Saiba mais sobre os transtornos motores da fala

Um dos momentos mais esperados dos pais é ouvir as primeiras palavras de seus filhos. No entanto, em alguns casos, a criança pode apresentar algum tipo de transtorno motor da fala.

Isso significa que a criança se esforça e tem dificuldade para produzir a fala devido a problemas de planejamento motor ou no tônus ​​muscular.

Ela pode querer formar palavras, mas é incapaz disso. Assim, demonstram uma fala arrastada ou difícil de entender. A fala se torna ainda mais difícil de entender à medida que as frases ficam mais longas.

Por conta disso, a comunicação se torna pouco eficiente, já que dificulta a compreensão das palavras. Essa situação pode comprometer outras habilidades da criança, tais como a leitura e a escrita.

A capacidade de comunicação verbal merece atenção entre as crianças que estão no espectro do autismo. A dificuldade de falar na infância é extremamente comum e pode ser uma limitação característica do autismo.

Os transtornos motores da fala podem impactar no desenvolvimento de linguagem verbal e social de crianças autistas. Com isso, a autonomia e independência do autista podem ficar comprometidas se ele não tiver ajuda profissional para desenvolver a fala e a sua comunicação.

A seguir, veja os principais transtornos motores da fala e os sintomas de cada um.

Disartria da fala

A disartria acontece quando a criança não consegue coordenar ou controlar os músculos usados ​​para a produção da fala em seu rosto, boca ou sistema respiratório.

Pessoas com disartria têm dificuldade em controlar os músculos usados ​​para fazer sons. Com isso, pode ser difícil para os outros entenderem o que ela está falando.

A disartria, frequentemente chamada de fala arrastada, é definida como fala lenta, imprecisa e distorcida. Basicamente, acontece devido à incapacidade de controlar ou coordenar o músculo usado durante a fala.

Os sintomas podem variar de leves a graves. Os sintomas típicos incluem:

  • Fala arrastada e lenta;
  • Ritmo de fala anormal e variado;
  • Falam baixo ou sussurrando;
  • Dificuldade em mudar o volume da fala;
  • Qualidade vocal nasal, tensa ou rouca;
  • Dificuldade em controlar seus músculos faciais;
  • Dificuldade em mastigar, engolir ou controlar a língua;
  • Saliva em excesso.

Apraxia da fala

É a incapacidade de fazer um movimento voluntário, como falar, apesar de ser capaz de demonstrar função muscular normal.

É considerada uma desordem neurológica da fala e ocorre como resultado de comprometimento neurológico, em associação com distúrbios neurocomportamentais complexos, como é o caso do autismo.

Surgem assim limitações para realizar atividades como coordenar o uso da língua, lábios, boca e mandíbula para produzir sons de fala claros e consistentes.

Entre os sinais mais comuns que podem indicar apraxia da fala, podemos citar:

  • Pausas longas entre os sons das palavras proferidas;
  • Nem sempre diz uma palavra da mesma maneira;
  • Dificuldade (motora oral) para comer;
  • Compreende melhor o que ouve do que sua capacidade de falar;
  • Tem mais dificuldade em dizer palavras mais longas do que as mais curtas;
  • Apresenta mais problemas para falar quando está nervoso;
  • Difícil de ser compreendido quando fala;
  • Costuma errar consoantes e vogais ao proferir sílabas e palavras;
  • Dificuldade em repetir sequências de palavras ou sílabas.

Quando procurar ajuda?     

Os pais e responsáveis devem ficar atentos aos marcos de desenvolvimento da infância. Quando notar que a criança está demorando muito para falar ou quando a fala não consegue ser compreendida, é fundamental buscar ajuda de um fonoaudiólogo.

O diagnóstico em quem apresenta autismo pode ser mais complicado, pois seus sinais se assemelham às condições ligadas às limitações de linguagem comuns no autismo. .

Por isso, é fundamental que o fonoaudiólogo compreenda as especificidades do autismo para realizar o diagnóstico correto e começar a intervenção terapêutica adequada, de acordo com as necessidades de comunicação de cada indivíduo.

Na avaliação, o fonoaudiólogo deverá avaliar a capacidade dos movimentos musculares da boca da criança, ou seja, como ela costuma mexer a mandíbula, lábios e língua.

Por meio das intervenções, o especialista ajudará a criança a melhorar suas habilidades de comunicação.

O objetivo é ajudar a melhorar o movimento da língua e dos lábios, fortalecer os músculos da fala, além de diminuir a velocidade com que a criança fala. Também pode ajudar a melhorar a respiração, a articulação da fala e praticar habilidades de comunicação em grupo.

Referências:

https://www.asha.org/public/speech/disorders/Childhood-Apraxia-of-Speech/#signs

https://www.mwuclinics.com/illinois/services/specialty/speech-language/motor-speech-disorders

https://www.asha.org/public/speech/disorders/dysarthria/

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ABA estruturado ou ABA naturalista: saiba as principais diferenças

A Análise do Comportamento Aplicada (Applied Behavior Analysis – ABA) é uma das principais intervenções usadas para desenvolver as habilidades de uma pessoa com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

A ABA tem comprovação científica e melhora comportamentos socialmente importantes.  Por isso, a ABA permite que quem está no espectro tenha suas habilidades aperfeiçoadas. Além disso, ajuda no controle das limitações e contribui para que o autista consiga se desenvolver e ser mais independente.

Resumidamente, a ABA atua com procedimentos e intervenções destinados a aumentar comportamentos positivos e ensinar novas habilidades. Assim, o autista consegue integrar a novos ambientes e reduzir comportamentos prejudiciais como é o caso da autoagressão.

Mas, você sabia que existem diferentes abordagens de ABA? A terapia pode ser mais estruturada ou ser mais lúdica e aplicada por meio de brincadeiras.  A seguir, veja detalhes e principais diferenças do ABA estruturado e o ABA naturalista.

Como funciona o ABA Estruturado

Assim como o próprio nome já diz, o ABA estruturado segue uma estrutura com começo, meio e fim da atividade proposta e envolve diversas oportunidades de aprendizado.

A ABA estruturada é focada nas habilidades que o aluno tem de desenvolver. Logo no início da sessão, sabem-se quais são os objetivos que serão trabalhados e os materiais que devem ser usados.

Dessa forma, o terapeuta controla o ambiente, as habilidades a serem estimuladas e como as atividades serão aplicadas.

O objetivo é aumentar o aprendizado e minimizar as distrações. O ensino estruturado pode ser realizado ou não em uma mesa, de forma individual ou em grupo.

Saiba mais sobre o ABA naturalista

Já a ABA naturalista pode ser considerada o oposto do Estruturado, uma vez que não há um controle da sessão. A terapia ocorre de acordo com a motivação da criança ou jovem autista.

Ele é chamado de naturalista já que o autista tem controle da situação e geralmente envolve uma atividade que é reforçadora para ela.

Nesses casos, a intervenção pode ser aplicada em todas as rotinas ou atividades diárias para melhorar as habilidades de um indivíduo com autismo ou diminuir comportamentos inadequados. O terapeuta costuma observar a criança em suas rotinas e atividades diárias típicas.

Em seguida, anota as rotinas ou atividades específicas com as quais a criança tem dificuldade. Em seguida, ele avalia as habilidades que a criança pode se beneficiar ao aprender ou quais problemas comportamentais específicos a criança está apresentando.

Dessa forma, a criança aprende novas habilidades no contexto das atividades comuns da vida diária. Como acontece com qualquer intervenção de análise do comportamento aplicada, o reforço positivo é um componente necessário.

Na intervenção naturalística, o reforço positivo deve ser incluído no contexto da atividade em foco. Um item ou atividade preferida da criança deve fazer parte da intervenção.

Dessa forma, pode ser usado para aumentar as habilidades sociais, de linguagem e de comunicação, a solicitar, a praticar a atenção conjunta e diminuir comportamentos prejudiciais.

Qual é melhor: Estruturado ou Naturalista?

Não existe melhor ou pior técnica usada em ABA. O intuito é contribuir com uma melhora nas interações sociais, aprender novas competências e manter comportamentos positivos.

Em linhas gerais, a ABA é cientificamente comprovada, existindo há mais de 50 anos.

Cada autista é único e a ciência ABA pode contribuir para ajudá-lo a se desenvolver e ser independente. A frequência e a intensidade de terapêuticas com ABA são definidas com base no perfil de cada pessoa.

O grau de autismo também é levado em conta, bem como as características individuais.

Independentemente de ser o ABA estruturado ou naturalista, é fundamental buscar a avaliação de um profissional capacitado.

Assim, o terapeuta poderá decidir o que será mais funcional para o autista e começará a trabalhar as limitações e habilidades.

Referências:

https://raisingchildren.net.au/autism/therapies-guide/abahttps://www.autismspeaks.org/applied-behavior-

analysishttps://www.psychologytoday.com/us/therapy-types/applied-behavior-analysis

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Treinamento parental: uma prática baseada em evidências

Crianças com transtorno do espectro do autismo costumam ter problemas comportamentais, dificuldades na comunicação, dificuldades para ter uma alimentação saudável e distúrbios do sono.

Essas situações podem aumentar o estresse parental e a carga familiar. Por conta disso, o papel de pais e cuidadores para contribuir com o desenvolvimento e qualidade de vida do autista é fundamental.

Você já ouviu falar de treinamento parental? Trata-se de uma prática baseada em evidências que tem o intuito de sistematizar o repertório comportamental emitido pelos pais quanto ao manejo do comportamento dos filhos.

Dessa forma, são realizadas diversas orientações aos pais voltados ao comportamento, comunicação ou para fatores específicos relacionados ao sono, alimentação ou rotinas do autista.

Como é realizado o treinamento parental?

Inicialmente, é realizada uma avaliação com os pais para definir qual é a melhor estratégia em cada caso.

Em seguida, o profissional modela a estratégia junto à criança ou jovem. E os pais e cuidadores devem observar e ouvir detalhes sobre a estratégia.

Depois, eles podem aplicar a estratégia e sentir as dificuldades de se colocar nesse papel. Logo em seguida, recebe um retorno sobre como foi seu desempenho ou o que precisa melhorar.

Os pais devem ser incluídos nas intervenções e treinados para que ampliem as possibilidades de desenvolvimento de diversas habilidades.

O que pode ser trabalhado no treinamento parental:

  • Receber exemplos de como treinar a estratégia para o desenvolvimento das diferentes habilidades dentro de casa;
  • Explicar como as atividades podem ser aplicadas no contexto familiar e social;
  • Melhorar as habilidades sociais, de conversação e linguagem espontânea;
  • Melhorar as habilidades de atenção compartilhada e lúdicas;
  • Ajudar a diminuir os problemas com alimentação e rotina;
  • Diminuir os comportamentos inadequados ou agressivos.

Etapas do treinamento parental

Para concluir formalmente a intervenção implementada pelos pais, há várias etapas envolvidas. O que inclui:

  1. Determinar as necessidades da família;
  2. Seleção de metas;
  3. Desenvolver o plano de intervenção;
  4. Pais em treinamento;
  5. Implementando a intervenção;
  6. Monitoramento de progresso.

Vale destacar que para ser eficaz, é importante individualizar a intervenção. Isso pode ser feito por meio da avaliação das habilidades da criança, observações e entrevistas.

O treinamento parental é eficiente?

Sim. Há diversos estudos que comprovam a sua eficácia. O treinamento parental (Parent Implemented Interventions) visa estimular crianças pequenas a melhorar suas habilidades sociais, cognitivas, acadêmicas, adaptativas e de comunicação.

E também é eficaz na melhora no comportamento, na atenção compartilhada, no brincar e em habilidades pré-escolares.

Os pais aprendem a interagir, estimular e incentivar o desenvolvimento das habilidades de seus filhos em diversos momentos de atividades do dia a dia.

O envolvimento dos pais potencializa as habilidades da criança e do jovem com TEA. Além disso, melhora a relação familiar, ajuda no estímulo e a interagir em diferentes contextos.

Os pais podem ajudar seus filhos a ter mais oportunidades de aprendizado do que em qualquer ambiente de tratamento.

O treinamento parental pode ajudar os pais a lidar com os sintomas de autismo em seus filhos, comportamentos inadequados que estão sendo exibidos.

E contribui também com o desenvolvimento de habilidades adequadas e funcionais para melhorar a qualidade de vida de seus filhos.

Vale destacar que é fundamental buscar ajuda especializada para realizar o treinamento parental. Geralmente, especialistas na ciência ABA conseguem desenvolver a intervenção.

Referências

https://bmcpsychiatry.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12888-020-02973-7

https://www.abaparenttraining.com/home/2019/3/7/aba-parent-training-tips-for-quality-applied-behavior-analysis-parent-training

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