Como ajudar o autista desenvolver as atividades de vida diária (AVDs)

Alguns autistas precisam aprender a desenvolver algumas habilidades importantes para o dia a dia. Conseguir realizar as atividades de vida diária (AVDs) é fundamental para aumentar a independência em casa, na escola e na sociedade. 

Os pais e responsáveis devem desde cedo introduzir e estimular que o autista aprendam essas habilidades e tenham ferramentas para aumentar a sua autoestima, ser autônomo e mais feliz.

Para que isso seja possível, são usadas estratégias adequadas para favorecer a autonomia e a independência, retirando a sobrecarga do cuidador, elevando a autoestima e abrindo a possibilidade para novos aprendizados.

Sempre é necessário avaliar as dificuldades, adaptar e preparar o ambiente, estruturar a atividade e inseri-la na rotina do autista.

Quais são as atividades de vida diária?

São atividades básicas do dia a dia e também mais complexas que visam à independência do autista.

Os pais devem reconhecer que ensinar essas atividades aos filhos com autismo é tão importante quanto promover o desenvolvimento das habilidades de comunicação e cognitivas. 

Essas habilidades são aprendidas com o tempo, começando em casa bem cedo e desenvolvendo-se ainda mais durante a adolescência e a idade adulta.

Entre essas atividades podemos destacar:

  • Autocuidado: conseguir trocar de roupa, tomar banho, escovar os dentes, preparar as refeições etc;
  • Administração de dinheiro e finanças: é fundamental ensinar a administrar seu próprio dinheiro, a usar uma conta bancária, cartões de crédito e fazer um planejamento financeiro para garantir sua independência financeira como adulto. 
  • Saúde e segurança: o autista precisa entender em quem podem confiar, quais são os riscos que corre com estranhos e saber se comunicar para pedir ajuda;
  • Plano de carreira e emprego: é importante que o autista seja estimulado a estudar e ter um emprego.
  • Relacionamento com as pessoas: estimular a interação social e a comunicação do autista desde cedo contribui para melhorar os seus relacionamentos.
  • Conseguir pegar transporte público: saber como, onde e quando usar o transporte público certamente aumentará a independência e dará mais segurança.
  • Atividades de lazer e diversão: é importante encorajar atividades úteis quando a criança está com tempo livre, como fazer exercícios, ler ou tocar um instrumento musical.
  • Organização: como organizar o tempo e definir um cronograma. Ensinar como planejar o dever de casa, por exemplo.  

Como ensinar essas habilidades para o autista

Como cada autista é diferente, é importante que o treinamento dessas habilidades respeite as dificuldades e limitações individuais. Há casos em que a pessoa autista precisa de suporte 24h e não vai conseguir viver sozinho e ser independente – é o caso dos autistas do nível 3 ou severo.

Há diversas habilidades para a vida que precisam ser aprendidas, que devem ser ensinadas e praticadas em casa, na escola e na sociedade. A maioria das pessoas com autismo se beneficia de uma instrução clara e prática. 

No entanto, é fundamental buscar ajuda especializada de profissionais que treinem a criança ou jovem com autismo para realizar atividades do dia a dia.

Procure a ajuda de um Terapeuta Ocupacional (TO) que é o profissional capacitado para ajudar nas AVDs.  Outros profissionais que são especialistas na ciência ABA também ajudam o autista a desenvolver habilidades para realizar as atividades do dia a dia e se tornar mais independente.

Como ajudar?

Veja abaixo algumas dicas que podem ajudar o autista a desenvolver suas habilidades de atividades diárias.

  • Garantir que eles entendam a necessidade da atividade.
  •  Escolher uma meta apropriada que se adapte a idade e habilidades do autista. Evite colocar mais de um objetivo para atingir de uma só vez e comece devagar.
  • Dividir as tarefas em rotinas simples como se fosse um passo a passo.
  • Ensinar cada passo da atividade e encorajar a criança ou jovem diariamente. Mostrar visualmente o que fazer.
  • Dê tempo e deixe a criança ou jovem praticar a atividade várias vezes.
  • Apoiar a conclusão da tarefa, comemorar e recompensar a criança quando os objetivos são alcançados.

Referências:

https://www.autismspeaks.org/life-skills-and-autism

https://online.regiscollege.edu/blog/11-tips-for-teaching-activities-of-daily-living/

https://researchautism.org/daily-living-skills

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Atenção-compartilhada-e-autismo

Meltdown, Shutdown e Burnout: saiba a diferença

Não é novidade que os autistas, muitas vezes, podem se sentir sobrecarregados emocionalmente, sensorialmente e até socialmente.  Por conta disso, podem ocorrer as crises sensoriais, ou seja, a pessoa autista pode receber uma sobrecarga de entradas sensoriais por meio do tato, olfato, paladar, audição e visão e não conseguir processar as informações da forma adequada.

Também há a sobrecarga social que acontece quando o autista é exposto a uma situação onde precisa socializar, interagir e usar habilidades sociais para se comunicar.

E a sobrecarga emocional ocorre quando eles precisam se identificar, lidar e processar as emoções. Tudo isso pode ser muito complexo e difícil para a pessoa autista.

Como sabemos cada pessoa autista reage de uma forma ao ser estimulada. E, às vezes, elas podem se expressar por meio de crises. As crises podem variar na intensidade e causa e também recebem nomenclaturas diferentes.

É muito importante conhecer o tipo de crise que o autista enfrenta e também o que a desencadeia para poder ajudá-lo. Além disso, facilita encontrar estratégias para evitar que as crises se repitam ou amenizá-las para causar menos sofrimento.

Abaixo, veja detalhes de algumas crises para saber como ajudar o autista.  

Meltdown

São crises de explosão emocional ou perda do controle emocional temporária. As manifestações variam: podem surgir gritos ou agitação em excesso e estereotipias. E, em casos mais graves, pode levar à agressividade.

Por conta disso, o autista pode se morder, se beliscar, bater a cabeça na parede e ser agressivo com as pessoas mais próximas.

Na maioria das vezes, eles estão ligados a algum tipo de frustração, estresse emocional, mudança de rotina ou hiperestimulação.

Durante a crise, a criança não tem controle de suas ações. Para ajudar, os pais e cuidadores podem minimizar as sensações do lugar onde a criança esteja e evitar que a criança se machuque.

Shutdown

O termo vem da informática e significa “desligar o sistema”. Isso significa que a pessoa com autismo pode ficar parcialmente ou completamente desligada ou distante, não respondendo a qualquer forma de comunicação.

Geralmente, ficam com o “olhar vazio” e com a respiração mais rápida ou lenta. Também é comum que queiram ficar isoladas, deitem no chão e fiquem paralisadas.

Trata-se de comportamentos involuntários e diferentemente do meltdown, as emoções ficam internalizadas. Ambas causam muito sofrimento e precisam de atenção.

Burnout

Pode ser definido como um esgotamento físico e mental que ocorre em longo prazo. Há também diminuição do interesse de atividades que antes davam prazer. A pessoa com autismo também perde o interesse em a habilidade de lidar com situações estressantes.

O autista com Burnout pode ter mais dificuldade de controlar suas emoções e ser propensos a explosões de tristeza ou raiva. Também é comum apresentarem ansiedade intensa, depressão e até comportamento suicida.

Acredita-se que ocorra devido ao esforço do autista a imitar o comportamento neurotípico, ao se esforçar constantemente a ter contato com as pessoas e devido ao estresse associado à mudança.

Como prevenir essas crises?

Os pais e responsáveis podem evitar atividades ou situações que possam levar a essas crises sensoriais e perceber os sinais de alerta. Conhecer seu filho ou filha autista é fundamental para entender o que desencadeia essas manifestações.

Os sinais comuns de alerta em crianças com autismo envolvem ansiedade ou confusão. Podem parecer mais preocupados, inquietos ou instáveis.

Em situações estressantes, ele/ela pode sinalizar que não está confortável e pedir para ir para casa.

Durante uma crise, é importante que os pais mantenham a calma e façam de tudo para que a criança ou jovem autista fique segura.

O ideal é ir para um lugar tranquilo, longe da estimulação que pode ter causado a sobrecarga até que a crise termine. 

Sempre que for sair, se organize, planeje e saiba quais são os mecanismos que ajudam a criança a enfrentar situações estressantes. Pode ser necessário levar brinquedos ou objetos para acalmá-los.

Não há fórmulas prontas, já que cada autista é único e os comportamentos podem variar. Converse sempre com os especialistas que estão acompanhando a criança e busque orientações para saber o que pode ser feito em situações como essas.

Referências:

https://www.autism.org.uk/advice-and-guidance/topics/behaviour/meltdowns/all-audiences

https://autismwestmidlands.org.uk/wp-content/uploads/2017/11/Meltdown_shutdown.pdf

https://community.autism.org.uk/f/adults-on-the-autistic-spectrum/9389/managing-shutdowns

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Cerca de 30-40% das pessoas com autismo apresentam Epilepsia

A epilepsia é uma alteração do funcionamento do córtex do cérebro. Sabe-se que ocorre quando os neurônios disparam um monte de descargas elétricas que resultam em perda de consciência súbita e movimentos involuntários.

A doença afeta 1% da população em geral, o que significa que um em cada 100 brasileiros tem epilepsia. E essa condição pode se manifestar igualmente entre homens e mulheres, desde a infância até a idade avançada.

A epilepsia consiste em crises que podem ser convulsivas ou não, que podem durar de segundos a minutos. Portanto a crise epiléptica pode ter manifestação motora (convulsão) ou pode ter apenas uma crise de ausência sem manifestação motora (sem convulsão).

Epilepsia e autismo

A epilepsia é uma comorbidade bastante comum em pessoas com o autismo, ou seja, as duas condições aparecem ao mesmo tempo na mesma pessoa. Aproximadamente 30-40% das pessoas com autismo apresentam epilepsia também. Quanto mais grave o autismo maior o risco para epilepsia.

As crises de epilepsia estão associadas a riscos de acidentes, traumas, crises prolongadas e morte súbita. Também é comum que a pessoa apresente depressão e ansiedade.

Qual é a relação com o autismo?

Ambas as condições compreendem um transtorno que tem conexão com o cérebro. Estudos destacam que diversas mutações genéticas estão relacionadas com autismo e epilepsia. Sabe-se que há uma disfunção nas sinapses, que são as conexões entre os neurônios. Por isso, há um funcionamento inadequado do cérebro. 

Algumas das alterações cerebrais associadas ao autismo também causam essas convulsões.

Todos os tipos de convulsões foram observados em pessoas com autismo. Estima-se que quase um terço das pessoas com autismo pode apresentar epilepsia.

Muitas pesquisas estão sendo realizadas no momento sobre o assunto para entender melhor qual é a ligação entre as duas condições. As crianças e adultos com as duas condições costumam ter os sintomas de autismo mais severos, são hiperativos e possuem um quociente de inteligência (QI) mais baixo em comparação com aqueles que não têm epilepsia.

Sinais de epilepsia

Os sintomas e sinais da epilepsia dependem da região cerebral onde a crise epiléptica começa e, por isso, eles são variados. Veja alguns abaixo:

  • Mudança de olhar;
  • Movimentos involuntários como membros rígidos;
  • Confusão sem causa aparente;
  • Dores de cabeça severas;
  • Sonolência e perturbações do sono;
  • Estiramento nos músculos;
  • Irritabilidade ou agressividade.

Algumas situações podem facilitar o aparecimento das crises epilépticas. Entre elas, estão o estresse, a falta de sono e o uso de alguns tipos de medicamentos.

Diagnóstico

O diagnóstico de epilepsia em quem tem autismo pode ser bastante desafiador. Isso porque as pessoas com autismo têm dificuldade em reconhecer e comunicar seus sintomas.

Além disso, diagnosticar epilepsia em pessoas autistas é complicado porque os movimentos estereotipados comuns ao autismo podem ser confundidos com ataques epilépticos. E as pessoas autistas podem ter dificuldade em tolerar testes de epilepsia.

Vários estudos sugerem que crianças com autismo e deficiência intelectual têm maior probabilidade de ter epilepsia do que outras crianças autistas.

Se você suspeita que seu filho esteja apresentando sinais de Epilepsia procure o mais rápido possível um neurologista pediátrico.

Provavelmente, o neurologista solicitará um eletroencefalograma, que é um exame não invasivo que envolve a colocação de eletrodos na cabeça de um indivíduo para monitorar a atividade no cérebro. 

Como é o tratamento

A epilepsia é geralmente tratada com medicamentos antiepilépticos que diminuem a gravidade e a frequência das convulsões em crianças. 

Indivíduos com autismo e epilepsia que não recebem o tratamento adequado correm maior risco de desenvolver problemas de saúde geral e, em circunstâncias extremas, de morte prematura. 

Em comparação com aquelas sem convulsões, as crianças com autismo e convulsões também são mais propensas a ter dificuldades para dormir e problemas de comportamento.  Por isso, é muito importante realizar acompanhamento constante com especialistas e fazer as interveções necessárias.

Referências:

https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/j.1528-1167.2005.57504.x

https://www.spectrumnews.org/news/the-link-between-epilepsy-and-autism-explained

https://www.epilepsy.com/article/2017/3/epilepsy-and-autism-there-relationship

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Conheça os tipos de ecolalias

Você já reparou que algumas crianças repetem tudo o que ouvem como um eco e/ou usam palavras aleatórias fora de contexto? Esse comportamento é chamado de ecolalia e é um distúrbio de desenvolvimento da fala e da linguagem.

A ecolalia é um dos sintomas mais comuns entre as características da linguagem no autismo. E nesses casos, podem ser descritas como estereotipias verbais, já que ocorre uma repetição em eco da fala.

Os autistas com ecolalia podem não serem capazes de se comunicar com eficácia porque lutam para expressar seus próprios pensamentos.

No entanto, a ecolalia acontece como uma ferramenta para que o autista se acalme. Sendo assim, é uma forma de autoestimulação e tem o mesmo objetivo das estereotipias, que é quando eles se balançam ou batem as mãos. 

A ecolalia também pode ser usada como uma saída sensorial. Dessa forma, a criança autista repete as palavras para se acalmar quando se sente ansiosa ou precisa lidar com os desafios sensoriais. 

Tipos de ecolalia

Há alguns tipos de ecolalia. Veja detalhes abaixo.

Ecolalia imediata: ocorre quando as crianças repetem as palavras logo depois de ouvi-las. Pode ocorrer, por exemplo, quando a mãe pergunta se a criança quer brincar e em vez de responder que sim, a criança repete: quer brincar!

Ecolalia tardia: acontece quando eles repetem palavras mais tarde e por causa desse atraso as frases são usadas fora de contexto. Pode acontecer, por exemplo, quando a criança assiste um desenho e depois de algumas horas repete algumas frases do que assistiu.

Ecolalia mitigada: ocorre em situações em que podem ser feitas modificações da emissão ecoada, seja imediata ou tardia, para se comunicar.

Por que isso acontece?

Alguns estudos apontam que a ecolalia imediata sugere a intenção de se comunicar da criança. Por isso, essa repetição trata-se de uma forma dela se comunicar com o outro ou manter o diálogo.

Geralmente, as crianças repetem trechos da linguagem sem entender o que elas significam. Depois, começam a modificar esses trechos, misturam e combinam palavras e frases que usaram. A partir do momento que começam a entender mais a linguagem, algumas crianças usam frases mais curtas ou apenas uma ou duas palavras para se expressar.

É comum também que a ecolalia seja usada ocasionalmente, especialmente quando a criança está cansada, confusa ou frustrada. 

A ecolalia pode ser considerada apenas uma característica comum das dificuldades de linguagem no TEA. Mas, vale a pena compreender a pessoa que fala e se isso não atrapalha o desenvolvimento da comunicação, além de prejudicar a sua interação com outras pessoas.

Diagnóstico e tratamento

A ecolalia costuma ser diagnosticada por meio da análise de um profissional especialista em fala e autismo. Ele observa seus comportamentos e se há repetição de fala. 

O tratamento é realizado como diversos profissionais como fonoaudiólogos, pediatras, neuropediatras, terapeutas ocupacionais e psicólogos. E o tipo de intervenção deve ocorrer seguindo a individualidade da criança, ou seja, respeitando as suas limitações e dificuldades.

São indicados terapias como a Análise do Comportamento Aplicada, conhecida pela sigla ABA, TEACHH e PECS (Picture Exchange Communication System).

E assim são realizados exercícios específicos para que ocorra o desenvolvimento da comunicação do autista. A criança autista consegue assim ter mais autonomia e independência para se comunicar.

Nesse processo, é fundamental a participação dos pais e responsáveis. Isso porque conseguem avaliar a evolução da criança e também praticar os exercícios em casa para continuar o tratamento.

Referências:

https://www.verywellhealth.com/why-does-my-child-with-autism-repeat-words-and-phrases-260144

https://link.springer.com/article/10.1007/s40489-015-0067-4

https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S151618462015000802072&script=sci_arttext&tlng=en

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