Conheça mais as estratégias de intervenção naturalistas

As estratégias de intervenção naturalistas são métodos usados para melhorar a socialização e a comunicação das pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

De acordo com a National Professional Development Center on Autism Spectrum Disorders, “a intervenção naturalística é usada nas rotinas diárias ao longo do dia para desenvolver habilidades na área de comunicação (verbal e não verbal) e desenvolvimento social“.

O ensino naturalístico surgiu como um método complementar e é usado na análise do comportamento aplicada (ABA). E oferece às crianças e jovens com autismo a oportunidade de aprender comportamentos socialmente apropriados, dentro do contexto dos ambientes sociais em que se encontram todos os dias como escola e casa.

Como funciona?

As intervenções naturalistas estão associadas aos princípios da ciência ABA, mas se concentra mais nas experiências únicas de cada criança. É uma abordagem muito personalizada, em que as atividades e rotinas diárias reais da criança ditam como e onde o terapeuta trabalha com essa criança. 

As sessões são estruturadas em torno de um comportamento-alvo, como revezar ou comunicar sentimentos. Os terapeutas permanecem flexíveis quando se trata do que pode ser interessante para a criança naquele momento ou o que pode estar motivando seu comportamento. 

A função do terapeuta é ajudar a criança a comunicar o seu desejo, usar os brinquedos e as atividades que a criança já selecionou como reforço, tornando as habilidades funcionais ao ambiente.

É importante que ocorra clareza, precisão na comunicação e na forma como o ensino é ministrado e avaliado.

Os objetivos devem ser individualizados. As metas não são baseadas na idade da criança ou em um padrão nacional. Em vez disso, foca-se no desenvolvimento da criança. É preciso realizar um controle constante do progresso para mudar a intervenção e as técnicas, sempre que necessário.

Quais são os tipos?

São práticas baseadas em evidências identificadas e cada uma tem um objetivo específico. A seguir, veja detalhes de algumas:

– Ensino Incidental

Ajuda a treinar as habilidades de fazer pedidos e atenção compartilhada. Cria oportunidades de aprendizagem e inicia a criança na interação com o adulto.

Aumenta a motivação da criança para falar e é frequentemente usado com crianças que já possuem algumas habilidades de linguagem.

– Treinamento de respostas pivô

É um método de intervenção comportamental que aproveita a motivação da criança com autismo para que ela se comunique. Tem uma abordagem mais ampla, observando as coisas que são “fundamentais” para o comportamento da criança: o que motiva seu comportamento, como respondem à interação social, como gerenciam seus próprios sentimentos e comportamentos. 

Foca na causa dos comportamentos e não apenas os próprios comportamentos individuais. Sendo assim, causa mudanças nos comportamentos inadequados como agressão ou automutilação.

Ele se concentra no desenvolvimento do desejo de interagir, na regulação do próprio comportamento da criança, no desenvolvimento da iniciação das interações e na resposta a uma variedade de incentivos.

– Paradigma da linguagem natural

Indicado para jovens não verbais. O terapeuta e a criança ficam frente a frente e são oferecidas opções de brinquedos, jogos ou atividades. A criança pode escolher um item.

O terapeuta coordena a brincadeira e estimula o jovem a falar as palavras que identificam e descrevem o item selecionado. A criança brinca com o objeto e depois ele é retirado. 

O terapeuta então pede que a criança repita a palavra e o item é devolvido. Trata-se de um sistema clássico de recompensa que dá à criança um motivo real para tentar se comunicar.

Participação dos pais

Os pais podem praticar com seus filhos, já que as intervenções podem ser aplicadas em um ambiente confortável e divertido. 

No entanto, é fundamental ter o apoio de um especialista em ABA para aprender como praticar as intervenções com as técnicas apropriadas.

Referências:

https://www.appliedbehavioranalysisedu.org/how-is-naturalistic-teaching-used-in-aba/

https://blogs.missouristate.edu/access/2017/10/20/using-naturalistic-strategies-for-teaching-students-with-autism/

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O-impacto-do-excesso-de-telas-no-desenvolvimento-das-crianças

O impacto do excesso de telas no desenvolvimento das crianças

Você já reparou quanto tempo seu filho ou filha passa no celular, tablets ou assistindo TV? E com a pandemia, as crianças também passaram a gastar mais tempo no computador.

É fato que o uso desse tipo de tecnologia traz muita praticidade para o dia a dia, mas em excesso pode fazer mal para a saúde das crianças.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), por exemplo, recomenda que crianças menores de 2 anos não tenham contato algum com telas, nem mesmo televisores.

Depois dessa faixa etária, a TV pode ser liberada, mas no máximo durante uma hora por dia. E apenas com 8 anos as crianças poderiam usar celular. Mas, a maioria das crianças atualmente passa o dia acessando celulares ou vendo TV.

Estar em frente às telas a todo instante pode atrapalhar o desenvolvimento das habilidades de linguagem e até sociais da criança.

Um dos motivos é que ficar diante de telas, muitas vezes, equivale a consumir conteúdo passivamente, perdendo oportunidades valiosas e de praticar outras habilidades importantes, como manter contato com a natureza e com os objetos físicos.

Perigos do excesso de telas para a saúde

Excesso de telas no desenvolvimento cerebral

Pesquisas apontam que a superexposição a eletrônicos, no caso de crianças muito pequenas, pode causar déficit de atenção, atrasos cognitivos, distúrbios de aprendizado, aumento de impulsividade e diminuição da habilidade de regulação própria das emoções.

Chamada de distração passiva, as crianças acabam consumindo joguinhos e vídeos nas telas, algo prejudicial e frontalmente diferente de brincar ativamente, um direito universal e temporal de todas as crianças em fase do desenvolvimento cerebral e mental.

Excesso de telas e Obesidade

As crianças que ficam muito tempo no celular ou tablet são mais sedentárias e brincam menos. Com isso, queimam menos calorias e engordam mais.

Problemas para dormir

As crianças que usam muitos aparelhos eletrônicos podem dormir menos para jogar ou ver vídeos. Além disso, a luz dos aparelhos pode despertar e fazer com que a criança perca o sono. Isso pode afetar o crescimento e o humor.

Problemas emocionais

O uso excessivo de tecnologia causa distúrbios emocionais como ansiedade, depressão e até agressividade.

Outros problemas

Pode gerar dependência digital, transtornos de alimentação e de imagem corporal, cyberbullying, aumenta o risco de abusos sexuais e pedofilia, problemas visuais, miopia e síndrome visual do computador, problemas auditivos e de postura.

O que os pais podem fazer?

Os pais e responsáveis precisam redobrar a atenção e ficar de olho quanto tempo os pequenos estão conectados. Vale a pena estabelecer regras como não usar os aparelhos durante as refeições e desligar os aparelhos entre uma e duas horas antes de dormir.

Além disso, devem estimular as crianças e jovens a praticarem outras atividades que não necessitem de tecnologia. Pode ser a leitura de um livro, pinturas, música, jogos ou ter contato com a natureza.

Tente evitar que crianças usem televisão, computadores ou celulares em seus próprios quartos, principalmente sem a mediação da família ou de adultos.

Combine o tempo que a criança vai ficar vendo TV ou no celular. Crianças podem ter dificuldade para entender a passagem do tempo, então cabe aos pais limitar esse período. E seja firme! Não mude de ideia para que os limites fiquem claros.

Crie um tempo de dever de casa sem distrações, onde os telefones celulares são guardados. Considere refeições “sem telefone” ou horários para a família durante o dia para promover a comunicação.

Para a segurança, faça verificações aleatórias de mensagens de texto e outros conteúdos do telefone. 

Fale abertamente com seu filho ou filha sobre os riscos do uso do telefone celular para a saúde.

Fique sempre atento a conversas com desconhecidos online. E por fim, dê o exemplo! Sempre que possível fique longe de telas e passe mais tempo com a família.

Referências:

SBP – https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/sbp-atualiza-recomendacoes-sobre-saude-de-criancas-e-adolescentes-na-era-digital/

https://www.webmd.com/mental-health/news/20170503/are-smartphones-helping-or-harming-kids-mental-health

https://www.nationwidechildrens.org/family-resources-education/700childrens/2018/10/children-and-cell-phones

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O que são escalas de avaliação?

Você já ouviu falar das escalas de avaliação? Elas são usadas para ajudar no diagnóstico do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Podem ser definidas como ferramentas de triagem que são capazes de detectar os comportamentos atípicos de crianças precocemente.

As escalas de avaliação são baseadas em estudos clínicos sólidos, ou seja, foram testadas e seguem as metodologias científicas. Isso significa que são instrumentos seguros para identificar os sinais de autismo.

Vale destacar que a avaliação e o diagnóstico de pessoas com suspeita de autismo devem ser amplos e, sempre que possível, realizados por diferentes profissionais. Isso é necessário porque o TEA afeta diversas áreas e abrange a atuação profissional de especialistas da área da saúde e educação.

A seguir, veja detalhes de algumas escalas de avaliação e sua importância para o diagnóstico do autismo.

ADI-R

A sigla significaAutism Diagnostic Interview-Revised, ou seja, Entrevista Diagnóstica para o Autismo Revisada, em tradução livre. É uma entrevista diagnóstica aplicada no principal cuidador da criança com suspeita de autismo.

Fornece uma avaliação ao longo da vida dos comportamentos das crianças a partir dos 5 anos até o início da idade adulta e com idade mental a partir dos 2 anos de idade. Leva cerca de uma hora e meia para ser concluída.

Avalia a qualidade da interação social recíproca, como é a comunicação e a linguagem e os comportamentos repetitivos, limitados e estereotipados.

A entrevista conta com perguntas introdutórias; questões sobre comunicação, sobre desenvolvimento social e o brincar e é feita uma investigação sobre comportamentos repetitivos e restritos.

CARS

A sigla significa Childhood Autism Rating Scale, ou seja, Escala de Avaliação do Autismo na Infância. É uma escala de avaliação que conta com 15 itens que contribuem com o diagnóstico e identificação de crianças com autismo.

Por meio dela, é possível diferenciar o grau de comprometimento do autismo entre leve, moderado e severo. Pode ser realizada em qualquer criança com mais de 2 anos de idade.

A escala avalia o comportamento em 14 habilidades: interação com as pessoas, imitação, resposta emocional, uso do corpo e de objetos, adaptação à mudança, reação a estímulos visuais e auditivos, a resposta e uso da gustação, olfato e tato; medo ou nervosismo, comunicação verbal e não verbal, nível de atividade e a coerência da resposta intelectual e impressões gerais.

A pontuação atribuída a cada domínio varia de 1 (dentro dos limites da normalidade) a 4 (sintomas autísticos graves).

ADOS-2

A sigla significa Autism Diagnostic Observation Schedule, ou seja, Protocolo de Observação para Diagnóstico de Autismo, e é uma escala de observação.

É uma entrevista estruturada e completa, além de uma observação que avalia objetivamente a habilidade social, de comunicação e o comportamento de pessoas com TEA, desde crianças até adultos.

A avaliação do ADOS usa situações sociais planejadas para ter respostas e interações interpessoais. Utilizam-se termos padronizados, materiais, atividades, introduções de atividades e sequências hierárquicas de atividades sociais.

O ADOS é dividido em quatro módulos: usado para crianças com fala limitada; para quem sabe falar, mas não é verbalmente fluente; com crianças verbalmente fluentes e adolescentes e adultos verbalmente fluentes. 

Os comportamentos são classificados em quatro domínios: interação social recíproca; comunicação/linguagem; comportamentos estereotipados/restritivos e humor e comportamentos anormais não específicos.

Cada módulo leva cerca de 40 minutos para ser concluído. Os comportamentos recebem uma pontuação entre zero e três: zero indica um comportamento normal, enquanto três indica que há uma disfunção comportamental.

ADI-R

O ADI-R  vem do inglês Autism Diagnostic Interview-Revised e em tradução livre significa Entrevista para Diagnóstico do Autismo Revisada.

Sendo assim, é uma escala de entrevista que é realizada com os pais ou responsáveis pela pessoa com suspeita de autismo. Ela mede os comportamentos nas áreas de interação social, comunicação e linguagem e padrões de comportamentos. 

A entrevista visa descobrir toda a história do desenvolvimento da pessoa e pode ser realizada em um consultório, em casa ou em outro ambiente.

O especialista faz perguntas para identificar comportamentos. Após a conclusão da entrevista, ocorre uma avaliação que pontua de 0 a 9 de acordo com cada pergunta realizada e os especialistas conseguem assim definir se a pessoa está dentro do Espectro do Autismo.

Referências:

https://www.appliedbehavioranalysisprograms.com/faq/what-is-the-autism-diagnostic-observation-schedule/

https://psychiatry.weill.cornell.edu/education-training/adi-r

https://www.verywellhealth.com/adi-r-test-use-in-autism-diagnosis-260241

https://www.carautismroadmap.org/childhood-autism-rating-scale

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