A epilepsia é uma alteração do funcionamento do córtex do cérebro. Sabe-se que ocorre quando os neurônios disparam um monte de descargas elétricas que resultam em perda de consciência súbita e movimentos involuntários.

A doença afeta 1% da população em geral, o que significa que um em cada 100 brasileiros tem epilepsia. E essa condição pode se manifestar igualmente entre homens e mulheres, desde a infância até a idade avançada.

A epilepsia consiste em crises que podem ser convulsivas ou não, que podem durar de segundos a minutos. Portanto a crise epiléptica pode ter manifestação motora (convulsão) ou pode ter apenas uma crise de ausência sem manifestação motora (sem convulsão).

A epilepsia é uma comorbidade bastante comum em pessoas com o autismo, ou seja, as duas condições aparecem ao mesmo tempo na mesma pessoa. Aproximadamente 30-40% das pessoas com autismo apresentam epilepsia também. Quanto mais grave o autismo maior o risco para epilepsia.

As crises de epilepsia estão associadas a riscos de acidentes, traumas, crises prolongadas e morte súbita. Também é comum que a pessoa apresente depressão e ansiedade.

Qual é a relação com o autismo?

Ambas as condições compreendem um transtorno que tem conexão com o cérebro. Estudos destacam que diversas mutações genéticas estão relacionadas com autismo e epilepsia. Sabe-se que há uma disfunção nas sinapses, que são as conexões entre os neurônios. Por isso, há um funcionamento inadequado do cérebro. 

Algumas das alterações cerebrais associadas ao autismo também causam essas convulsões.

Todos os tipos de convulsões foram observados em pessoas com autismo. Estima-se que quase um terço das pessoas com autismo pode apresentar epilepsia.

Muitas pesquisas estão sendo realizadas no momento sobre o assunto para entender melhor qual é a ligação entre as duas condições. As crianças e adultos com as duas condições costumam ter os sintomas de autismo mais severos, são hiperativos e possuem um quociente de inteligência (QI) mais baixo em comparação com aqueles que não têm epilepsia.

Sinais de epilepsia

Os sintomas e sinais da epilepsia dependem da região cerebral onde a crise epiléptica começa e, por isso, eles são variados. Veja alguns abaixo:

  • Mudança de olhar;
  • Movimentos involuntários como membros rígidos;
  • Confusão sem causa aparente;
  • Dores de cabeça severas;
  • Sonolência e perturbações do sono;
  • Estiramento nos músculos;
  • Irritabilidade ou agressividade.

Algumas situações podem facilitar o aparecimento das crises epilépticas. Entre elas, estão o estresse, a falta de sono e o uso de alguns tipos de medicamentos.

Diagnóstico

O diagnóstico de epilepsia em quem tem autismo pode ser bastante desafiador. Isso porque as pessoas com autismo têm dificuldade em reconhecer e comunicar seus sintomas.

Além disso, diagnosticar epilepsia em pessoas autistas é complicado porque os movimentos estereotipados comuns ao autismo podem ser confundidos com ataques epilépticos. E as pessoas autistas podem ter dificuldade em tolerar testes de epilepsia.

Vários estudos sugerem que crianças com autismo e deficiência intelectual têm maior probabilidade de ter epilepsia do que outras crianças autistas.

Se você suspeita que seu filho esteja apresentando sinais de Epilepsia procure o mais rápido possível um neurologista pediátrico.

Provavelmente, o neurologista solicitará um eletroencefalograma, que é um exame não invasivo que envolve a colocação de eletrodos na cabeça de um indivíduo para monitorar a atividade no cérebro. 

Como é o tratamento

A epilepsia é geralmente tratada com medicamentos antiepilépticos que diminuem a gravidade e a frequência das convulsões em crianças. 

Indivíduos com autismo e epilepsia que não recebem o tratamento adequado correm maior risco de desenvolver problemas de saúde geral e, em circunstâncias extremas, de morte prematura. 

Em comparação com aquelas sem convulsões, as crianças com autismo e convulsões também são mais propensas a ter dificuldades para dormir e problemas de comportamento.  Por isso, é muito importante realizar acompanhamento constante com especialistas e fazer as interveções necessárias.

Referências:

https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/j.1528-1167.2005.57504.x

https://www.spectrumnews.org/news/the-link-between-epilepsy-and-autism-explained

https://www.epilepsy.com/article/2017/3/epilepsy-and-autism-there-relationship

Neurocientista que estuda o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) há quase 10 anos, Fabiele Russo é Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD) e Pós-doutorado pela USP. Possui ampla experiência na área do autismo.