Saiba mais sobre a Carteira especial de identidade para autistas

Criada por lei no início de Janeiro de 2020, a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea) visa garantir prioridade de atendimento em serviços públicos e privados, em especial nas áreas de saúde, educação e assistência social. O serviço ainda está em processo de aplicação no país.

De acordo com a lei 13.977/2020,  essa Carteira de Identificação será emitida gratuitamente pelos órgãos estaduais, distritais e municipais. A Lei é chamada de Romeo Mion, nome inspirado no filho do apresentador Marcos Mion, que tem diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

O texto altera a Lei Berenice Piana (12.764, 2012), que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Acredita-se que dessa forma, será possível ter uma ideia de quantas pessoas possuem autismo no Brasil.

O documento, que terá validade de cinco anos devendo ser mantidos atualizados os dados cadastrais do identificado e deverá ser liberado sem qualquer custo, por meio de requerimento.

E o objetivo é facilitar a identificação das pessoas autistas para que tenham assegurados seus direitos, inclusive o atendimento preferencial. Isso porque em determinados casos o autismo não é fácil ser identificado por quem não tenha um contato direto com o autista.

Com a Carteira de Identidade será possível acelerar os atendimentos, diminuindo a burocracia bem como o acesso às instituições administrativas públicas e privadas evitando o constrangimento e demora no atendimento e o desgaste psicológico. Como constará o endereço, a carteira também irá ajudar a localização de familiares, caso um autista se perca.

Para solicitá-la, é necessário requerimento, acompanhado de relatório médico, com indicação do código da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID). Também precisam apresentar foto 3×4,  RG, CPF e comprovante de residência.   Ela é válida para todo o território brasileiro.

Algumas características da Carteira

– Ela leva o símbolo do autismo (a fita com quebra-cabeça);

– Contém o CID e a explicação do transtorno;

– Informa o nome do responsável e tem o endereço;

– No verso contém a descrição da lei e informa os direitos que ela assegura.

Leis semelhantes em vigor

Alguns estados brasileiros já tinham leis locais que previam a emissão da carteira de identidade com informações adicionais para quem tem alguma deficiência ou transtorno, como é o caso do autismo.

O Ceará, por exemplo, emite carteiras de identidades com a inclusão do símbolo que identifica o autismo de forma gratuita. O estado de Goiás criou a Carteira de Identificação do Autista (CIA) em 2017 com características semelhantes da carteira nacional.

Já no Rio de Janeiro, o Detran é responsável pela emissão desse documento e contem ícones informando a condição do seu portador. Há um crachá que informa o CID e se há a utilização de medicamentos e um telefone de contato. E em São Paulo, alguns municípios tiveram iniciativas semelhantes.

A ideia é que a Carteira Nacional seja adotada por todos os municípios, mas os documentos semelhantes continuarão a serem aceitos.

O que você achou da Carteira de Identidade? Já adquiriu a sua?

Referências

https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/lei-romeo-mion-autismo-e-saude-os-direitos-da-pessoa-com-tea/

https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2020-01/carteira-nacional-do-autista-e-lei-mas-sua-implantacao-e-lenta

https://www.camara.leg.br/noticias/630372-lei-que-cria-carteira-de-identificacao-da-pessoa-autista-e-sancionada/

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Educação no autismo: o aprendizado como ferramenta

Desenvolver a pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) por meio do aprendizado é um dos recursos importantes para estimular habilidades sociais e cognitivas.

Crianças com o espectro do autismo não experimentam o mundo da mesma forma que os demais. No processo educacional não é diferente.

Quanto mais precocemente eles são introduzidos neste universo do conhecimento, melhor será seu desempenho. Ensinar permite-lhes viver uma vida mais independente e sociável à medida que se tornam adultos. Para isso, é preciso expandir os muros da residência familiar e ingressar em escolas.

Crianças aprendem melhor quando são expostas a vários estilos de aprendizagem e métodos de ensino. Estudos têm demonstrado que identificar estes meios como o autista compreende melhor, aperfeiçoam o seu desempenho em todas as áreas e podem os tornar profissionais preparados inclusive para o mercado de trabalho.

Entre os tipos de aprendizagem – segundo o Centro Nacional de Informações e Recursos sobre o Autismo dos Estados Unidos podemos citar:

Recurso Visual no aprendizado

O visual que consiste no uso da visão. Crianças neste caso se conectam com livros, vídeos, gráficos, cores e outras imagens.  Quando adultas costumam procurar como opções de carreiras aquelas ligadas às artes, arquitetura, entre outras.

Recurso Auditivo no aprendizado

Neste caso a compreensão é facilitada por meio de recursos que utilizam da fala, de sons de música. Elas não necessitam muitas vezes do recurso visual, por isso, costumam parecer alheias na sala de aula, sem contato com os olhos, mas estão totalmente atentas às falas. Vão muito bem em atividades de interpretação de personagens, por exemplos. Como profissões, podem se encaixar bem como juízes, advogados, músicos entre outros.

Tátil ou sinestésico

Neste caso, ver e tocar é sinônimo de aprender. Exemplos dessas estratégias incluem jogos eletrônicos. Para um aprendiz cinético tátil, ver e tocar é aprender. Este tipo de pessoa pode se escultor, mecânico e, até mesmo, brilhantes cirurgiões.

Às vezes, é mais difícil avaliar o verdadeiro estilo de aprendizagem de uma criança. Neste caso, é melhor apresentar todas as áreas de métodos de aprendizagem dentro de um plano de aula.

É importante que uma criança seja observada na sala de aula e nos demais ambientes de ensino para descobrir como ela recebe melhor as informações. Estudos apontam que ao compreender isso, os comportamentos negativos podem ser evitados na sala de aula.

A determinação de uma abordagem educacional apropriada para os alunos com autismo deve ser baseada numa avaliação de especialistas, pais e responsáveis. Afinal, sua maneira de ver o mundo difere das demais crianças. E isso não deve ser um fator limitante para seu desenvolvimento.

No Brasil, embora haja instituições capacitadas, ainda é deficitária a oferta qualificada de ensino para crianças com autismo.

Algumas estratégias podem ser aplicadas. Se o seu filho é ansioso, procure levá-lo antes do início das aulas à escola, para que ele se familiarize com o ambiente aos poucos.

Conversar com professores e orientadores e compartilhar recursos que você utiliza com seu filho para facilitar a assimilação de palavras e imagens podem ajudar.

Referências:
Centro Nacional de Informações e Recursos sobre o Autismo dos Estados Unidos

 

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Moradias assistidas e autismo

As moradias assistidas ou residências inclusivas são espaços que servem de residências para algumas pessoas. 

Não são clínicas nem locais de tratamento, são residências adaptadas às necessidades individuais de pessoas com deficiências, com problemas de saúde, dependência química e também para autistas. Elas surgiram como uma alternativa mais humanizada ao modelo de internação em grandes instituições ou hospitais.

Frequentemente ouvimos os pais de autistas preocupados com o futuro dos filhos com o Transtorno do Espectro do Autismo. Sabemos que mesmo com todos os esforços e terapias realizados na infância para desenvolver habilidades que possibilitem ter independência e autonomia nas demais etapas da vida, alguns autistas precisam de apoio na fase adulta e infelizmente os pais não serão eternos.

Pessoas com autismo com grau moderado ou severo precisam de suporte para as tarefas do dia a dia como limpar uma casa, cozinhar ou realizar a higiene pessoal. Mas quando não possuem algum familiar que possa acolher e cuidar é necessário pensar em alternativas como a moradia assistida.

Elas podem ser uma opção para que os autistas tenham dignidade e qualidade de vida.  Esses locais contam com equipe multidisciplinar capacitada e disponível para prestar um atendimento personalizado e qualificado.

Há casos também de pessoas com autismo leve que desejam ser mais independentes e morar sozinhos. Mas ainda necessitam de ajuda parcial nas atividades domésticas e também acompanhamento psicológico e terapêutico.

Existem algumas moradias assistidas no Brasil, mas ainda não são suficientes para atender a demanda. Muitas delas foram criadas por pais de crianças com algum tipo de deficiência.

Reforçando que o direito à moradia e residência protegida é previsto em Lei (Art. 3º, Inciso IV – Lei 12.764/2012). E há vários modelos de moradia assistida que variam de acordo com o grau de dependência do autismo ou outra deficiência.

Elas podem ser casas individuais, que são locais em que a pessoa recebe ajuda para determinadas ações com profissionais que visitam semanalmente e trabalham em pontos específicos; apartamentos individuais assistidos por profissionais e familiares; casas compartilhadas, em que jovens moram juntos e recebem apoio de terapeutas e cuidadores.

Há unidades individuais ou que contam com até uma dezena de moradores, agrupados por faixa etária, tipo e grau de limitação ou ainda sem critérios específicos. Algumas possuem equipes permanentes de assistência e outras apenas garantem serviços básicos e que contam com monitores que as visitam periodicamente.

Ao escolher a moradia assistida, é preciso observar alguns pontos. O adulto ou jovem autista consegue realizar suas atividades de forma independente? É capaz de preparar a própria comida e cuidar da higiene?

Há moradias assistidas públicas e privadas disponíveis no Brasil. É importante que os pais e cuidadores visitem o local para checar se é seguro, se oferece atividades voltadas para o convívio social, saúde física e mental.

É fundamental que o autista more em um local que o ajude com suas limitações, problemas de comunicação e linguagem, dificuldades motoras e cognitivas.

As moradias assistidas devem ser bem localizadas, em um bairro residencial e de fácil acesso aos serviços necessários para o bem-estar dos autistas.

A equipe de cuidadores precisa estimular a pessoa com o TEA a ser independente para realizar suas tarefas do dia a dia.

É preciso ter em mente que o propósito das moradias assistidas é construir a ideia e o sentimento de lar, evitando o processo de institucionalização, ou seja, o autista precisa se sentir acolhido.

É fundamental que o morador veja como um local onde conseguirá exercer sua cidadania e sua independência como a sua própria casa. O propósito é oferecer uma moradia digna e humana.

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Problemas gastrointestinais são comuns em pessoas com TEA

Você sabia que os problemas gastrointestinais são frequentes em  pessoas com autismo?

Sabe-se que os distúrbios gastrointestinais estão entre as condições médicas mais comuns associadas ao autismo. É comum que apareçam constipações (prisões de ventre), diarreias e refluxos gastrointestinais, entre outras condições.

Esses problemas intestinais podem afetar pessoas com autismo de qualquer idade. Há diversas pesquisas relacionadas ao tema, mas as razões para isso acontecer ainda não estão totalmente claras. Estima-se que  as crianças com autismo têm mais de 3,5 vezes chances de sofrer com esses problemas do que as neurotípicas.

O que se sabe também é que quem tem TEA possui um desequilíbrio nas bactérias do intestino. Alguns estudos mostram que a microbiota intestinal de um autista é diferente, há uma alteração do equilíbrio da microbiota caracterizada pela perda de massa bacteriana benéfica.

Pesquisadores também revelaram que a atividade gastrointestinal de algumas crianças com autismo difere das outras porque suas células intestinais mostram anormalidades na forma como decompõem e transportam os carboidratos.

Além disso, seus intestinos abrigam grandes quantidades de algumas bactérias digestivas. Lembrando que as bactérias desempenham um papel importante na digestão e os níveis anormais podem causar problemas digestivos e inflamação intestinal.

Quais são os problemas mais comuns?

Constipação: conhecida também como prisão de ventre, ocorre quando a pessoa fica longos períodos sem evacuar. Por isso, causa grande desconforto e é uma condição séria. Em alguns casos, pode durar duas semanas ou mais.

As causas da constipação podem incluir uma dieta restrita que fornece poucas fibras insuficientes, o uso de medicamentos e problemas sensoriais ou comportamentais que interferem no uso do banheiro. Além disso, alguns autistas podem apresentar um trato intestinal mais lento, o que dificulta a evacuação regular. O tratamento pode incluir medicamentos e intervenções  comportamentais.

Diarreias: ocorre um aumento do número de evacuações que podem também perder sua consistência e se tornar mais aguadas. As causas podem variar – infecções, doenças inflamatórias intestinais, alergias alimentares, entre outras. E o tratamento muda conforme a causa, mas geralmente resolve-se com medicação.

Refluxo gastroesofágico: esse problema acontece quando há o retorno involuntário e repetitivo do conteúdo do estômago para o esôfago. Geralmente, causa desconforto e sensação de azia. O tratamento costuma ser o uso de medicamentos que diminuem a produção de ácido pelo estômago e favorecem o esvaziamento gástrico.

O que  pode ser feito para lidar com os problemas gastrointestinais

Além da dor e desconforto, esses problemas intestinais podem causar alterações no comportamento dos autistas. Por isso, é muito importante que os pais busquem ajuda profissional.

Alguns autistas não verbais podem ter dificuldade para demonstrar o que estão sentindo. E isso pode dificultar o diagnóstico. É importante ficar atento se a criança sente dor abdominal ou mudou de comportamento.

Cada caso deve ser avaliado individualmente para chegar a um tratamento adequado. Na maioria das vezes, as medicações podem aliviar os sintomas. A recomendação é buscar um acompanhamento médico e nutricional para mudar a dieta se necessário. E o uso de prebióticos e probióticos também tem sido recomendado para diminuir o mal-estar causado por esses problemas gastrointestinais.

Mas, fazer mudanças na dieta pode ser difícil quando uma criança autista tem problemas gastrointestinais e seletividade alimentar, por exemplo. Os nutricionistas e os médicos responsáveis devem indicar uma dieta que forneça a ingestão adequada de todos os nutrientes. O planejamento e a preparação de refeições nutritivas devem envolver toda a família.

Referências

https://www.autismspeaks.ca/about-autism/treatment/treatments-for-associated-medical-conditions/gi-disorders/

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5683266/

https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fpsyt.2019.00194/full

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