Imitação no autismo: como as brincadeiras podem ser úteis no aprendizado?

A imitação envolve a capacidade de uma criança de copiar as ações de adultos e colegas. Com isso, elas aprendem a realizar ações com objetos, a fazer gestos e movimentos corporais como bater palmas ou acenar e também a se comunicar.

As crianças com desenvolvimento típico aprendem a imitar na infância. É bastante comum que o bebê interaja com a mãe imitando sons, ações e expressões faciais. No entanto, crianças que estão no espectro costumam ter grande dificuldade em imitar. E isso pode afetar outras áreas de desenvolvimento. 

A importância da imitação para o desenvolvimento

A imitação é essencial para o processo de aprendizagem de todas as crianças. Também permite a socialização, além de aprender a linguagem e certos comportamentos e funções.

Crianças com autismo podem adquirir novos comportamentos imitando seus pais. Quando as imitações se tornam constantes, a linguagem e as habilidades motoras serão permanentes. Além disso, é mais fácil para as crianças que aprendem por imitação descobrir o mundo.

Imitação e atividades lúdicas

Não há melhor forma de aprender do que por meio de brincadeiras. Os pais e cuidadores podem ajudar nesse processo. Mas, vale a pena buscar ajuda especializada, como terapeutas na ciência ABA que podem instruir melhor quais atividades são eficientes para treinar a habilidade de imitação da criança autista.

Veja, a seguir, algumas atividades lúdicas e brincadeiras que incentivam a imitação nos autistas:

– Música

As crianças gostam bastante de músicas e isso pode ser benéfico para que elas pratiquem a imitação. Escolha músicas que façam parte do dia a dia e que tenham repetições. Sugestões: “Meu pintinho amarelinho”, “Dança da imitação”, “Seu Lobato tinha um sítio”, “Lá em casa”, “Quem fez esse barulhinho?”.

 – Imitar os animais

Não economize nas músicas com bichinhos e incentive a criança a imitar os sons e até os movimentos dos bichos nas músicas. Explique os movimentos e peça que ela repita. Se for possível, mostre alguma animação ou desenho com os bichinhos.

– Estátua

Brincar de Estátua é muito divertido para crianças pequenas. Coloque a música, dance com a criança e ao pausar a música explique que todo mundo precisa virar estátua, ou seja, ficar parado. Coloque a música novamente e continue dançando.

– Dança das cadeiras

Quando os pequenos começarem a andar, já é possível brincar de dança das cadeiras. Explique como funciona a brincadeira e peça para que ele/ela imite os adultos. No início, pode ser apenas colocar as cadeiras para todos, é só sentar-se quando a música parar. Depois, o desafio pode aumentar e pode ser colocada uma cadeira a menos para que a criança se sinta estimulada a correr e garantir seu lugar.

– Objetos iguais

Tenha objetos iguais como carrinhos ou tambores. Puxe ou empurre o carrinho e peça para a criança fazer o mesmo. Bata no tambor e peça para ela bater também.

– Crie ações com os personagens preferidos

É importante que a criança se sinta estimulada e nada melhor que incluir nas brincadeiras os personagens prediletos. Coloque a Peppa, o Superman e a Turma da Mônica para brincar, pular, na água, voar e peça para que a criança repita a ação.

– Jogar bola

Fique de frente um para o outro e brinque de jogar a bola no chão. Essa atividade simples estimula a criança a imitar um comportamento.

– Imite a criança

Já foi comprovado que imitar as ações da criança pode ser bastante efetivo. Por isso, seja um espelho da criança. Se ela pular, pule também. Siga os passos dela em tudo o que fizer. Isso vai ajudá-la a se conectar mais com você e repetir um comportamento.

– Tintas, massinhas, bloquinhos de montar, fantoches

Tudo pode ser usado para estimular a imitação. Use a criatividade e saiba identificar o que seu filho ou filha mais gosta para brincar. Arranje sempre um tempo para brincar, mostrar o que está fazendo, explicar como funcionam as regras e pedir para que ela repita o que você fez.

Lembre-se: deve ser um momento descontraído e a criança não deve ser obrigada a brincar ou fazer imitações. Sempre que ele/ela estiver cansado (a) pare e retome no dia seguinte.

Qual brincadeira você costuma realizar com seu filho? Conte para gente a sua experiência com a imitação!

Referências:

https://depts.washington.edu/isei/iyc/21.2_Ingersoll.pdf

https://otsimo.com/en/importance-imitation-skills-autism

https://www.mayinstitute.org/news/acl/asd-and-dd-child-focused/what-is-imitation-and-why-is-it-important

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Automutilação: como extinguir esse comportamento?

A automutilação (ou autolesão) acontece quando alguém se machuca intencionalmente. Na maioria das vezes, é uma forma de enfrentar ou expressar um sofrimento emocional.

É comum que as pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) realizem a automutilação devido à ansiedade, estresse ou ao sentir dificuldade em comunicar seus sentimentos.

Estima-se que 30% das pessoas que estão no espectro pratiquem algum comportamento de automutilação. A intensidade pode variar de leve a grave, mas nunca com a intenção de se machucar ou desejar suicídio.

Pode ser um comportamento repetitivo e, em alguns casos, a pessoa autista realiza cortes na própria pele, bate em si mesma, bate a cabeça na parede, causa queimaduras em braços, pernas e abdômen. Também podem dar tapas, se morder, beliscar ou coçar a pele.

Outras causas

A automutilação também pode ser uma forma de estimulação sensorial. Um indivíduo com autismo pode se machucar como uma forma de aumentar ou diminuir seu nível de excitação. 

Em muitos casos, a automutilação serve como meio de comunicação. A criança autista pode tentar transmitir um sentimento ou ideia com aquele comportamento que talvez não consiga expressar em palavras. 

Sendo assim, a automutilação surge como uma necessidade urgente de expressar dor, medo, desprazer ou ansiedade.

Sinais e gatilhos

As características que se apresentam como fatores de risco para comportamentos de automutilação em crianças autistas podem incluir:

  • Agressividade;
  • Hiperatividade;
  • Ansiedade;
  • Problemas de sono e distúrbios de humor.

Alguns gatilhos podem contribuir com a ansiedade e automutilação em autistas. Os pais devem se atentar se o autista demonstrar que está se sentindo rejeitado, isolado, intimidado, com problemas na escola ou trabalho e também dificuldade de se adaptar.

E alguns sinais indicam que o autista está se automutilando. Entre elas, destacam-se cortes inexplicáveis, marcas de mordidas ou queimaduras, manchas pelo corpo, evitam expor o corpo mesmo no calor, ficam mais isolados, expressam sentimentos de fracasso e culpa.

O que pode ser feito

Para lidar com esses comportamentos, os pais e cuidadores devem primeiro compreender o que causa o problema. O ideal é buscar ajuda assim que perceber esse comportamento.

A intervenção precoce e o tratamento dos motivos que levam à automutilação são fundamentais para ajudar a controlar e prevenir que volte a acontecer no futuro.

Os pais e cuidadores ​​podem manter um diário e anotar as crises de automutilação para rastrear as ocorrências e o que estava ocorrendo no momento. Isso ajuda a perceber detalhes e identificar gatilhos.

Pode ser bastante perturbador perceber que seu filho ou filha com autismo está se automutilando. Mas, depois do susto inicial, é importante buscar ajuda.  

O tratamento para automutilação geralmente envolve terapias comportamentais e, em alguns casos, o uso de medicamentos. Para extinguir esse comportamento leva tempo. Por isso, o acompanhamento psicológico (e psiquiátrico) e o apoio dos pais faz toda a diferença neste processo.

A terapia comportamental pode ajudar as crianças a substituir os antigos padrões de automutilação por novas habilidades e estratégias. 

Ao recompensar comportamentos positivos e ensinar novas habilidades de comunicação e enfrentamento, a terapia comportamental ajuda algumas crianças a cessarem o comportamento autolesivo. 

Outras ações que podem ajudar

  • Previna os comportamentos mudando o ambiente, aumentando ou diminuindo a estimulação e reorganizando horários e rotinas.
  • Reforce os comportamentos positivos  ao mesmo tempo em que introduz novas habilidades ou atividades de “substituição” que podem ser usadas no lugar das ações de automutilação.
  • Elimine o reforço  dos comportamentos de autoagressão, ignorando-os. 
  • Use a ciência ABA e a terapia ocupacional  para aprender novas habilidades de enfrentamento, técnicas de comunicação e maneiras de controlar as emoções que levam a automutilação.
  • Aumente a autoestima de seu filho ou filha,  incentivando a independência e ajudando-o a adquirir novas habilidades.

A boa notícia é que todos esses problemas são tratáveis.  Ao melhorar as habilidades e ensinar mecanismos de enfrentamento saudáveis, a criança pode aprender a ter suas necessidades atendidas de maneira saudável.

Referências:

https://www.autism.org/causes-and-interventions-for-self-injury-in-autism

https://www.autismparentingmagazine.com/autism-self-harm

https://www.autism.org.uk/advice-and-guidance/topics/mental-health/self-harm

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Como ajudar no desenvolvimento da fala em pessoas com autismo

Alguns autistas podem falar bem e normalmente (autismo verbal) e outros não conseguem falar ou falam muito pouco (autismo não verbal). Para se ter uma ideia, estima-se que aproximadamente 40% das crianças com TEA não falam e apresentam autismo não verbal.

Vale destacar que a fala é o que permite a transmissão de sons, palavras e frases. Há autistas que não conseguem se expressar ou sequenciar os sons da fala (apraxia). Mas, conseguem compreender e até se comunicar. Outros autistas são completamente não verbais, mas encontram uma forma de se expressar com ajuda da tecnologia, por exemplo.

A importância da fala e marcos do desenvolvimento

O atraso da fala pode acarretar consequências para o processo de aprendizado, assim como para as interações sociais.  Os pais devem ficar atentos aos marcos para o desenvolvimento da fala. Por isso, se o bebê não está balbuciando, é preciso investigar.

Vale reforçar que o progresso da fala acontece por etapas. As crianças começam a balbuciar com poucos meses e no primeiro ano de vida, já falam algumas palavras simples como mamá e papá. E perto dos 18 meses, o vocabulário infantil aumenta e já é possível entender algumas palavras. Aos quatro ou cinco anos, espera-se que a fala já tenha se desenvolvido por completo.

Alguns sinais de alerta:

  • Não balbuciam ou não emitem som a partir do terceiro mês;
  • Aos oito meses, não fala nenhuma vogal ou consoante;
  • Com 16 meses não fala nenhuma palavra;
  • Aos dois anos não combina duas palavras.

O que pode ser feito para desenvolver a fala

É importante que os pais e cuidadores procurem uma intervenção terapêutica para melhorar a comunicação e a fala da criança. Quanto mais cedo a criança receber suporte especializado, melhor será para o seu desenvolvimento e ampliação de habilidades.

As intervenções e terapias individualizadas podem ajudar a diminuir o isolamento social e contribuir com qualquer dificuldade de comunicação dos autistas.

Vale destacar que as famílias, os professores e as pessoas próximas do autista não verbal também podem ajudar no desenvolvimento da linguagem com brincadeiras e interagindo com a criança, sempre estimulando a sua fala.

Algumas ações que são efetivas incluem:

Jogos e interações

As crianças aprendem brincando, e isso inclui o aprendizado da linguagem. Tente diversos jogos para descobrir quais agradam mais seu filho ou filha. O ideal é buscar atividades lúdicas que promovam a interação social. 

Imitação

Imitar os sons e brincadeiras que seu filho (a) faz pode encorajar sua vocalização e interação. Estimule o seu filho a imitar o que você fala também.

Concentre-se na comunicação não verbal

Gestos e contato visual podem construir uma base para a linguagem e a fala.  Use seu corpo e sua voz para se comunicar.

Dar espaço para seu filho falar

É importante dar oportunidade para a criança responder e se comunicar no seu próprio tempo.Ao fazer uma pergunta ou perceber que seu filho deseja algo, pare e preste atenção a qualquer som ou movimento corporal que ele fizer.

Use a tecnologia

Alguns dispositivos e aplicativos com imagens podem ajudar o autista a se comunicar, indicar o que quer ou está pensando. Com o tempo, ele ou ela pode se sentir estimulado a falar.

Terapia de fala

A terapia da fala e da linguagem ajuda os autistas a desenvolverem a linguagem, a fala e a comunicação verbal, não verbal. O objetivo é ajudar a pessoa a se comunicar de uma maneira mais funcional. Geralmente, começa com uma avaliação realizada por um fonoaudiólogo que determina os desafios de comunicação da pessoa. Em seguida, determina as metas para a terapia.

Entre as habilidades que a terapia de fala desenvolve podemos citar:

  • Fortalecimento dos músculos da boca, mandíbula e pescoço;
  • Realizar sons de fala mais claros;
  • Combinar emoções com a expressão facial adequada;
  • Compreender a linguagem corporal;
  • Responder perguntas;
  • Modular o tom de voz.

Você conhece algum autista que teve dificuldade de fala? Conta para a gente a sua história!

Referências:

https://www.webmd.com/brain/autism/benefits-speech-therapy-autism

https://iancommunity.org/cs/articles/speech_and_language_problems

https://www.autismspeaks.org/speech-therapy-autism

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Puberdade em adolescentes com TEA

A puberdade é uma fase muito importante e é o período de transição da fase infantil para a adolescência. E assim como ocorre com todas as pessoas, os autistas também vão passar por ela. Porém, pode ser que alguns precisem de suporte extra e orientações dos pais e cuidadores.

A puberdade normalmente começa entre 10-11 anos para meninas e entre 11-13 anos para meninos. Mas, é importante que desde cedo a criança autista seja acompanhada por profissionais que poderão auxiliar nesse processo de mudança.

Cabe aos pais, ter paciência para explicar as regras sociais de uma forma mais simples e nos mínimos detalhes para que o autista entenda como deve se comportar na sociedade.

A informação também deve ser passada de forma calma, clara e em um tom positivo. A criança ou jovem não deve ser sobrecarregada com as informações.

As crianças e os jovens autistas precisam aprender a diferença entre público e privado. E também como se comportar em cada ambiente, quais conversas são apropriadas, os hábitos de higiene e assuntos sobre sua sexualidade.

Mudanças corporais

O corpo de todas as pessoas muda durante a puberdade. Nos meninos há alterações na voz e crescimento do pênis. Já nas meninas, os seios crescem e a menstruação começa. E em ambos os sexos, a puberdade traz o crescimento de pelos, além da acne. 

Essas mudanças podem ser difíceis para qualquer pessoa. Mas para as crianças que estão no espectro do autismo essas mudanças corporais são bastante complexas.

Isso porque as pessoas com autismo geralmente não gostam de mudanças. Alguns pré-adolescentes e adolescentes têm dificuldade com a ideia de que seus corpos estão mudando.

É importante informar a seu filho com antecedência sobre as mudanças que ocorrerão quando ele atingir a puberdade.

O diálogo é fundamental e é preciso explicar situações práticas do dia a dia como ensinar sua filha a usar produtos de higiene feminina como absorventes ou que os meninos não devem se masturbar em público. 

Sexualidade

Durante a puberdade, a maioria das pessoas começa a ter desejo sexual. Mas para os autistas esses sentimentos podem ser confusos e causar ansiedade.

Os garotos também começam a se masturbar e podem não saber quando e onde é apropriado praticar. Pode ser útil comparar a masturbação com outras atividades que ele realiza sozinho em particular, como tomar banho ou ir ao banheiro.

Cabe aos pais discutir esse assunto com seu filho ou buscar ajuda especializada para iniciar a conversa.

É fundamental esclarecer que o sexo e a sexualidade são partes saudáveis ​​da vida. E as crianças e jovens com autismo devem se sentir à vontade para procurar os pais para ter informações sobre a sexualidade e seus sentimentos.

Outra questão é explicar sobre a segurança e os limites do corpo. A criança e jovem autista precisam entender a diferença entre “toque bom” e “toque ruim”.

Essa é uma maneira de ensinar onde e quando o corpo pode ser tocado, sempre com sua autorização. É uma forma de proteger a criança e jovem dos abusos sexuais e ensinar a respeitar seus corpos. É importante ensinar o contexto de um relacionamento sexual com uma linguagem adequada.

Relacionamentos amorosos

Geralmente, a paixão e os primeiros relacionamentos acontecem durante a puberdade. Os autistas, na maioria das vezes, desejam ter um relacionamento romântico e manter intimidade com outras pessoas.

No entanto, eles podem encontrar dificuldades de se relacionar e até mesmo enfrentar preconceitos. Isso porque há dificuldade de identificar seus sentimentos, de se comunicar e de reconhecer a linguagem corporal.

Mas, eles precisam entender desde cedo que podem (e devem) se envolver com outras pessoas e que essa interação é importante para seu desenvolvimento e que a troca e os relacionamentos amorosos serão fundamentais para seu amadurecimento.

Referências:

https://www.autismspeaks.org/expert-opinion/autism-teens-helping-your-child-through-puberty

https://autismawarenesscentre.com/teach-sexuality-person-asd

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