniciar atividades ou tarefas ou gerar ideias de forma independente;
  • Dificuldade em reter informações, como lembrar um número de telefone ao discar;
  • Dificuldade de planejamento e iniciar a ação;
  • Incapacidade de realizar várias tarefas ao mesmo tempo;
  • Incapacidade de aprender com as consequências de ações anteriores;
  • Dificuldade com conceitos abstratos.

Vale destacar que não há uma avaliação única que identifique todas as diferentes características do funcionamento executivo.

Por isso, o diagnóstico de problemas no funcionamento executivo provavelmente envolverá vários testes e avaliações.

Problemas na função executiva

Como uma orquestra, cada uma das funções executivas trabalha em conjunto em várias combinações. Quando uma área é prejudicada, afeta as outras.

Se uma pessoa apresenta déficits em uma dessas funções executivas essenciais, isso afetará sua aprendizagem.

Quando há problemas com essas habilidades, as pessoas podem ter dificuldades em diferentes áreas da vida, incluindo escola, trabalho e relacionamentos.

Deficiências nas funções executivas podem ter um grande impacto na capacidade de realizar tarefas como planejamento, priorização, organização, atenção e lembrança de detalhes e controle de reações emocionais.

Quando pode ocorrer

É bastante comum que as pessoas com autismo apresentam dificuldade com o funcionamento executivo. Eles  podem ter problemas com planejamento, organização, sequenciamento de informações e emoções autorreguladoras.

Algumas pesquisas apontam que até 80% das pessoas com autismo sofrem de distúrbio das funções executivas, o que dificulta o gerenciamento do tempo e a conclusão de tarefas.

Além disso, os déficits de função executiva podem ocorrer como resultado de uma variedade de condições neurológicas, incluindo lesão cerebral traumática, doenças neurodegenerativas, incluindo demência frontotemporal, doença cerebrovascular.

Pessoas com transtornos psiquiátricos e de desenvolvimento, incluindo transtorno obsessivo-compulsivo, síndrome de Tourette, depressão, esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção também entram na lista.

Referências:

https://www.autismspeaks.org/executive-functioning

https://autismawarenesscentre.com/executive-function-what-is-it-and-how-do-we-support-it-in-those-with-autism-part-i/

 

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Dra. Fabiele Russo

Neurocientista, especialista em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Pesquisadora na área do TEA há mais de 10 anos. Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado “sanduíche” no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD). Realizou 4 Pós-doutorados pela USP. É cofundadora da NeuroConecta e também, coautora do livro: Autismo ao longo da vida.