A Análise do Comportamento Aplicada (Applied Behavior Analysis – ABA) é uma das principais intervenções usadas para desenvolver as habilidades de uma pessoa com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

A ABA tem comprovação científica e melhora comportamentos socialmente importantes.  Por isso, a ABA permite que quem está no espectro tenha suas habilidades aperfeiçoadas. Além disso, ajuda no controle das limitações e contribui para que o autista consiga se desenvolver e ser mais independente.

Resumidamente, a ABA atua com procedimentos e intervenções destinados a aumentar comportamentos positivos e ensinar novas habilidades. Assim, o autista consegue integrar a novos ambientes e reduzir comportamentos prejudiciais como é o caso da autoagressão.

Mas, você sabia que existem diferentes abordagens de ABA? A terapia pode ser mais estruturada ou ser mais lúdica e aplicada por meio de brincadeiras.  A seguir, veja detalhes e principais diferenças do ABA estruturado e o ABA naturalista.

Como funciona o ABA Estruturado

Assim como o próprio nome já diz, o ABA estruturado segue uma estrutura com começo, meio e fim da atividade proposta e envolve diversas oportunidades de aprendizado.

A ABA estruturada é focada nas habilidades que o aluno tem de desenvolver. Logo no início da sessão, sabem-se quais são os objetivos que serão trabalhados e os materiais que devem ser usados.

Dessa forma, o terapeuta controla o ambiente, as habilidades a serem estimuladas e como as atividades serão aplicadas.

O objetivo é aumentar o aprendizado e minimizar as distrações. O ensino estruturado pode ser realizado ou não em uma mesa, de forma individual ou em grupo.

Saiba mais sobre o ABA naturalista

Já a ABA naturalista pode ser considerada o oposto do Estruturado, uma vez que não há um controle da sessão. A terapia ocorre de acordo com a motivação da criança ou jovem autista.

Ele é chamado de naturalista já que o autista tem controle da situação e geralmente envolve uma atividade que é reforçadora para ela.

Nesses casos, a intervenção pode ser aplicada em todas as rotinas ou atividades diárias para melhorar as habilidades de um indivíduo com autismo ou diminuir comportamentos inadequados. O terapeuta costuma observar a criança em suas rotinas e atividades diárias típicas.

Em seguida, anota as rotinas ou atividades específicas com as quais a criança tem dificuldade. Em seguida, ele avalia as habilidades que a criança pode se beneficiar ao aprender ou quais problemas comportamentais específicos a criança está apresentando.

Dessa forma, a criança aprende novas habilidades no contexto das atividades comuns da vida diária. Como acontece com qualquer intervenção de análise do comportamento aplicada, o reforço positivo é um componente necessário.

Na intervenção naturalística, o reforço positivo deve ser incluído no contexto da atividade em foco. Um item ou atividade preferida da criança deve fazer parte da intervenção.

Dessa forma, pode ser usado para aumentar as habilidades sociais, de linguagem e de comunicação, a solicitar, a praticar a atenção conjunta e diminuir comportamentos prejudiciais.

Qual é melhor: Estruturado ou Naturalista?

Não existe melhor ou pior técnica usada em ABA. O intuito é contribuir com uma melhora nas interações sociais, aprender novas competências e manter comportamentos positivos.

Em linhas gerais, a ABA é cientificamente comprovada, existindo há mais de 50 anos.

Cada autista é único e a ciência ABA pode contribuir para ajudá-lo a se desenvolver e ser independente. A frequência e a intensidade de terapêuticas com ABA são definidas com base no perfil de cada pessoa.

O grau de autismo também é levado em conta, bem como as características individuais.

Independentemente de ser o ABA estruturado ou naturalista, é fundamental buscar a avaliação de um profissional capacitado.

Assim, o terapeuta poderá decidir o que será mais funcional para o autista e começará a trabalhar as limitações e habilidades.

 

 

 

Referências:

https://raisingchildren.net.au/autism/therapies-guide/abahttps://www.autismspeaks.org/applied-behavior-

analysishttps://www.psychologytoday.com/us/therapy-types/applied-behavior-analysis

 

Neurocientista que estuda o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) há quase 10 anos, Fabiele Russo é Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD) e Pós-doutorado pela USP. Possui ampla experiência na área do autismo.