Quando é preciso realizar uma avaliação neuropsicológica?

A avaliação neuropsicológica tem o objetivo de mensurar e descrever o desempenho cognitivo. Ela avalia as suspeitas de alterações cognitivas que podem ocorrer devido às desordens neurológicas ou outros transtornos.

Essa avaliação é realizada por meio de testes neuropsicológicos padronizados. Geralmente, é feita por um neuropsicólogo, que avalia o funcionamento cognitivo, checa as habilidades e dificuldades específicas do indivíduo.

Em quais casos, se indica uma avaliação neuropsicológica?

A avaliação neuropsicológica é solicitada quando há suspeita de alguma desordem neurológica como demências, acidentes vasculares cerebrais (AVC), traumatismos cerebrais ou outras condições como Transtorno do Espectro do Autismo, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade e deficiências de aprendizagens.

Além disso, faz um diagnóstico diferencial entre uma síndrome psicológica e uma neurológica. Consegue também verificar a recuperação cognitiva ou evolução de uma desordem neurológica.

Pode ser indicada quando a pessoa tem problemas para se concentrar ou tomar decisões. Na avaliação neuropsicológica o especialista avalia também:

  • a capacidade de pensar, compreender, aprender e lembrar;
  • a memória;
  • a função motora;
  • a habilidade verbal;
  • a capacidade de resolver problemas;
  • habilidades de leitura;
  • uso da linguagem e compreensão do que os outros dizem;
  • habilidades visuoespaciais;
  • humor e personalidade.

Como é realizada

O neuropsicólogo conversa com a pessoa ou familiar para entender o histórico médico para entender mais sobre o funcionamento cognitivo (mental).

São realizados testes que podem envolver escrever ou desenhar, resolver quebra-cabeças ou responder a perguntas.

A pessoa também preenche questionários sobre o seu humor e sintomas psicológicos. Depois, o neuropsicólogo escreve um relatório com os resultados e inclui as recomendações para melhorar a cognição e pode encaminhar para outros profissionais.

A duração da avaliação varia, podendo levar de uma a oito horas, dependendo do quadro e dificuldades da pessoa.

Para realizar o diagnóstico do autismo

Se uma criança está enfrentando dificuldades e os pais ou educadores suspeitam que ela tenha o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), uma avaliação neuropsicológica com certeza ajudará nesse processo.

A avaliação neuropsicológica pode contribuir para o diagnóstico correto do autismo. Normalmente, é realizada com base na observação, histórico e nas queixas do paciente e dos pais.

A avaliação da inteligência é fundamental para qualquer avaliação neuropsicológica. Mas, a análise do perfil cognitivo é muito mais importante do que a medição do quociente de inteligência (QI). Por isso, avaliam-se as funções cognitivas individuais da pessoa.

Quando envolvem crianças e adolescentes, geralmente a avaliação neuropsicológica é feita com a presença dos pais. Inicialmente são coletados os dados do paciente – e as perguntas abrangem desde o nascimento até os dias atuais.

Em seguida, os especialistas aplicam testes e usam ferramentas de diagnóstico para compreender as funções cognitivas, como funciona a memória, a atenção, o planejamento, entre outros fatores.

É comum também que o neuropsicólogo converse com outros profissionais que convivem com a criança como professores e pediatras para entender melhor como ela se comporta.

As pontuações dos testes são interpretadas no contexto de outras informações. Alguns déficits não podem ser quantificados. As habilidades sociais, por exemplo, são avaliadas em grande parte por meio da observação de comportamentos.

Após a conclusão da avaliação, os pais são orientados e os profissionais indicam as medidas e terapêuticas adequadas para cada caso.

Referências:

https://my.clevelandclinic.org/health/diagnostics/4893-neuropsychological-testing–assessment

https://www.aane.org/guidelines-neuropsychological-evaluations-children-teens/

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Quais são os tipos de Ensino em ABA?

A Análise de Comportamento Aplicada (ABA) trata-se de uma ciência comprovada que possibilita compreender as ações e habilidades no espectro autista. E também como elas podem ser influenciadas pelo meio ambiente.

Esta forma de intervenção, que já existe há mais de 50 anos, pode contribuir com uma melhora nas interações sociais, aprendizagem de novas competências e manter comportamentos positivos.

A ABA é uma ciência que estuda as leis que regem a interação do indivíduo com o ambiente e após uma análise dos comportamentos é possível traçar um plano de ação para modificá-los.

A maioria das pessoas acredita que a terapia ABA envolve uma série de exercícios repetitivos, resultando em uma forma específica de resposta e comportamentos rígidos. Porém, as técnicas aplicadas nem ABA são planejadas para cada autista de forma individualizada.

Os especialistas em ABA ensinam estratégias para tornar naturais as habilidades aprendidas em contextos terapêuticos.

As técnicas de ensino em ABA visam uma variedade de habilidades, incluindo resposta generalizada e comportamento criativo. Assim, um programa de qualidade ensinará as crianças a responder de maneira natural e criativa.

A seguir, veja detalhes de alguns tipos de técnicas de ensino da ciência ABA.

Ensino em ambiente natural

O ensino em ambiente natural é um método instrucional usado na terapia ABA que envolve trabalhar em um ambiente que a criança já está acostumada em sua vida cotidiana ou um ambiente que a criança prefere.

Ao usar este método, o terapeuta ensina habilidades por meio de brincadeiras. Por isso, requer que o terapeuta esteja muito ciente dos objetivos que seu aluno tem em seu repertório.

O ensino em ambiente natural ocorre quando há uma interação proposital com o ambiente para apoiar as habilidades que estão sendo treinadas.

Pesquisas indicam que o uso de ensino em ambiente natural aumenta a probabilidade de os alunos generalizarem suas habilidades ou usarem essas habilidades também fora da terapia.

Tentativa discreta

O Treinamento por Tentativa Discreta é uma prática baseada em evidências. Ela envolve fracionar as habilidades em suas partes mais básicas e ensiná-las às crianças, como se fosse um passo a passo.

As crianças recebem recompensas por todas as suas realizações, o que incentiva a aprender. É baseada na ciência ABA (Análise do Comportamento Aplicada).

Geralmente, é usado em crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) com idade que varia de 2 a 6 anos, mas pode ser eficaz em pessoas de qualquer idade.

Pesquisas mostram que a tentativa discreta apresenta efeitos positivos no comportamento de crianças autistas. É ainda mais eficaz quando combinada com outras práticas baseadas na ABA.

Entre as ações, estão:

  • Treinar habilidades de fala e linguagem e habilidades necessárias da vida cotidiana como ensina a vestir, usar utensílios e seguir instruções ou regras;
  • Treinar habilidades de escrita;
  • Ensinar os pais a lidar com o comportamento dos filhos;
  • Esse tipo de intervenção foca na base de aprendizagem sem erros;

O local deve ser um ambiente sem distrações e as instruções devem ser claras, concisas e objetivas. O reforço deve ser imediato logo após cada resposta correta.

Ensino Incidental

O ensino incidental é geralmente usado com crianças de 2 a 9 anos para melhorar a linguagem e outras habilidades de comunicação em crianças autistas. Também visa ajudar as crianças a transferir habilidades de uma situação para outra e incentivá-las a iniciar conversas.

Foi a primeira técnica de ensino naturalista e oferece uma alternativa às técnicas tradicionais, que ensinam as habilidades em ambientes muito controlados.

O ensino incidental é baseado na ideia de que, se uma habilidade for recompensada, a criança a usará com mais frequência. Ele depende dos interesses naturais da criança como base para o aprendizado.

Pesquisas mostram que essa abordagem tem efeitos positivos no comportamento de crianças autistas.

Referências:

https://www.appliedbehavioranalysisprograms.com/lists/5-techniques-used-in-applied-behavior-analysis/

https://raisingchildren.net.au/autism/therapies-guide/incidental-teaching

https://www.special-learning.com/article/incidental_teaching

https://www.autismspeaks.org/applied-behavior-analysis

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Cuidado com a fake news: veja o que não trata o autismo

Se você tem um filho ou filha com Transtorno do Espectro do Autismo, provavelmente já ouviu alguma dica de tratamento milagroso que “cura” o Autismo. Primeiramente, vale a pena reforçar que o autismo não é uma doença, ou seja, não pode ser curado. E o que melhora as habilidades e qualidade de vida dos autistas são intervenções precoces e práticas baseadas em evidências.

Mas, o que não faltam são notícias falsas sobre o assunto que podem até mesmo colocar a saúde das crianças em risco. É muito importante que os pais e responsáveis fiquem atentos e tirem dúvidas com os profissionais  especialistas na área e sigam suas orientações.

Ao receber um diagnóstico de autismo, os pais podem ser influenciados a usar produtos inadequados como solução de um problema real. Muitos encontram informações falsas e buscam apoio em outros pais que, do mesmo modo, passam pela mesma situação.

Em conclusão, por falta de conhecimento, desespero ou medo, os pais podem cair nessas ciladas, se iludirem e complicar a saúde dos seus filhos.

Vale a pena reforçar que nenhum relato pessoal, mesmo de pessoas muito próximas, deve se comparar a estudos científicos  que levam anos para serem comprovados. É importante acreditar na ciência e nas pesquisas de instituições reconhecidas e que são realizadas em todo o mundo.

A seguir, veja detalhes de algumas fake news de tratamentos do autismo.

MMS

A sigla vem do inglês Mineral Miracle Solution (Solução Mineral Milagrosa “cura”) e é uma substância vendida como medicamento que possui uma composição parecida com a água sanitária.

Infelizmente, essa substância se tornou popular entre os familiares de pessoas com autismo. Alguns pais e cuidadores acreditam que as crianças poderiam ser curadas ao ingerir o MMS.

É importante esclarecer que não há comprovação científica dos benefícios do MMS para o autismo ou qualquer outra condição de saúde. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) até mesmo proibiu a venda do produto.

O falso medicamento é dado para as crianças via oral ou retal e podem fazer muito mal para o organismo. Alguns especialistas relatam que o uso contínuo deixa a pessoa debilitada, provoca picos de anemia e até morte.

Câmara hiperbárica

A técnica envolve respirar oxigênio em uma câmara pressurizada e com a intenção de melhorar os sintomas do autismo. É um recurso bastante caro, e não há nenhuma comprovação científica.

 

Quelação

Usa medicamentos pesados com a intenção de remover metais tóxicos. Supostamente, os metais seriam os responsáveis pelo autismo. Eles podem ser encontrados em várias formas: sprays, supositórios, cápsulas, gotas e banhos de argila.

Obviamente, não há comprovação científica sobre o assunto. Além disso, a quelação de minerais pode provocar problemas renais, hepáticos e até levar a uma parada cardíaca. É muito perigoso!

 

Ômega 3

Algumas pessoas acreditam que o suplemento ômega 3 poderia amenizar os sintomas de autismo.

No caso do ômega 3 supõe-se que ele contribui com o funcionamento do cérebro e reduz o déficit de linguagem em autistas. No entanto, não há nenhuma comprovação científica sobre os seus benefícios para os autistas.

Pelo contrário, diversos estudos apontam que a suplementação com ômega 3 não causou qualquer melhoria de sintomas em autistas como agressividade e hiperatividade, mesmo após seis meses de uso.

Além disso, os cientistas não encontraram evidências de que o ômega 3 melhore a interação social, a comunicação e os comportamentos estereotipados.

Intervenções na dieta

Há ainda a lenda de que realizar mudanças na alimentação pode curar o autismo. Muitas pessoas apostam em intervenções na dieta como excluir o glúten (presente nos cereais) ou a caseína (proteína do leite).

Algumas pessoas apresentam algum tipo de alergia a esses itens e não podem consumir os alimentos derivados. Mas, não existem evidências científicas que associam o glúten e a caseína ao autismo. Nem é possível afirmar que a dieta do autista deve ser alterada. Somente em casos de alergias ou intolerância.

É sempre importante fazer o acompanhamento com nutricionistas especialistas para que a pessoa tenha uma boa alimentação e mais saúde.

Dicas para evitar cair em golpes de tratamentos milagrosos

  • Desconfie de produtos que afirmam tratar uma ampla gama de doenças;
  • Os testemunhos pessoais não substituem as evidências científicas;
  • Poucas condições podem ser tratadas rapidamente. Portanto, desconfie de qualquer terapia alegada como uma “solução rápida”.
  • As chamadas “curas milagrosas”, que alegam ter ingredientes secretos, são provavelmente uma farsa.
  • Pode ser feito por qualquer pessoa sem qualificações.
  • Essas terapias “milagrosas” normalmente custam muito dinheiro e não são acessíveis.

Referências:

https://www.fda.gov/consumers/consumer-updates/be-aware-potentially-dangerous-products-and-therapies-claim-treat-autism

https://www.healthline.com/health-news/parents-warned-about-bleach-therapy-for-autism#4

https://www.nhs.uk/conditions/autism/autism-and-everyday-life/fake-and-harmful-treatments/

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Conheça algumas intervenções baseadas em evidências científicas para o autismo

Você já ouviu falar em intervenções baseadas em evidências para o autismo?

Resumidamente, trata-se de práticas ou procedimentos de instrução com resultados comprovados cientificamente, além de serem seguros.

Como já falamos algumas vezes, os autistas desenvolvem mais suas habilidades sociais e de comunicação quando são iniciados em intervenções precoces.

Essas estratégias podem ser aplicadas ao longo da vida e auxiliam nos comportamentos, na parte cognitiva e motora.

Além de contribuir com a preparação para a vida escolar, acadêmica, profissional e saúde mental do autista.

Abaixo, veja detalhes de 8 intervenções baseadas em evidências para o autismo.

Reforçamento

Muito usada na terapia ABA, trata-se de dar um estímulo para reforçar um comportamento adequado.

O reforço positivo leva em conta os gostos pessoais do autista. O reforço pode ser um elogio, um brinquedo, um abraço, um passeio, por exemplo. Mas deve ser apresentado logo após a execução do comportamento esperado.

 

PECS

Do inglês “Picture Exchange Communication System” (Sistema de Comunicação por Troca de Figuras), a intervenção utiliza recursos visuais como ferramenta para quem tem o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) poder se comunicar.

Seja para fazer um pedido, compartilhar um sentimento ou pensamento ou o que se deseje expressar, por meio do uso de imagens simples é possível estabelecer um diálogo estabelecido por uma criança ou adulto no espectro.

 

Extinção

Tem o objetivo de identificar a causa de um comportamento com a intenção de eliminá-lo, se ele não for adequado. É o caso de birras, gritos, choros, entre outros.

Para ser eficaz, é importante identificar o reforço que está mantendo aquele comportamento para retirá-lo.

Em seguida, é possível substituir um comportamento inadequado por um adequado, ensinando novas habilidades.

 

Integração sensorial

Pessoas com TEA podem ter dificuldades sensoriais que limitam suas habilidades no trabalho, família e lazer.

A prática de integração sensorial ajuda a criança com autismo a receber informações sensoriais que  organizam o sistema nervoso central. Com isso, melhora a resposta aos estímulos sensoriais.

Modelação

A modelagem em vídeo ou vídeo modelação trata-se de demonstrações gravadas em vídeo indicando uma habilidade ou comportamento para a criança ou jovem com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Pessoas com TEA costumam responder melhor a estímulos visuais. Ao assistir ao vídeo, elas entendem melhor como funcionam as habilidades ou comportamentos e passam a repeti-los.

Treino de habilidades sociais

Normalmente, os autistas não entendem como agir em determinadas situações sociais. Com o treino de habilidades sociais, o autista aprende as regras de jogos, como funciona uma conversa, a gerenciar suas emoções.

Aprendem também a fazer contato visual, a entender os sentimentos alheios, além de ter autocontrole e como resolver problemas, por exemplo.

Treinamento parental

Tem o intuito de sistematizar o repertório comportamental emitido pelos pais quanto ao manejo do comportamento dos filhos.

Dessa forma, são realizadas diversas orientações aos pais voltados ao comportamento, comunicação ou para fatores específicos relacionados ao sono, alimentação ou rotinas do autista.

 

Musicoterapia

Essa intervenção baseada em evidências científicas usa a música e seus componentes (melodia, harmonia e ritmo) para atender às necessidades físicas, emocionais, cognitivas e sociais dos autistas. Usa-se a música no contexto clínico, educacional e social.

Oferece caminhos de comunicação que podem ser úteis para aqueles que têm dificuldade em se expressar em palavras.

Os musicoterapeutas avaliam o bem-estar emocional, a saúde física, o funcionamento social, as habilidades de comunicação e as habilidades cognitivas por meio de respostas musicais.

 

Profissional capacitado e participação dos pais

Vale destacar que as intervenções baseadas em evidências devem ser realizadas por profissionais capacitados, especialistas em comportamento e principalmente em autismo.

As intervenções devem ser individualizadas, respeitando o autista. A família, responsáveis e professores também precisam acompanhar constantemente a evolução do autista. Muitas vezes, eles precisam realizar exercícios em casa ou na instituição de ensino.

E você, já conhecia essas intervenções baseadas em evidências? Não deixe de comentar!

Referências:

https://www.autismsociety-nc.org/treatment/

https://vcuautismcenter.org/resources/EBP.cfm

https://researchautism.org/use-of-evidence-based-practices/

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